Tarcisio Bertone
Tarcisio Pietro Evasio Bertone | |
|---|---|
| Cardeal da Santa Igreja Romana | |
| Secretário Emérito de Estado Camerlengo Emérito | |
Título |
Cardeal-bispo de Frascati |
| Hierarquia | |
| Papa | Leão XIV |
| Reitor-Mor | Fabio Attard, S.D.B. |
| Atividade eclesiástica | |
| Congregação | Salesianos |
| Diocese | Diocese de Roma |
| Nomeação | 15 de setembro de 2006 |
| Predecessor | Angelo Cardeal Sodano |
| Sucessor | Pietro Cardeal Parolin |
| Mandato | 2006 - 2013 |
| Ordenação e nomeação | |
| Profissão Solene | 15 de agosto de 1956 |
| Ordenação presbiteral | 1 de julho de 1960 Ivrea por Albino Mensa |
| Nomeação episcopal | 4 de junho de 1991 |
| Ordenação episcopal | 1 de agosto de 1991 Vercelli por Albino Mensa |
| Nomeado arcebispo | 4 de junho de 1991 |
| Cardinalato | |
| Criação | 21 de outubro de 2003 por Papa João Paulo II |
| Ordem | Cardeal-presbítero (2003-2008) Cardeal-bispo (2008-) |
| Título | Santa Maria Ausiliatrice in via Tuscolana (2003-2008) Frascati (2008-) |
| Brasão | |
| Lema | FIDEM CUSTODIRE, CONCORDIAM SERVARE Guardar a Fé, manter a concórdia |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | Romano Canavese 2 de dezembro de 1934 (91 anos) |
| Nacionalidade | italiano |
| Funções exercidas | -Arcebispo de Vercelli (1991-1995) -Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé (1995-2002) -Arcebispo de Gênova (2002-2006) |
| dados em catholic-hierarchy.org Cardeais Categoria:Hierarquia católica Projeto Catolicismo | |
Tarcisio Pietro Evasio Bertone, S.D.B. (Romano Canavese, 2 de dezembro de 1934) é um cardeal italiano e foi camerlengo da Igreja Católica até o dia 20 de dezembro de 2014. Foi secretário de Estado do Vaticano, entre 15 de setembro de 2006 e 15 de outubro de 2013.[1]
O cardeal está envolvido em vários escândalos e polêmicas, incluindo o seu luxuoso estilo de vida e declarações públicas.[2][3]
Vida
[editar | editar código]Quinto de oito filhos, Tarcisio ingressou na Sociedade de São Francisco de Sales de São João Bosco, os Salesianos. Seus estudos médios foram realizados no Oratório de Valdocco, Turim. Continuou no noviciado salesiano de Monte Oliveto, em Pinerolo. Sua profissão religiosa ocorreu aos 3 de dezembro de 1950. Mais tarde, obtém sua licenciatura em teologia (com uma dissertação sobre tolerância e liberdade religiosa) na Faculdade Salesiana de Teologia em Turim. Logo consegue sua licenciatura em teologia e um doutorado em direito canônico no Pontifício Ateneu Salesiano após sua dissertação intitulada "O Governo da Igreja no pensamento de Bento XIV – Papa Lambertini (1740 – 1758)".[4]
Além da sua língua nativa, o italiano, Bertone fala fluentemente francês, espanhol, alemão e português. Tem ainda um conhecimento bom de inglês e conhecimento regular de polaco, latim, grego e hebraico.[5]
Sacerdócio
[editar | editar código]Foi ordenado sacerdote em Ivrea, em 1 de julho de 1960, por Albino Mensa, Bispo de Ivrea. A partir de 1967, foi professor de Teologia Moral Especial no Pontifício Ateneu Salesiano de Roma, que em 1973 se converteu na Pontifícia Universidade Salesiana. Em 1976, tornou-se diretor da Faculdade de Direito Canônico da Salesiana e professor de "Direito Eclesiástico Público" até 1991, entre outras disciplinas. Sustentou o cargo de diretor de Teologia da Pontifícia Universidade Salesiana de Roma, de 1974 a 1976, de decano da Faculdade de Direito Canônico entre 1979 e 1985, e vice-reitor da mesma instituição entre 1987 e 1989. Foi também professor convidado de Lei Eclesiástica Publica no Institute Utriusque Iuris da Pontifícia Universidade Lateranense em 1978.[4]
