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Volkswagen Brasil

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Volkswagen Brasil
Razão socialVolkswagen do Brasil Indústria de Veículos Automotores LTDA.
Empresa de capital fechado
AtividadeAutomobilística
Fundação23 de março de 1953 (73 anos)
SedeSão Bernardo do Campo, SP
Locais
Proprietário(s)Grupo Volkswagen (Volkswagen AG)
PresidenteAlexander Seitz[1]
Empregados
18 173 (2021)[2]
DivisõesVolkswagen Motores
SubsidiáriasAudi Brasil
Websitewww.vw.com.br
Quarta geração do Golf (modelo City Golf) destinado ao mercado canadense

A Volkswagen do Brasil é uma subsidiária do Grupo Volkswagen, fundada em 1953 com a montagem local do Volkswagen Tipo 1, a partir de peças importadas da Alemanha.[3]

A Volkswagen do Brasil tem desenvolvido modelos próprios e variantes adequadas para diversos mercados na América Latina e África, substituindo ou complementando modelos projetados para a Europa.

A Volkswagen do Brasil possui três fábricas de automóveis, em São Bernardo do Campo (SP),[4] São José dos Pinhais (PR)[5] e Taubaté (SP)[6] e uma de motores em São Carlos (SP).[3][7][8][9] Atualmente, fabrica os modelos Polo, Virtus, Nivus, Saveiro e T-Cross.[7][10][11][12][13]

Histórico

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A fábrica de montagem da Volkswagen no Brasil foi criada depois que o governo brasileiro proibiu a importação de veículos totalmente montados em 1953.[14] Seu primeiro presidente foi Friedrich Schultz-Wenk, que havia emigrado para o Brasil em 1950, após um breve período como prisioneiro de guerra, seguido de uma temporada em Wolfsburg.[15] A primeira fábrica ficava em Ipiranga, São Paulo, e funcionava exclusivamente com kits desmontados. Em dois anos, 2.268 Fuscas e 552 Kombis foram montados ali manualmente.[15] Depois que os programas de substituição de importações de Juscelino Kubitschek começaram a surtir efeito, a Volkswagen foi obrigada a abrir uma fábrica propriamente dita em São Bernardo do Campo. As obras da fábrica tiveram início em meados de 1957.[16] Inicialmente, apenas a Kombi era fabricada localmente a partir de setembro de 1957, mas, a partir de janeiro de 1959, o Fusca de 1.200cc também passou a ser produzido localmente, com um índice cada vez maior de peças de fabricação local.[15] Em 1959, a VW iniciou a produção na fábrica próxima a São Paulo.[17] Em 1961, a Volkswagen havia ultrapassado a Willys-Overland e se tornado a maior fabricante de veículos do Brasil.[18]

União com a Ford na Autolatina

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De 1987 a 1995, a história da Volkswagen do Brasil foi marcada pelo acordo Autolatina Brasil entre a Ford Motor Company e o Grupo Volkswagen.[19]Durante a vigência desse acordo, ambas montadoras foram beneficiadas com trocas tecnológicas. A Ford passou a usar motores da linha Volkswagen AP e transmissões alemãs em seus carros (Escort, Verona, Del Rey, Belina e Pampa), além da plataforma do Santana/Quantum que deu origem aos modelos da Ford, Versailles e Royale. Já a Volkswagen passou a usar o motor CHT 1.6, rebatizado de AE1600 nos modelos Gol, Voyage, Parati e Saveiro, em 1990 uma versão VW para o Verona, chamada de Apollo e em 1993 o Logus e o Pointer.

De 1979 a 1999, a Volkswagen do Brasil criou e desenvolveu a divisão de Caminhões e Ônibus. Em dezembro de 2008, foi anunciado que a Volkswagen Caminhões e Ônibus seria vendida para a MAN.[20]

Em 1986, a Volkswagen firmou um acordo com a Paccar para vender seus caminhões com a marca Peterbilt ou Kenworth nos Estados Unidos. Isso permitiria que os revendedores da Paccar oferecessem caminhões da Classe 7 sem precisar recorrer à concorrência.[21] Os caminhões da Volkswagen na América Latina sempre foram fabricados com uma estrutura muito mais robusta do que em outras partes do mundo, onde esse setor tem sido principalmente de responsabilidade da MAN.[22]

A partir de 1958, o Tipo 1 (“Fusca”) manteve-se por 24 anos como o carro mais vendido no Brasil. De 1987 a 2012, o Gol ocupou o primeiro lugar em vendas.[23]

