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Tereza Rachel

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Tereza Rachel

Rachel em 1971.
Nome completo Teresinha Malka Brandwain Taiba
Nascimento 10 de março de 1934
Nilópolis, RJ
Nacionalidade brasileira
Morte 2 de abril de 2016 (82 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Ocupação atriz • produtora
Atividade 1955–2010
Cônjuge
  • Elio De La Sierra (c. 1959; div. 1963)
  • Ipojuca Pontes (c. 1977; div. 1993)
APCA
Melhor Atriz Coadjuvante em Cinema
1981 – A Volta do Filho Pródigo
Festival de Gramado
Melhor Atriz
1974 – Amante Muito Louca
Outros prêmios
Troféu Imprensa de Melhor Atriz
Que Rei Sou Eu?
(ver mais)

Teresinha Malka Brandwain Taiba de La Sierra (Nilópolis, 10 de março de 1934 Rio de Janeiro, 2 de abril de 2016) foi uma atriz e produtora teatral brasileira. Tereza é reverenciada como uma das damas do teatro brasileiro, destacando-se por suas interpretações marcantes e pela produção de vanguarda no Teatro Tereza Rachel, que fundou em 1971. Na televisão, especializou-se em vilãs ricas e fúteis, papel que lhe deu ampla projeção. Recebeu um Prêmio APCA, um Prêmio Molière, um Troféu Imprensa e o Kikito de Melhor Atriz do Festival de Gramado.

A carreira de Rachel teve início no teatro em 1955, como Valentine em Os Elefantes, mas ganhou maior repercussão no ano seguinte ao estrelar Prima Donna, que lhe rendeu o prêmio de atriz revelação da Associação Brasileira de Críticos Teatrais. Ela logo fez sua estreia na televisão estrelando a série O Jovem Dr. Ricardo, na TV Tupi, e no cinema a mocinha da comédia Genival É de Morte, ambos em 1956. Nos anos seguintes, intensificou sua atuação no teatro, estudando na França e na Itália e estrelando, em 1963, as montagens Romanoff e Julieta e Quando Se Morre de Amor, do Teatro Brasileiro de Comédia, pela qual recebeu o Prêmio Saci.

Ela fundou o Teatro Tereza Rachel em 1971, onde montou os principais espetáculos de sua carreira. Neste período, destacou-se pela ousadia e vanguarda ao encenar autores ainda pouco explorados no Brasil, como A Mãe (1971), de Stanislaw Witkiewicz, e As Gaivotas (1972), de Anton Tchekhov. Recebeu o Troféu Kikito de Melhor Atriz do Festival de Gramado por sua interpretação na comédia Amante Muito Louca, em 1973. No cinema, também foi amplamente elogiada por sua atuação em A Volta do Filho Pródigo (1981), pela qual recebeu o Prêmio APCA, e em Pedro Mico, no qual fez par romântico com o jogador Pelé.

Na televisão, ganhou maior destaque em telenovelas a partir da década de 1970, sobretudo por suas personagens extravagantes, fúteis e ricas. Seu primeiro papel de repercussão foi em O Rebu (1974) como a viúva rica Lupe Garcez. Tereza também foi elogiada por seus papéis como Clô Hayala em O Astro (1977), Marta em Baila Comigo (1981), Renata em Louco Amor (1983) e Rainha Valentine em Que Rei Sou Eu? (1989), recebendo o Troféu Imprensa por esta. Após A Próxima Vitima (1995) afastou-se da atuação, fazendo raras participações especiais a partir de então.

Primeiros anos

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Teresinha Malka Brandwain Taiba nasceu 10 de março de 1934 em Nilópolis, na Baixada Fluminense, oriunda de uma família de imigrantes judeus estabelecidos na cidade.[1] Cursou a Escola de Teatro Martins Penna e o Curso de Interpretação do Teatro Duse, além de realizar estágio no Conservatório de Teatro de Paris. Também graduou-se em Línguas Neolatinas pela Faculdade de Filosofia do Instituto La-Fayette, atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).[2]

Primeiros trabalhos e avanços (1955—1969)