Realizou atividades jornalísticas, trabalho pastoral em diversas paróquias de Roma e trabalhou na promoção do laicado nos Centros de Formação Teológica e Apostólica, especialmente com suas intervenções sobre moral social e a relação entre fé e política. Colaborou na fase final da revisão do Código de Direito Canônico e impulsionou sua recepção nas Igrejas locais. Adicionalmente, dirigiu grupos de trabalho que traduziram o Código ao italiano para a Conferência Episcopal Italiana e visitou centenas de dioceses italianas e estrangeiras para apresentar a “grande disciplina da Igreja”. Desde a década de 1980, era consultor para diversos dicastérios da Cúria Romana, em especial para a Congregação para a Doutrina da Fé em temas teológico-jurídicos.[4]
Foi reitor da Pontifícia Universidade Salesiana, eleito em 1 de junho de 1989.[4]
Episcopado
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Foi eleito arcebispo de Vercelli em 4 de junho de 1991. Foi sagrado bispo em 1 de agosto de 1991, na Catedral de Vercelli, por Albino Mensa, arcebispo emérito de Vercelli, acompanhado de Luigi Bettazzi, bispo de Ivrea, e Carlo Cavalla, bispo de Casale Monferrato.[1]
Desenvolveu a comunhão com os sacerdotes do presbitério diocesano, se dedicou às áreas de fé e cultura (relação entre a Igreja e a Universidade do Piemonte Oriental); educação (paternidade juvenil e catequese em escolas de todos os níveis); e pastoral vocacional. Em 28 de janeiro de 1993, foi nomeado pela Conferência Episcopal Italiana como Presidente da Comissão Eclesial para a Justiça e a Paz.[4]
Renunciou ao governo pastoral da arquidiocese em 13 de junho de 1995, quando foi nomeado secretário da Congregação para a Doutrina da Fé.[1] Encarregado pelo Cardeal Ratzinger, chefe da Congregação, Monsenhor Bertone realizou viagens e tarefas difíceis, como no caso do arcebispo afastado Emmanuel Milingo, as ordenações clandestinas de homens casados que ocorreram durante o período da perseguição comunista na República Tcheca, e esteve ao lado do cardeal na divulgação da terceira parte do “segredo” de Fátima em 2000.[6][7]
Em 10 de dezembro de 2002, foi nomeado arcebispo metropolitano de Génova.[4]
Cardinalato
[editar | editar código]Bertone foi anunciado como cardeal por João Paulo II no Angelus de 28 de setembro de 2003.[8] Recebeu o barrete cardinalício, com o título da Igreja de Santa Maria Ausiliatrice in via Tuscolana e seu diaconato foi elevado a pro hac vice ao título cardinalício, no consistório de 21 de outubro de 2003.[9]
Em 15 de setembro de 2006, o Papa Bento XVI o nomeou Secretário de Estado do Vaticano. As queixas sobre o desempenho de Bertone como secretário de Estado começaram no início do seu mandato. Ele não tinha experiência prévia no corpo diplomático do Vaticano.[10]
No dia 4 de abril de 2007, foi nomeado Camerlengo.[11] O mesmo Papa nomeou-o Cardeal-bispo de Frascati em 10 de maio de 2008.[12]
Bento XVI não aceitou a renúncia canônica exigida do Cardeal Bertone em seu 75º aniversário e o confirmou em seus cargos em 15 de janeiro de 2010. Nesse contexto, o Papa demonstrou apoio ao seu confidente em uma carta aberta transmitida pela Rádio Vaticano e agradeceu-lhe por décadas de valiosa colaboração.[13]

Quando o Papa Bento XVI renunciou em 28 de fevereiro de 2013, Bertone, como camerlengo, atuou como soberano interino do Estado da Cidade do Vaticano e administrador da Santa Sé até a eleição de um novo papa.[14] Em 13 de fevereiro de 2013, na última missa pública do Papa Bento XVI antes de sua renúncia entrar em vigor, Bertone elogiou o Papa Bento.[15]
Bertone era o segundo cardeal-eleitor mais antigo em ordem de precedência entre os cardeais-eleitores que participaram do conclave de 2013, depois de Giovanni Battista Re.[16] O próprio Bertone era visto como um possível sucessor ao papado,[17][18] embora suas chances como papável fossem consideradas diminuídas pela percepção de que ele era um "escândalo em potencial".[18] Na posse do Papa Francisco, Bertone foi um dos seis cardeais que fizeram o ato público de obediência em nome do Colégio Cardinalício.[19] Em seguida, o novo papa confirmou-o provisoriamente nesta mesma função, bem como todos os funcionários da Cúria Romana.[20]