A empresa ocupa uma posição estratégica a nível mundial dentro da organização da Volkswagen tendo sido encarregada da produção do Fox para todos os mercados no mundo em que este modelo esteve presente.[24][25] A empresa também produziu para o Canadá e para diversos mercados na América Central e do Sul a quarta geração do Golf,[25][26][27] tendo produzido a sétima geração do Golf até 2020.[28]

Controvérsias

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Os trabalhadores vêm acusando a Volkswagen do Brasil de espioná-los desde a década de 1970, período que coincidiu com a ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985.[29] Os ex-funcionários acusaram a empresa de permitir que seus trabalhadores fossem detidos e torturados durante o regime militar no Brasil.[30] O pessoal de segurança da VW informava a polícia sobre eventuais atividades de oposição. Em 1976, ocorreram prisões em massa e alguns funcionários da VW foram torturados. Em 1979, trabalhadores brasileiros da VW viajaram para Wolfsburg para informar o presidente da empresa pessoalmente.[31]

Em 2014, a “comissão da verdade” convocada pela presidente Dilma Rousseff encontrou documentos que revelavam que “dezenas de empresas, incluindo a Volkswagen e outras montadoras estrangeiras, ajudaram os militares a identificar ativistas sindicais”, entre os quais Luiz Inácio Lula da Silva.[32] Em audiências posteriores perante a comissão estadual de São Paulo, os advogados da VW negaram as acusações e alegaram que não havia nenhum documento que comprovasse que a empresa tivesse violado os direitos humanos.[33]

Em 2015, ativistas e ex-funcionários da VW no Brasil se manifestaram publicamente, acusando a empresa de manter silêncio sobre a perseguição aos seus trabalhadores.[34]

Condenação por práticas escravistas

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A Volkswagen do Brasil foi condenada em 2025 por suas “práticas escravistas” nas décadas de 1970 e 1980. Centenas de trabalhadores de uma fazenda de gado na zona rural da Amazônia foram mantidos em servidão por dívidas e vigiados por guardas armados enquanto trabalhavam.[35][36][37]

Presidentes

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  • Friedrich Schulz-Wenk (19531969)[38][39] – primeiro presidente e responsável pela implantação da marca no país. A Volkswagen fabricou 850 mil veículos sob seu comando.
  • Rudolf Leiding (19691973) – responsável pelo aval na criação de diversos lançamentos como a Brasília em 1973, do SP1 e SP2 em 1972.
  • Wolfgang Sauer (19731993) – responsável pelo aval na criação do Gol e por trazer diversos lançamentos como o Passat em junho de 1974.
  • Noel Philips (19861992)
  • Pierre Alain de Smedt (19921997)
  • Herbert Demel (19972002)
  • Paul S. Fleming (20022003)
  • Hans-Christian Maergner (20042007)
  • Thomas Schmall (20072015)
  • David Powels (20152017)
  • Pablo Di Si (20172022)
  • Ciro Possobom (2022presente)

