Uidá
Uidá
Ouidah | |
|---|---|
| Localização de Uidá no Benim | |
| Coordenadas: 6° 22′ N, 2° 05′ L | |
| Departamento | Atlântico |
| Comuna | Uidá |
| Área | |
| • Total | 364 km² |
| População | |
| • Total (2013) | 162 034 hab. |
| Densidade | 445,1 hab./km² |
Uidá[1] ou Ajudá[2] (em francês: Ouidah; Whydah)[3] é uma cidade e comuna localizada na costa ocidental da África, na atual República de Benim. Segundo censo de 2013, havia 47 616 pessoas no centro urbano,[4] enquanto a comuna possuía 162 034 pessoas.[5] Foi capital do Reino de Uidá e desde 21 de fevereiro de 2021 foi submetida junto a outros sítios históricos do Benim para a lista de Patrimônio Mundial da UNESCO.[6]
História
[editar | editar código]Reino de Uidá
[editar | editar código]A atual cidade beninense de Uidá carrega o nome do reino homônimo, com localizações geográficas coincidentes. À época, a cidade floresceu com o tráfico transatlântico de escravizados, pois sua posição costeira com saída para o Golfo do Benin era logisticamente desejável, dada a distância comparativamente curta entre Uidá e as Américas, destino final dos escravizados vendidos na África Ocidental.[7] O lucro inicial e a grande oferta de escravizados logo incentivou demais atores a participarem do comércio; assim, com a entrada de traficantes de Portugal, França e Inglaterra, Uidá testemunha o surgimento de elites econômicas locais, cujo poder e proeminência orbitam em torno do fornecimento de escravizados às necessidades europeias.[8] Em 1721, Portugal constrói a Fortaleza de São João Batista de Ajudá como forma de exercer um controle mais efetivo sobre o tráfico transatlântico ao litoral da cidade.
Conquista por Daomé
[editar | editar código]A despeito da prosperidade inicial, a venda de escravizados criou elites econômicas cada vez mais faccionadas que passam a brigar entre si pelo controle monopolístico do comércio com os europeus[8]. Ademais, o sucesso da empreitada açucareira nas Américas aumenta a demanda por mão de obra africana em um ritmo que o reino costeiro não conseguiria mais suprir. Esse fator impulsionou a captura de escravizados em regiões cada vez mais interioranas da África Ocidental, chegando à região planáltica de Abomei, onde se encontrava o reino de Daomé.[9]
A partir da interiorização do comércio de escravizados, os reinos litorâneos de Aladá e Uidá passam, de grandes fornecedores, a intermediários entre os portugueses e os Estados mais centrais, como Oió e Daomé.[10] Daomé, por sua vez, possuía uma estrutura política mais centralizada, e os rendimentos obtidos com o comércio de escravizados permitiu a subordinação do exército e das finanças ao palácio;[11]tal estrutura burocrático-militar de Daomé frente à desarticulação política dos reinos costeiros permitiu que o rei Agajá conquistasse Aladá em 1724 e Uidá em 1727.[12] O rei deposto de Uidá, Haffon, é condenado ao exílio e posteriormente assassinado.[13]
Com a incorporação de Uidá ao reino de Daomé, a administração comercial passa por uma reforma para se adequar à burocracia daomeana. Neste contexto, é criada a figura do Yovogan, ou "chefe dos europeus/brancos" em tradução direta do idioma fon.[14] Como togan (governador local) mais poderoso e influente de Daomé, o Yovogan administrava Uidá sob nomeação direta do rei, tendo poderes judiciais, tributários e militares, sendo também o encarregado de conduzir as negociações comerciais com os europeus. O yovogan, portanto, supervisionava a atividade econômica mais rentável do reino, o que reafirma a posição central do porto de Uidá para a manutenção do comércio transatlântico.[15]

Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Castro 2004, p. 21.
- ↑ Infopédia.
- ↑ Editores 1998.
- ↑ City Population (a).
- ↑ City Population (b).
- ↑ UNESCO.
- ↑ «David Eltis, Paul E. Lovejoy, et David Richardson, Slave-trading Ports: Towards an Atlanticwide Perspective, in Robin Law et Silke Strickrodt (dir.), Ports of the Slave Trade (Bights of Benin and Biafra) (University of Stirling: Centre of Commonwealth Studies, 1999), 12–34.»
- 1 2 Monroe, J. C. (2014). The precolonial state in West Africa: Building power in Dahomey. Cambridge University Press. [S.l.: s.n.] p. 52
- ↑ Monroe, J. C. (2014). The precolonial state in West Africa: Building power in Dahomey. Cambridge University Press. [S.l.: s.n.] p. 46
- ↑ Monroe, J. C. (2014). The precolonial state in West Africa: Building power in Dahomey. Cambridge University Press. [S.l.: s.n.] p. 13
- ↑ Polanyi, K. 1944. The Great Transformation. New York: Farrar & Rinehart, Inc.1966. Dahomey and the Slave Trade: An Analysis of an Archaic Economy Seattle: University of Washington Press. [S.l.: s.n.] p. 53
- ↑ Monroe, J. C. (2014). The precolonial state in West Africa: Building power in Dahomey. Cambridge University Press. [S.l.: s.n.] p. 15
- ↑ Forde, D., & Kaberry, P. M. (Eds.). (2018). West African kingdoms in the nineteenth century. Routledge. [S.l.: s.n.] p. 75
- ↑ Maurice Ahanhanzo Glélé, Le Danxomẹ: du pouvoir Aja à la nation Fon, Nubia, Paris, 1974. [S.l.: s.n.] p. 41
- ↑ Forde, D., & Kaberry, P. M. (Eds.). (2018). West African kingdoms in the nineteenth century. Routledge. [S.l.: s.n.] p. 76
Bibliografia
[editar | editar código]- Castro, Yeda Pessoa de (2004). A língua mina-jeje no Brasil: um falar africano em Ouro Preto do século XVIII. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro/Secretária da Cultura do Estado de Minas Gerais. ISBN 8585930454
- «Benim - Departments». City Population
- «Allada». City Population
- Editores (1998). «Ouidah». Britânica Online
- «Forte de São João Baptista de Ajudá». Infopédia
- «Sites marquants de la Route de l'Esclave au Bénin». UNESCO