A aposentadoria de Bertone como Secretário de Estado foi anunciada em 31 de agosto de 2013 e entrou em vigor em 15 de outubro.[10] O Papa Francisco designou Pietro Parolin como seu sucessor.[21] Algumas semanas depois de Bertone completar 80 anos, Francisco nomeou o Cardeal Jean-Louis Tauran para substituí-lo como Camerlengo da Santa Igreja Romana em 20 de dezembro de 2014.[22]
Opiniões e controvérsias
[editar | editar código]O Código Da Vinci
[editar | editar código]Em 15 de março de 2005, Bertone foi notícia por "quebrar o silêncio da Igreja" e criticar o romance de Dan Brown de 2003, O Código Da Vinci, dizendo que o livro era "vergonhoso e cheio de mentiras infundadas" e que os fiéis deveriam boicotá-lo.[23] O livro seria um "castelo de mentiras": "Não se pode escrever um romance que deforma os fatos históricos, maldizendo ou difamando personagens que devem seu prestígio e sua fama justamente à história da igreja e da humanidade", disse Bertone.[24]
Tanto Bertone quanto porta-vozes oficiais do Vaticano insistiram que ele não estava falando como representante oficial da Igreja Católica, mas também foi observado que a alta posição de Bertone na hierarquia da Igreja e o fato de ele ser frequentemente citado como um potencial candidato ao papado conferiam considerável peso às suas palavras, de modo que seus comentários eram frequentemente noticiados por vários meios de comunicação como uma declaração oficial do Vaticano.[23][24][25]
O cardeal realizou um seminário chamado Storia Senza Storia (História Sem História) para enfrentar as alegações de Brown. Ele disse que queria "desmascarar as mentiras" para que os leitores pudessem ver o quão "vergonhoso e infundado" era o livro.[23]
A controvérsia em torno da ficção do Papa Luciani
[editar | editar código]Em uma entrevista publicada no jornal diário Avvenire, em 26 de outubro de 2006, Bertone expressou sua decepção com a ficção da Rai 1, Papa Luciani - Il sorriso di Dio, acusando-a de parcialidade na forma como a Cúria Romana e as hipóteses sobre a morte do Papa João Paulo I foram apresentadas, com estas declarações: "Entendo que em todo bom filme a figura do bem deve sempre ser contrastada com a do vilão e dos vilões, [...] e infelizmente esta lei não escrita também não escapou a esta ficção. E assim, entre os vilões, encontramos o inevitável Arcebispo Paulo Marcinkus , vários cardeais e um pouco de toda a Cúria".[26]
Igreja e esportes
[editar | editar código]Bertone sugeriu em dezembro de 2006 que a Santa Sé "poderia, no futuro, formar uma equipe que jogasse no mais alto nível, com Roma, Internazionale, Genoa e Sampdoria". Ele continuou: "Se recrutássemos apenas os estudantes brasileiros de nossas universidades pontifícias, poderíamos ter um elenco magnífico".[27] Horas depois, ele disse: "Tenho muito mais o que fazer do que formar um time de futebol para o Vaticano" e explicou que sua observação anterior não deveria ser levada a sério.[28]
Defesa de Pio XII
[editar | editar código]Em 5 de junho de 2007, numa conferência que anunciava o lançamento de uma nova biografia do Papa Pio XII, Bertone defendeu Pio contra as acusações de indiferença para com os judeus durante o Holocausto. Bertone condenou esta acusação como uma "lenda negra" e "um ataque ao bom senso e à racionalidade", que "se tornou tão firmemente estabelecida que mesmo arranhá-la é uma tarefa árdua". Embora tenha admitido que Pio XII tinha sido "cauteloso" na condenação da Alemanha Nazi, Bertone afirmou que as forças nazis teriam intensificado o seu programa de genocídio se o Papa tivesse sido mais franco.[29]
Controvérsia islâmica entre o Papa Bento XVI