Ver também

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Referências

  1. «Novo presidente da Volkswagen América do Sul, Alexander Seitz já morou no Brasil e fala português». AutoEsporte. 12 de setembro de 2022. Consultado em 21 de novembro de 2022
  2. «Anuário de Sustentabilidade da Volkswagen do Brasil – Nossas Pessoas». Volkswagen do Brasil. 31 de março de 2022. Consultado em 21 de novembro de 2022
  3. 1 2 «Volkswagen do Brasil – Nossa História». Volkswagen Newsroom. Consultado em 21 de novembro de 2022
  4. «Fábricas – Anchieta». Volkswagen Newsroom. Consultado em 21 de novembro de 2022
  5. «Fábricas – São José dos Pinhais». Volkswagen Newsroom. Consultado em 21 de novembro de 2022
  6. «Fábricas – Taubaté». Volkswagen Newsroom. Consultado em 21 de novembro de 2022
  7. 1 2 «Volkswagen – A Volkswagen do Brasil». Volkswagen do Brasil. Consultado em 21 de novembro de 2022
  8. «Fábricas – São Carlos». Volkswagen Newsroom. Consultado em 21 de novembro de 2022
  9. «Volkswagen – Fábricas». Volkswagen Newsroom. Consultado em 21 de novembro de 2022
  10. «Fábricas de automóveis no Brasil: onde estão e quanto produzem». Motor1 Brasil. 21 de novembro de 2021. Consultado em 21 de novembro de 2022
  11. «Carros que saíram de linha em 2021: 10 modelos que deixaram o mercado». AutoPapo. 29 de dezembro de 2021. Consultado em 21 de novembro de 2022
  12. «Volkswagen Voyage segue seu irmão hatch e deixa o mercado». AutoPapo. 21 de novembro de 2022. Consultado em 21 de novembro de 2022
  13. «VW Voyage tem produção encerrada e Gol sairá de linha em dezembro, diz site». Motor1 Brasil. 20 de outubro de 2022. Consultado em 21 de novembro de 2022
  14. Shapiro, Helen (inverno de 1991). «Determinants of Firm Entry into the Brazilian Automobile Manufacturing Industry, 1956-1968». The Business History Review. 65 (4, The Automobile Industry): 884. JSTOR 3117267. doi:10.2307/3117267
  15. 1 2 3 «VW-Tochter: Erfolg mit Fusca» [VW-daughter: Fusca success]. Rudolf Augstein. Der Spiegel (em alemão) (39): 134, 136. 19 de setembro de 1966
  16. Wolfe, Joel (2010), Autos and Progress: The Brazilian search for Modernity, ISBN 978-0-19-517456-4, New York City: Oxford UP, p. 121
  17. Komplizen? - VW und die brasilianische Militärdiktatur. Arquivado em 2017-07-26 no Wayback Machine Das Erste, ARD, documentary, 24.07.2017
  18. Wolfe, Joel (2010), Autos and Progress: The Brazilian search for Modernity, ISBN 978-0-19-517456-4, New York City: Oxford UP, p. 121
  19. «Ford firma acordo de cooperação com a Volkswagen»Subscrição paga é requerida. Quatro Rodas. 20 de junho de 2018. Consultado em 12 de junho de 2026
  20. MAN acquires Brazil based VW Truck and Bus Arquivado em 2018-10-31 no Wayback Machine MAN 15 December 2015
  21. Barden, Paul (dezembro de 1986). «Foden: A Family Affair». London, UK: FF Publishing Ltd. TRUCK: 45
  22. Queiroz, Roberto (dezembro de 1986). Barden, Paul, ed. «View: Brazil». London, UK: FF Publishing Ltd. TRUCK: 37
  23. Calmon, Fernando (2 de abril de 2013). Aroq LimitedJust-Auto Global News Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  24. «Volkswagen Fox sai de linha (agora é oficial); Gol vira o carro mais barato da marca por R$ R$ 65.590». AutoEsporte. 6 de outubro de 2021. Consultado em 21 de novembro de 2022
  25. 1 2 «Os carros desenvolvidos no Brasil que foram vendidos em outros países». FlatOut!. 26 de julho de 2018. Consultado em 21 de novembro de 2022
  26. «Carros nacionais exportados: 7 modelos vendidos nos EUA e na Europa». AutoPapo. 19 de abril de 2020. Consultado em 21 de novembro de 2022
  27. «Volkswagen Golf: as 8 gerações do hatch mais vendido do mundo». AutoEsporte. 26 de outubro de 2019. Consultado em 21 de novembro de 2022
  28. «Volkswagen Golf, um dos carros mais vendidos do mundo, deixa o Brasil». Exame. 17 de dezembro de 2020. Consultado em 21 de novembro de 2022
  29. «Slave Labor Accusations Come Back to Haunt Volkswagen in Brazil». NACLA (em inglês). Consultado em 14 de maio de 2024
  30. «Volkswagen 'allowed torture' under Brazil military rule». BBC News (em inglês). 23 de setembro de 2015. Consultado em 10 de fevereiro de 2024
  31. Agence France Presse Volkswagen aided Brazil dictatorship’s repression: historian Business Recorder REPORT, 25 July 2017
  32. Brian Winter spied on Lula, other Brazilian workers in 1980s[ligação inativa] 5 September 2014 Reuters
  33. Brian Winter Brazil probe of dictatorship period not satisfied by Volkswagen testimony Reuters, February 28, 2015
  34. VW worked hand in hand with Brazil's military dictatorship 24.07.2017 Deutsche Welle
  35. Junqueira, Diego (29 de agosto de 2025). «Volkswagen é condenada em R$ 165 mi por escravidão na ditadura». Repórter Brasil
  36. LTO. «Untersuchung zu 'Fazenda VW' geht weiter». Legal Tribune Online (em alemão). Consultado em 15 de junho de 2022
  37. «Volkswagen kept a dark secret in the Amazon. Then a priest made a call.». The Washington Post (em inglês). 23 de julho de 2025
  38. «VW-Tochter: Erfolg mit Fusca» [VW-daughter: Fusca success]. Rudolf Augstein. Der Spiegel (em alemão) (39): 134, 136. 19 de setembro de 1966
  39. Wolfe, p. 129

Ligações externas

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