Ásia-Pacífico
Cingapura
-
Ranking 2026
123/ 180
Nota: 44,57
Indicador político
127
33,98
Indicador econômico
110
37,59
Indicador legislativo
164
24,82
Indicador social
137
42,21
Indicador de segurança
75
84,23
Ranking 2025
123/ 180
Nota: 45,78
Indicador político
133
33,16
Indicador econômico
120
35,994
Indicador legislativo
161
27,66
Indicador social
125
48,77
Indicador de segurança
75
83,30

Singapura, que se orgulha de ser um modelo de desenvolvimento econômico, é um contra-modelo extremamente preocupante no que diz respeito à liberdade de imprensa.

Cenário midiático

Embora Singapura se apresente regularmente como uma cidade-estado na vanguarda do progresso, a liberdade de imprensa e a independência editorial são pouco respeitadas. O Partido da Ação Popular, atualmente no poder, rejeita a ideia de que a imprensa deva atuar como um “quarto poder” ou um “órgão de fiscalização” dos poderosos, e os cidadãos convivem com um sistema midiático rigidamente controlado pelo governo. Confrontados com inúmeros desafios, os veículos de comunicação independentes que cobrem questões políticas e sociais são, portanto, raros. Os poucos portais de notícias independentes vêm sendo aos poucos silenciados por força do assédio das autoridades, como aconteceu com o site The Online Citizen, que teve sua licença suspensa. O editor-chefe agora dirige o site a partir do exílio, em Taiwan.

Contexto político

No poder de forma ininterrupta desde a independência de Singapura, em 1965, o Partido de Ação Popular (People's Action Party, PAP) dispõe de um arsenal que permite ao governo nomear diretamente membros do conselho de administração e editores-chefes dos principais veículos de comunicação. Cabe a eles fazer cumprir as linhas editoriais estabelecidas pelo Executivo. Também cabe ao governo decidir se um veículo de imprensa estrangeiro pode ou não ser distribuído ou transmitido na cidade-estado.

Quadro jurídico

Desde a aprovação da chamada lei “anti-fake news”, em 2019, o governo tem poder para “corrigir” qualquer informação que considere falsa ou que possa “minar a confiança do público no governo”. A lei sobre interferência estrangeira, que entrou plenamente em vigor no final de 2023, também possui formulações demasiado amplas, o que pode ameaçar o trabalho dos veículos de comunicação. Em setembro de 2023, o governo de Singapura alertou o diretor da sucursal da The Economist em Singapura contra interferências na política interna depois que a revista britânica apoiou um novo veículo de comunicação independente.

Contexto económico

Dois grandes grupos são proprietários de toda a imprensa impressa, radiofônica e audiovisual. O primeiro, MediaCorp, pertence a uma empresa estatal de investimentos. O segundo, SPH Media Trust, foi criado depois que a Singapore Press Holdings transformou seus negócios relacionados à mídia em uma nova empresa. Essa estrutura, sem fins lucrativos, recebe financiamento direto do governo. O presidente da SPH Media Trust é um ex-ministro do governo do PAP. Como resultado, a autocensura é generalizada, inclusive entre os veículos de mídia independente, que, apesar das formas alternativas de financiamento, são alvo de assédio judicial e econômico sistemático por parte do Executivo.

Contexto sociocultural

As linhas vermelhas implícitas que definem tópicos proibidos – os “Out of Bounds Markers” ou “marcadores do que está fora dos limites” – provocam medo e autocensura, o que afeta a cobertura de muitos temas considerados politicamente sensíveis. Tendo em vista que a grande imprensa local não quer ou não pode questionar o discurso do governo, os cidadãos só têm acesso aos pontos de vista aprovados pelo Estado no que diz respeito a temas como trabalho e direitos humanos.

Segurança

Vários blogueiros e jornalistas independentes já foram alvo de processos judiciais, com pedidos de indenização consideráveis, movidos por figuras importantes do partido no poder, incluindo o primeiro-ministro. No final de 2024, dois ministros ameaçaram processar a agência de notícias Bloomberg e outros veículos de comunicação por difamação, após a publicação de reportagens que mencionavam suas vultosas transações imobiliárias. Em uma sociedade extremamente conectada, veículos e profissionais que ultrapassam as “linhas vermelhas” também podem ser alvo de campanhas humilhantes e difamatórias orquestradas por apoiadores do partido no poder.