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Tereza Rachel iniciou sua carreira como atriz profissional sob direção de Henriette Morineau em Os Elegantes, de Aurimar Rocha, em 1955.[3] Anteriormente, ela havia aparecido como estudante em algumas montagens teatrais de tragédias gregas, como Édipo (1951), onde interpretou Antígona, e Hécuba (1953).[4] Em 1956, foi eleita a atriz revelação do ano pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT) por sua performance no espetáculo Prima Dona, escrito e dirigido por José Maria Monteiro.[5] Foi também em 1956 que ela apareceu pela primeira vez na televisão estrelando com Cyl Farney a série médica O Jovem Dr. Ricardo, na TV Tupi, onde interpretava a enfermeira Patrícia, funcionária do consultório cuja trama se passa.[6]

Tereza em destaque no cartaz do filme Genival É de Morte, em 1956.

O primeiro filme da carreira de Rachel estreou nos cinemas em 1956. Em Genival É de Morte, de Aloísio T. de Carvalho, interpretou Mocinha, uma jovem que planeja diversas situações para atrair o conquistador de mulheres casadas Genival, papel de Ronaldo Lupo, para uma farsa.[7] Foi contratada pelo Teatro Nacional de Comédia (TNC) em 1957 e atua nas peças O Telescópio, com direção de Paulo Francis, e em A Bela Madame Vargas, de Paulo Barreto.[3] Em 1958, na Companhia Tônia-Celi-Autran, atuou em A Ilha das Cabras, de Ugo Betti, com direção de Adolfo Celi.[3] No ano seguinte, participou de três montagens do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC): Romanoff e Julieta, de Peter Ustinov, Patate, de Marcel Achard, ambas dirigidas por Alberto D'Aversa, e Quando Se Morre de Amor, de Giovanni Patroni Griffi, também sob direção de D'Aversa. Por sua atuação nesta última, recebeu o Prêmio Saci de Melhor Atriz em Teatro.[3]

Em 1961, retornou ao TNC, integrando o elenco de Boca de Ouro, de Nelson Rodrigues, em montagem dirigida por José Renato.[3] No ano seguinte, realizou viagem de estudos à Itália e à França. De volta ao Brasil, produziu e atuou em Bonitinha, mas Ordinária, de Nelson Rodrigues, com direção de Martim Gonçalves.[3] Em 1963, Rachel voltou a atuar no cinema em três produções. Interpretou Clotilde, a Senhora do Pieró, na cinebiografia Ganga Zumba, centrada no primeiro líder do Quilombo dos Palmares;[8] viveu Donna Cecilia na coprodução internacional Manaus, Glória de uma Época;[9] e fez uma participação especial em Sol sobre a Lama, de Cacá Diegues.[10]

Em 1965, integrou o elenco de O Berço do Herói, de Dias Gomes, com direção de Antônio Abujamra.[5] No entanto, a montagem foi interditada pela censura no dia do ensaio geral.[3] No mesmo ano, integrou o elenco de Liberdade, Liberdade, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes, dirigida por Flávio Rangel e produzida pelo Grupo Opinião.[5] Em 1966, retornou à televisão após quase uma década de afastamento para protagonizar a novela A Pequena Karen, na qual interpretou Francis Drummond. Na trama, sua personagem era sobrinha da diretora de um internato que, por negligência, havia provocado a morte da jovem Karen (Susana Vieira) e a colocava em seu lugar para ocultar o crime. Tereza deixou o elenco antes do término da novela por motivos de saúde, sendo substituída por Lídia Costa.[11] Em 1967, interpretou Jocasta em Édipo Rei, ao lado de Paulo Autran, em montagem de grande êxito de público.[3] Em 1969, integrou o elenco da histórica encenação de O Balcão, de Jean Genet, realizada pelo Teatro Ruth Escobar, com direção de Victor Garcia.[3]

Expansão televisiva e notoriedade nacional (1970—1979)

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Rachel ao lado de Sérgio Britto, em 1972, durante apresentação.