[editar | editar código]Em 16 de setembro de 2006, Bertone, após um dia como Cardeal Secretário de Estado, divulgou uma declaração explicando que a "posição do Papa em relação ao Islã é inequivocamente aquela expressa no documento conciliar Nostra aetate" e que "a opção do Papa em favor do diálogo inter-religioso e intercultural é igualmente inequívoca".[30] Ele disse:[31][32]
Quanto à opinião do imperador bizantino Manuel II Paleólogo, que ele citou durante seu discurso em Regensburg, o Santo Padre não quis, nem quer, fazer dessa opinião sua de forma alguma. Ele simplesmente a utilizou como um meio para empreender — em um contexto acadêmico, e como se evidencia numa leitura completa e atenta do texto — certas reflexões sobre o tema da relação entre religião e violência em geral, e para concluir com uma rejeição clara e radical da motivação religiosa para a violência, seja qual for sua origem. [O Papa] lamenta sinceramente que certas passagens de seu discurso possam ter soado ofensivas à sensibilidade dos fiéis muçulmanos e tenham sido interpretadas de uma maneira que em nada corresponde às suas intenções.
Comentários do Patriarca Aleixo II
[editar | editar código]Em 5 de dezembro de 2006, o Patriarca Aleixo II da Igreja Ortodoxa Russa acusou a Santa Sé de uma "política extremamente hostil" quando disse que a Igreja Católica estava aliciando convertidos em terras ortodoxas na Rússia e em outras ex-repúblicas soviéticas.[33] Bertone respondeu: "Não queremos fazer proselitismo na Rússia".[34][35]
Mídia
[editar | editar código]Em 2007, Bertone “criticou duramente a mídia por destacar as visões do Vaticano sobre sexo, enquanto mantinha um ‘silêncio ensurdecedor’ sobre o trabalho de caridade realizado por milhares de organizações católicas em todo o mundo”. Ele continuou: “Vejo uma fixação por parte de alguns jornalistas em temas morais, como aborto e uniões homossexuais, que são certamente questões importantes, mas que absolutamente não constituem o pensamento e o trabalho da Igreja”.[36]
Proposta de excomunhão de traficantes de drogas
[editar | editar código]Em 14 de janeiro de 2009, Bertone sugeriu que a igreja ia considerar tomar medidas muito mais duras contra os traficantes de drogas. Esta ação poderia possivelmente incluir a excomunhão. Ele fez uma declaração sobre o alarme da igreja com o "desastre" da violência alimentada pelas drogas na véspera de uma viagem ao México.[37]
Apoio ao acesso universal e gratuito a medicamentos antirretrovirais
[editar | editar código]Em 22 de junho de 2012, em um artigo do Catholic News Service, foi relatado que, em uma conferência em Roma sobre a prevenção da transmissão do vírus HIV de mães para filhos, patrocinada pela Comunidade de Santo Egídio (que administra um programa gratuito de prevenção/tratamento do HIV em 10 países africanos), o Cardeal Secretário de Estado insistiu que o acesso pleno e facilitado a medicamentos antirretrovirais fosse disponibilizado gratuitamente em todo o mundo. Bertone reconheceu que a única maneira de isso ser minimamente viável, especialmente na África, seria por meio de um esforço colaborativo envolvendo grupos de ajuda humanitária, governos, doadores, grupos médicos, empresas farmacêuticas e igrejas.[38]
Nossa Senhora de Fátima
[editar | editar código]Bertone foi alvo de críticas por supostamente manipular o “terceiro segredo” de Nossa Senhora de Fátima.[39][40] Em um discurso de 2007, por ocasião do lançamento de seu livro (O Último Segredo de Fátima), ele enfatizou a natureza mais privada das aparições, pediu cautela ao aceitá-las e disse que “a plenitude da mensagem [de Fátima]... toca os corações dos seres humanos, convidando-os à conversão e à corresponsabilidade pela salvação do mundo”.[41]
A homossexualidade é apontada como causa de abuso infantil por padres.