Em 1971, após assistir, na França, a uma montagem de A Mãe, de Stanislaw Witkiewicz, produziu a versão carioca da peça, trazendo de Paris o diretor Claude Régy para conduzir a encenação. O espetáculo inaugurou as atividades oficiais do Teatro Tereza Raquel, e sua interpretação da protagonista lhe rendeu o Prêmio Molière.[3] No mesmo ano, produziu Tango, de Sławomir Mrożek, reafirmando seu interesse pela dramaturgia polonesa de vanguarda, ainda pouco difundida no Brasil. A montagem, dirigida por Amir Haddad, recebeu elogios da crítica pela concepção cênica de Joel de Carvalho, que integrava palco e plateia, e pelas interpretações da atriz junto com Sérgio Britto, Sadi Cabral e Ary Coslov. A escolha de mais um texto de vanguarda contribuiu para consolidar sua reputação como uma das mais ousadas produtoras do teatro carioca.[3]

Em 1972, retorna às telenovelas com um papel coadjuvante na novela Jerônimo, o Herói do Sertão, da TV Tupi, onde interpretou Maria Homem.[12] No ano seguinte, atuou no filme de comédia Amante Muito Louca, de Denoy de Oliveira, no qual interpretou uma amante que surpreende o companheiro durante as férias que ele passava com a família.[13] Sua atuação foi elogiada pela crítica e lhe rendeu o Troféu Kikito de Melhor Atriz no Festival de Gramado.[5] Em 1974, trouxe o diretor francês Jorge Lavelli para encenar A Gaivota, de Anton Tchekhov, montagem que novamente recebeu atenção da crítica especializada.[3]

Tereza foi contratada pela TV Globo em 1974 para fazer parte do elenco de suas produções, onde fez seus principais trabalhos na televisão. Em O Rebu (1974), seu primeiro trabalho na emissora, interpretou a viúva rica de temperamento forte Lupe Garcez, sendo parte dos convidados da festa em que ocorre o crime da trama.[14] No ano seguinte, é escalada para o elenco de O Grito, onde interpretou uma atriz decadente, de personalidade fútil e vaidosa, que sofre com a solidão e insegurança.[15] Em 1976, recebeu novos elogios por sua atuação em Gata em Telhado de Zinco Quente, de Tennessee Williams, com direção de Paulo José.[3] Segundo o crítico Yan Michalski, a atriz realizou "numa composição tensa, elétrica, sensual e sobretudo admiravelmente rica de intenções" um de seus melhores desempenhos como Maggie.[16] Para a jornalista Tânia Pacheco, "nas mudanças da agressão para a quase ternura, da 'gata' para a mulher, seu trabalho de atriz merece aplausos".[17]

Em O Astro (1977), interpretou Clô Hayala, um de seus papéis de maior repercussão na televisão. A personagem, uma mulher fútil e escandalosa, esposa do empresário Salomão Hayala (Dionísio Azevedo), destacou-se pelo comportamento voltado ao luxo e às joias, bem como pela relação conflituosa com o filho, Márcio (Tony Ramos). O papel consolidou a atriz em personagens desse perfil, recorrente em sua carreira televisiva, e marcou seu primeiro grande sucesso na TV. Durante as gravações, sofreu um grave acidente automobilístico em junho daquele ano, quando o veículo em que estava capotou várias vezes. A atriz sofreu apenas escoriações e fratura no tornozelo, retomando o trabalho na novela poucos dias depois.[18] Em 1979, interpreta Lola (Dolores) na telenovela Marron Glacé. Sua personagem é uma dançarina de cabaré, de vida sofrida, por quem Oscar (Lima Duarte) se apaixona e oferece um emprego em um restaurante, mesmo ela recusando qualquer envolvimento amoroso com ele.[19]

Consagração artística (1980—1989)

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Em 1980, atuou em Os Órfãos de Jânio, de Millôr Fernandes, com direção de Sérgio Britto.[3] No ano seguinte, voltou a trabalhar com o diretor em A Senhorita de Tacna, de Mario Vargas Llosa.[3] Ainda em 1981, retorna às telenovelas em Baila Comigo, de Manoel Carlos, interpretando a fútil e esnobe Marta Gama. Ela interpretou a esposa de Joaquim Gama, personagem de Raul Cortez. Na trama, sua personagem mantinha um relacionamento conturbado com o marido e, apesar da postura orgulhosa, escondia profunda carência e ressentimento diante de suas infidelidades.[20]

Em Paraíso (1982), interpretou a carinhosa Aurora, esposa do prefeito Norberto (Sérgio Britto). Na trama, ela é afetuosa e compreensiva, ao mesmo tempo em que criticava o estilo de vida do marido. O casal era pai de Maria Rosa (Elizângela), cuja vida amorosa procurava por medo dela ir para longe.[21] No mesmo ano, aparece como a Bruxa da Branca de Neve no episódio "A Sobrinha da Cuca" do Sítio do Picapau Amarelo. Em 1983, retorna ao papel de vilã esnobe na telenovela Louco Amor, de Gilberto Braga, onde interpretou Renata Dumont. Sua personagem é uma mulher rica e esnobe, que adora aparecer em colunas sociais mas esconde um segredo. Ela teme que descubram sua origem humilde e seu verdadeiro nome: Agetilde Rocha.[22]

Rachel retornou aos cinemas em 1984 no suspense dramático Águia na Cabeça, de Paulo Thiago, onde interpretou a esposa de um senador corrupto que, após sofrer uma tentativa de assassinato, tornou-se imóvel e a prepara para uma candidatura ao Senado Federal.[23] Em 1985, no teatro, interpretou a controversa Blanche DuBois em sua produção de Um Bonde Chamado Desejo, de Tennessee Williams, com direção de Maurice Vaneau,[3] e no cinema contracenou com Pelé em Pedro Mico, de Ipojuca Pontes, no papel de Aparecida, uma prostituta e par romântico do malandro Pedro Mico (papel interpretado por Pelé).[24]

Em 1988, integrou o elenco da minissérie histórica Abolição, na qual interpretou a Princesa Isabel numa trama que acompanhava a trajetória de um casal de escravizados até a assinatura da Lei Áurea, em 1888, pela princesa, marco da abolição da escravidão no Brasil.[25] No mesmo ano, fez uma participação especial na telenovela Bebê a Bordo, onde interpretou a mãe da personagem Joana Mendonça, papel de Débora Duarte.[26] Em 1989, voltou a interpretar Princesa Isabel na continuação República, que trazia um elo com a história de Abolição e comemorava o Centenário da Proclamação da República.[27] Foi também em 1989 que interpretou uma de suas personagens mais marcantes em telenovela, a rainha histérica e divertida Valentine na novela Que Rei Sou Eu?. A personagem chamou atenção pela caracterização e pela gargalhada aguda, misturando humor com suas atitudes devassas. Por esse trabalho, Tereza recebeu o Troféu Imprensa de Melhor Atriz.[28]

Afastamento e encerramento da carreira (1990—2010)

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Rachel em cena de A Próxima Vítima, em 1995.

A partir da década de 1990, conflitos financeiros e políticos a afastaram do meio artístico e o Teatro Tereza Rachel entrou em decadência, sendo arrendado para uma igreja evangélica. Suas aparições em público passaram a ser esporádicas.[5] Em 1995, ela retornou à televisão após seis anos reclusa. Em A Próxima Vítima (1995), interpretou Francesa Ferreto, uma mulher impulsiva e passional, casada com Marcelo (José Wilker). Após descobrir uma traição do marido, sua personagem aparentemente morre em circunstâncias misteriosas. Posteriormente, revela-se que sua morte fazia parte de uma farsa, desfecho esclarecido no final da trama.[29]

Em 1998, integrou o elenco da fase inicial da telenovela Era Uma Vez..., onde interpretou a governanta Berta. Ela é uma funcionária linha dura na mansão de Xistus (Cláudio Marzo) e por isso se torna a principal vítima das armações de seus netos.[30] Entre 1998 e 1999, apareceu em dois episódios do seriado Você Decide, intitulados "Síndrome" e "Madame Sussu", sendo que neste último interpretou a cartomante Madame Adelaide.[31] Neste período, também retornou ao teatro estrelando com Luiz Carlos de Moraes a comédia romântica Encontro no Supermercado, onde interpretam um casal de viúvos na casa dos 60 anos que se encontram. Ela recebeu elogios da crítica por sua interpretação, com Nelson de Sá escrevendo que "o ponto exato entre a comédia e a amargura, rindo de si mesma no papel de Rachel, a viúva judia, ela mostra porque vem de ser considerada uma das grandes atrizes brasileiras das últimas décadas".[32]