[editar | editar código]Em visita ao Chile em abril de 2010, Bertone comentou sobre a psicologia dos abusadores de crianças, sugerindo uma predisposição entre os homossexuais para se envolverem em abuso infantil:[42]
Muitos psicólogos e psiquiatras demonstraram que não há relação entre celibato e pedofilia, mas muitos outros demonstraram, como me disseram recentemente, que existe uma relação entre homossexualidade e pedofilia.
Após a condenação das suas palavras pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros francês,[43] a Sala de Imprensa da Santa Sé interveio, especificando que a intervenção do cardeal se referia ao "problema do abuso por padres e não na população em geral" e que as estatísticas relativas aos crimes de pedofilia indicavam que 60% dos casos encontrados estavam "relacionados com indivíduos do mesmo sexo".[44][45]
Grupos de defesa dos direitos dos homossexuais em vários países condenaram as suas declarações.[46][47] O chefe de uma organização de defesa dos direitos dos homossexuais afirmou que, para alguém da estatura de Bertone, "atribuir a culpa aos homossexuais... diz muito sobre o atual estado de desespero no Vaticano".[48]
Bispo negacionista do Holocausto
[editar | editar código]Em 1988, Bertone foi nomeado para um grupo de especialistas que auxiliou Joseph Ratzinger nas negociações com o arcebispo excomungado Marcel Lefebvre. Em 2009, o Papa Bento XVI revogou a excomunhão imposta a quatro bispos por Lefebvre, num gesto de reconciliação.[49] Logo depois, uma televisão sueca transmitiu uma entrevista, na qual um dos bispos, Richard Williamson, defendeu ideias negacionistas do Holocausto.[50] A subsequente indignação da mídia questionou por que o Papa acolheria um negacionista do Holocausto que havia sido previamente acusado de antissemitismo.[51][52]
Tanto o Cardeal Giovanni Battista Re, prefeito da Congregação para os Bispos, que assinou o decreto, quanto o Cardeal Darío Castrillón Hoyos, presidente da Comissão Pontifícia "Ecclesia Dei", que lidava com os seguidores de Lefebvre, afirmaram ter sido pegos de surpresa e que desconheciam que Williamson fosse um negacionista do Holocausto. Como o Secretário de Estado tem acesso direto ao papa e supervisiona a implementação e a coordenação de suas decisões, muitos na mídia questionaram por que Bertone não garantiu que uma verificação de antecedentes adequada fosse realizada, especialmente porque isso teria exigido apenas uma pesquisa na internet. Isso deu a impressão de uma cúria desorganizada.[51]
Vatileaks
[editar | editar código]Bertone teve um papel de destaque em documentos vazados para a mídia, nos quais Bertone parece ter repreendido o secretário-geral do governo do Vaticano, o arcebispo Carlo Maria Viganò, por relatar evidências detalhadas de nepotismo, favoritismo e má gestão geral. Viganò foi posteriormente transferido do Vaticano para Washington, D.C. como núncio apostólico.[10]
Bertone atribuiu o escândalo dos documentos vazados do Vaticano a jornalistas antiéticos e a um espírito de hostilidade contra a Igreja Católica. "Muitos jornalistas brincam de imitar Dan Brown", disse Bertone, em entrevista à revista italiana Famiglia Cristiana. "Eles continuam a inventar fábulas ou a repetir lendas." Bertone fez essas declarações enquanto juízes do Vaticano investigavam vazamentos para jornalistas italianos de dezenas de documentos, incluindo cartas ao papa e telegramas criptografados de embaixadas do Vaticano ao redor do mundo, vários dos quais insinuavam lutas de poder entre funcionários da Santa Sé. "A verdade é que existe uma vontade maliciosa de produzir divisão" entre os colaboradores do Papa Bento XVI, disse ele.[53][54]
Durante e após o escândalo Vatileaks, Bertone foi amplamente culpado de nepotismo, de não combater a corrupção e de não prevenir muitos escândalos financeiros e éticos sob Bento XVI.[55][56]