Posteriormente, Rachel passou por um novo hiato sem aparições públicas até retornar à televisão em 2008 com participações especiais no seriado Alice, do HBO, onde interpretou Elvira Cipriani.[5] Em maio de 2009, Tereza retornou às telenovelas em uma participação especial em Caras & Bocas, de Walcyr Carrasco, no papel da judia ortodoxa Rebeca, recém chegada ao Brasil vinda de Israel e com um jeito carregado de ser.[33] Em 2010, participou do episódio "Manchas do Passado" da série A Vida Alheia interpretando Isa Muller.[34]

Vida pessoal

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Tereza Rachel casou-se duas vezes. Seu primeiro casamento foi com o espanhol Elio de la Sierra, com quem permaneceu entre 1959 e 1963.[35] Em 1977, casou-se com o cineasta Ipojuca Pontes. A união perdurou até 1993.[35]

Em 1971, fundou o Teatro Tereza Rachel, inaugurado no ano seguinte em imóvel adquirido por meio de financiamento. Ao longo das décadas de 1970 e 1980, o espaço consolidou-se como um dos principais palcos do teatro carioca, abrigando espetáculos de destaque e produções inéditas ligadas à dramaturgia de vanguarda.

No fim da década de 1980, quando Ipojuca Pontes assumiu a Secretaria da Cultura no governo de Fernando Collor de Mello, Tereza Rachel manifestou apoio à candidatura de Collor na eleição presidencial de 1989, disputada contra Luiz Inácio Lula da Silva. Seu posicionamento político gerou repercussão pública e críticas de setores da classe artística e de segmentos da esquerda.[5]

A partir da década de 1990, o Teatro Tereza Rachel entrou em declínio e encerrou suas atividades. Em entrevista à Rádio Italiana, a atriz afirmou que, em 2001, foi obrigada a arrendar o imóvel à Igreja Universal do Reino de Deus em razão das dificuldades para manter o espaço. Nos anos 2000, Tereza Rachel tentou viabilizar novas montagens teatrais de grande porte, entre elas A Celestina, mas os projetos não se concretizaram por falta de recursos financeiros e apoio publicitário.[36]

Em março de 2012, o antigo Teatro Tereza Rachel foi novamente arrendado, dessa vez por uma empresa de comunicação. Após ampla reforma, o espaço foi reaberto como Teatro Net Rio, com duas salas de espetáculos, sendo a principal denominada Sala Tereza Rachel, em homenagem à atriz e fundadora do teatro.[36]

Tereza Rachel morreu aos 82 anos, em 2 de abril de 2016, após longo período de internação no Hospital São Lucas, em Copacabana, onde esteve desde 30 de dezembro de 2015, vítima de complicações no intestino. Foi sepultada no dia seguinte, no Cemitério Comunal Israelita de Nilópolis.[37]

Ano Título Personagem Nota(s) Ref.
1951 Édipo Antígona Teatro estudantil [38]
1954 Hécuba Corifeu [39]
1955 Os Elefantes Valentine Estreia no teatro profissional [40]
1956 Prima Dona [41]
O Anjo Dalva [42]
1957 A Bela Madame Vargas [43]
O Telescópio Iolanda [44]
1958 A Ilha das Cabras Pia [45]
1959 Senhorita Júlia Senhorita Júlia [46]
Romanoff e Julieta Marfa (embaixada russa) [47]
Patate [48]
Quando se Morre de Amor Elena Davidson [49]
1961 Boca de Ouro Dina Guigui [50]
1962 Bonitinha, mas Ordinária Ritinha [51]
1964 Os Direitos da Mulher [52]
1965 O Berço do Herói Porcina [53]
Liberdade, Liberdade Várias personagens [54]
1967 Édipo Rei Jocasta [55]
1968 Dr. Getúlio, Sua Vida e Sua Glória Alzira Vargas (Alzirinha) [56]
O Preço [57]
1969 Catarina... da Rússia, naturalmente! Catarina [58]
Chá e Simpatia [59]
O Balcão Irmã [60]
1970 Seu Tipo Inesquecível [61]
1971 A Mãe Nina Cobraska, A Mãe também como produtora [62]
1972 Tango Eleonora [63]
1974 Mais Quero Asno que me Carregue que Cavalo que me Derrube Dona Leonor [64]
A Gaivota Arkádina [65]
1975 Oh, Carol Carol [66]
1976 Gata em Telhado de Zinco Quente Maggie Pollitt "A Gata" também como produtora [67]
1977 Os Emigrados como produtora [68]
1980 Os Órfãos de Jânio Conceição [69]
1981 A Senhorita de Tacna Belisa [70]
1985 Um Bonde Chamado Desejo Blanche DuBois também como produtora [71]
1996 Encontro no Supermercado, a Última Sedução Viúva [72]

Filmografia

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Televisão

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Ano Título Personagem Notas
1956–58O Jovem Dr. RicardoEnfermeira Patrícia
1957Grande Teatro TupiSenhorita JúliaEpisódio: "Senhorita Júlia"
1959Episódio: "A Descoberta de Um Novo Mundo"
1966A Pequena KarenFrancis
1970A Mansão dos Vampiros
1972Jerônimo, o Herói do SertãoMaria Homem
1974O RebuLupe Garcez
1975O GritoDébora Saldanha Mendonça
1977O AstroClotilde Vasconcelos Hayala (Clô)
Caso EspecialGrande AtrizEpisódio: "Marcha Fúnebre"[73]
1979 Aplauso Berenice Episódio: "Berenice (ou no vértice de uma paixão)"
Marron GlacêLola (Dolores)
1981Baila ComigoMarta Tereza Frey Gama
1982ParaísoAuroraEpisódio: "2 de dezembro"
Sítio do Picapau AmareloBruxa da Branca de NeveEpisódio: "A Sobrinha da Cuca"
1983Louco AmorRenata Dumont / Agetilde Rocha
1988AboliçãoPrincesa Isabel
Bebê a BordoEva MendonçaEpisódio: "13 de junho"
1989Que Rei Sou Eu?Rainha Valentine de Avillan
RepúblicaPrincesa Isabel
1995A Próxima VítimaFrancesca Ferreto de Angelis Rossi
1998Era uma Vez...Berta Episódios: "1–4 de abril"
Você DecideEpisódio: "Síndrome"
1999Madame Adelaide[31]Episódio: "Madame Sussu"
2008AliceElvira CiprianiEpisódio: "O Retorno de Elvira Cipriani"
2009Caras & BocasRebeca BraumEpisódios: "11–25 de maio"
2010A Vida AlheiaIsa MüllerEpisódio: "Manchas do Passado"
Ano Título Personagem Nota(s)
1956Genival É de MorteMocinha[74]
1963Ganga ZumbaClotilde, Senhora do Pieró[75]
Sol sobre a Lama
Manaus, Glória de uma ÉpocaDonna Cecília
1964Procura-se uma RosaEsposa
1965Canalha em Crise
1973Amante Muito LoucaBrigite
1976Feminino Plural
1977Revólver de BrinquedoCatarina
1980A Volta do Filho PródigoCléo [76]
1984Águia na CabeçaDona Branca[77]
1985Pedro MicoAparecida[78] também como produtora

Prêmios e indicações

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Associações AnoCategoriaNomeaçõesResultado Ref.
Associação Brasileira de Críticos Teatrais 1956 Melhor Revelação Feminina
Prima Donna
Venceu [79]
Prêmio Saci 1960 Melhor Atriz de Teatro
Quando se Morre de Amor
Venceu [79]
Prêmio Molière 1971 Melhor Atriz
A Mãe
Venceu [80]
Prêmio Coruja de Ouro 1974 Melhor Atriz
Amante Muito Louca
Venceu [81]
Festival de Cinema de Gramado Melhor Atriz Venceu [82]
Prêmio APCA 1981 Melhor Atriz Coadjuvante em Cinema
A Volta do Filho Pródigo
Venceu [83]
Troféu Imprensa 1990 Melhor Atriz
Que Rei Sou Eu?
Venceu [84]