Irregularidades financeiras
[editar | editar código]Durante uma conferência de imprensa a bordo do avião, no seu regresso a Roma da Terra Santa, em maio de 2014, o Papa Francisco confirmou as notícias de que o Vaticano estava a investigar acusações contra o seu antigo secretário de Estado, que teria desviado 20 milhões de dólares do banco do Vaticano. O Papa também foi questionado sobre as notícias de que Bertone teria desviado 15 milhões de euros em fundos detidos pelo Instituto para as Obras de Religião, conhecido como Banco do Vaticano. "É algo que está a ser estudado, não está claro", disse o Papa. "Talvez seja verdade, mas neste momento não é definitivo."[57] Este dinheiro foi transferido para uma empresa privada, a Lux Vide, quando Bertone estava no comando durante o governo de Bento XVI.[58]
Reforma de apartamento
[editar | editar código]Entre novembro de 2013 e maio de 2014, Bertone uniu e renovou dois apartamentos no Palazzo San Carlo, na Cidade do Vaticano, para criar uma única residência para si, uma secretária e três freiras, com um total de 604 metros quadrados e um terraço na cobertura. Bertone afirmou que estava a renovar o apartamento às suas próprias custas, que este tinha metade do tamanho divulgado e que o Papa Francisco telefonou-lhe para expressar apoio quando foi criticado na imprensa pelas despesas.[59][60] Bertone respondeu às notícias de que verbas pertencentes ao Hospital Bambino Gesù tinham sido utilizadas na obra, doando 150.000 euros ao hospital.[61]
Em 13 de julho de 2017, o Tribunal do Estado da Cidade do Vaticano acusou Giuseppe Profiti, ex-presidente do hospital, e Massimo Spina, seu ex-tesoureiro, de usar ilicitamente 422.000 euros pertencentes à fundação do hospital para reformar o apartamento.[62] Profiti disse que o dinheiro era um investimento que permitiria à fundação realizar eventos de arrecadação de fundos na propriedade.[63] Nenhuma acusação foi formalizada contra Bertone, a construtora Castelli Re ou seu proprietário, Gianantonio Bandera, um antigo associado de Bertone que embolsou quase um quarto de milhão de euros por todo o projeto.[64] Após a primeira audiência do julgamento, em 18 de julho, foi anunciado que o julgamento seria adiado para 7 de setembro e que as autoridades judiciais estavam abertas à possibilidade de Bertone ser convocada como testemunha quando o julgamento fosse retomado.[65]
Em 7 de setembro, o julgamento começou e foi interrompido após um dia, quando foi anunciado o surgimento de novas provas e a defesa e a acusação solicitaram mais tempo para estudar um memorando do atual diretor do Hospital Bambino Gesu, entregue ao tribunal um dia antes. Foram marcadas novas sessões para os dias 19, 20, 21 e 22 de setembro, primeiro para ouvir os próprios réus e, em seguida, cerca de sete testemunhas previstas, quatro convocadas pela acusação e três pelas duas equipes de defesa entre os dias 21 e 22 de setembro.[66][67]
Em 19 de setembro, Profiti testemunhou que fundos do hospital foram usados para a reforma com a ideia de que o Cardeal Bertone pudesse oferecer jantares íntimos para oito a dez potenciais doadores ricos por vez, pelo menos seis vezes por ano,[68][69] embora nunca tenha havido relatos de reuniões realizadas no apartamento de Bertone.[69] Em 22 de setembro, um funcionário do Governo do Estado da Cidade do Vaticano testemunhou que o projeto de remodelação do apartamento de Bertone ignorou o processo normal de licitação competitiva e foi "singular" e "anômalo".[70] No mesmo dia, Spina testemunhou que seu superior imediato "me disse que não havia problemas porque o Cardeal Bertone havia esclarecido a situação pessoalmente com o Santo Padre".[71]