Referências

  1. Vidigal, Raphael (5 de abril de 2016). «Análise: Tereza Rachel foi uma autêntica atriz de vanguarda». Esquina Musical. Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 13 de agosto de 2025
  2. Humberto, Cláudio (27 de outubro de 2020). «Tereza Rachel: livro, arte e política - Diário do Poder». diariodopoder.com.br. Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 27 de dezembro de 2021
  3. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 Cultural, Instituto Itaú. «Tereza Rachel». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 30 de junho de 2026
  4. «Obras de Tereza Rachel». Enciclopédia Itaú Cultural. Consultado em 30 de junho de 2026. Cópia arquivada em 6 de junho de 2026
  5. 1 2 3 4 5 6 7 «Morre no Rio a atriz Tereza Rachel». Estadão. Consultado em 30 de junho de 2026. Cópia arquivada em 8 de janeiro de 2024
  6. «A inesquecível Tereza Rachel». Memórias Cinematográficas. Consultado em 30 de junho de 2026. Cópia arquivada em 13 de abril de 2026
  7. «FILMOGRAFIA - GENIVAL É DE MORTE». bases.cinemateca.org.br. Consultado em 30 de junho de 2026. Cópia arquivada em 24 de janeiro de 2026
  8. «FILMOGRAFIA - GANGA ZUMBA». bases.cinemateca.org.br. Consultado em 30 de junho de 2026. Cópia arquivada em 15 de junho de 2024
  9. AdoroCinema, Manaus: Glória de uma Época, consultado em 30 de junho de 2026
  10. AdoroCinema, Sol Sobre a Lama, consultado em 30 de junho de 2026
  11. Xavier, Nilson. «A Pequena Karen». Teledramaturgia. Consultado em 30 de junho de 2026. Cópia arquivada em 17 de outubro de 2025
  12. Xavier, Nilson. «Jerônimo, o Herói do Sertão (1972)». Teledramaturgia. Consultado em 30 de junho de 2026. Cópia arquivada em 13 de janeiro de 2025
  13. «AMANTE MUITO LOUCA». Cinemateca Brasileira. Consultado em 30 de junho de 2026
  14. Xavier, Nilson. «O Rebu (1974)». Teledramaturgia. Consultado em 30 de junho de 2026. Cópia arquivada em 28 de maio de 2025
  15. «O Grito». Teledramaturgia. Consultado em 30 de junho de 2026
  16. MICHALSKI, Yan. Uma gata chamada desejo. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 14 dez. 1976.
  17. PACHECO, Tânia. Os fogos de artifício e a festa do bicentenário. O Globo, Rio de Janeiro, 10 dez. 1976.
  18. «Há 40 anos, O Astro revelava "Quem matou Salomão Hayalla?"». observatoriodatv.com.br. 8 de julho de 2018. Consultado em 1 de julho de 2026
  19. Xavier, Nilson. «Marron Glacé». Teledramaturgia. Consultado em 1 de julho de 2026. Cópia arquivada em 9 de agosto de 2025
  20. Xavier, Nilson. «Baila Comigo». Teledramaturgia. Consultado em 2 de julho de 2026. Cópia arquivada em 21 de junho de 2025
  21. «Personagens». memoriaglobo. 29 de outubro de 2021. Consultado em 2 de julho de 2026. Cópia arquivada em 26 de março de 2024
  22. Xavier, Nilson. «Louco Amor». Teledramaturgia. Consultado em 2 de julho de 2026. Cópia arquivada em 18 de novembro de 2025
  23. https://www.canalcurta.tv.br, Canal Curta-, Águia na Cabeça, consultado em 3 de julho de 2026
  24. «Documentário inédito mostra cena de sexo de Pelé no cinema; veja o trecho - 29/04/2011 - UOL Esporte - Futebol». www.uol.com.br. Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 29 de dezembro de 2022
  25. Xavier, Nilson. «Abolição». Teledramaturgia. Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 5 de outubro de 2025
  26. Xavier, Nilson. «Bebê a Bordo». Teledramaturgia. Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 4 de dezembro de 2025
  27. Xavier, Nilson. «República». Teledramaturgia. Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 4 de outubro de 2025
  28. Xavier, Nilson. «Que Rei Sou Eu?». Teledramaturgia. Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 22 de fevereiro de 2025
  29. Xavier, Nilson. «A Próxima Vítima». Teledramaturgia. Consultado em 3 de julho de 2026. Cópia arquivada em 8 de outubro de 2025
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Ligações externas

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