Em 3 de outubro de 2017, Gianantonio Bandera, um empresário italiano cuja empresa de construção, agora falida, renovou o apartamento, disse que Bertone supervisionou pessoalmente a renovação e o contatou diretamente sem solicitar orçamentos, como seria normalmente exigido.[72]
O tribunal de três juízes que supervisionou o julgamento absolveu Spina e condenou Profiti por um crime menor de abuso de poder, depois que a defesa argumentou que o dinheiro se destinava a ser um investimento para beneficiar o hospital, e não o apartamento de Bertone.[73]
Resposta do Vaticano ao estilo de vida luxuoso
[editar | editar código]Em 15 de fevereiro de 2018, o Papa Francisco ordenou aos funcionários do Vaticano e aos bispos que levassem vidas simples e renunciassem a qualquer desejo de poder após se aposentarem de cargos de alto escalão. Vários funcionários do Vaticano e bispos, incluindo Bertone, foram criticados nos últimos anos por manterem luxos, como apartamentos grandes e, em alguns casos, até mesmo escoltas policiais, após deixarem seus cargos. Além da controvérsia em torno de seu apartamento, Bertone também foi visto usando escoltas da polícia do Vaticano e da polícia italiana para se locomover por Roma, mesmo depois de se aposentar.[74]
Abuso sexual de McCarrick
[editar | editar código]As restrições que Bertone e outros funcionários do Vaticano impuseram ao ex-cardeal Theodore Edgar McCarrick após as alegações de abuso sexual também não foram aplicadas.[75] Em 28 de maio de 2019, foi publicada uma carta de setembro de 2008, que revelou que McCarrick disse a Bertone que havia dormido com seminaristas adultos, embora negasse ter tido relações sexuais.[76]
Autobiografia
[editar | editar código]Em março de 2018, a tão aguardada autobiografia de Tarcisio Bertone, I miei papi ("Meus Papas"), foi publicada na Itália.[77] O Cardeal Gianfranco Ravasi escreveu o prefácio. Nele, Bertone descreve suas memórias dos papas de sua vida, de Pio XII ao Papa Francisco.[78] O livro contém, entre outras coisas, declarações historicamente significativas sobre o momento em que o Papa Bento XVI começou a considerar sua renúncia.[79] Em relação ao escândalo midiático envolvendo sua residência de aposentadoria, Bertone afirma no livro que a reforma foi coordenada com o Papa Francisco, de quem recebeu "não apenas total concordância, mas também alguns bons conselhos".[77][80]
Honras
[editar | editar código]- 2005 - Doutorado honorário da Universidade Católica de Salta, Argentina[81]
- 2006 - Cavaleiro da Grã-Cruz da Ordem do Mérito da República Italiana[82]
- 2007 - Medalha de Ouro de San Turibio de Mogrovejo, Peru[83]
- 2007 - Medalha da cidade de Chimbote, Peru[84]
- 2007 - Prêmio Gaudium et Spes na Convenção Suprema dos Cavaleiros de Colombo[85]
- 2008 - Ordem do Príncipe Yaroslav, o Sábio, Ucrânia[86]
- 2008 - Cidadania honorária da cidade de Agrigento[87]
- 2008 - Colar da Ordem da Estrela da Romênia[88]
- 2009 - Cavaleiro da Ordem Equestre do Santo Sepulcro[89]
- 2009 - Doutorado honorário em Direito pela Universidade Católica de Lublin[90]
- 2010 - Cidadania honorária da cidade de Vilminore di Scalve[91]
- 2010 - Grã-Cruz da Ordem do Mérito da República da Polônia[92]
- 2010 - Cavaleiro de 1ª Classe da Ordem de Santa Ana (Casa Romanov)[93]
- 2012 - 4º Prêmio Internacional Conde de Barcelona[94]
- 2013 - Cidadão honorário do município de Introd (Vale de Aosta)[95]
Ordenações
[editar | editar código]Sacerdote Ordenado:
[editar | editar código]- Cristiano Bodo (1993)
- Mauro Mantovani, S.D.B. (1994)
Consagrador Principal de:
[editar | editar código]- Mauro Cardeal Piacenza (2003)
- Luigi Ernesto Palletti (2005)
- Gianfranco Girotti, O.F.M.Conv. (2006)
- Antoni Stankiewicz † (2006)
- Raffaele Cardeal Farina, S.D.B. (2006)
- Carlo Chenis, S.D.B. † (2007)
- Leo Boccardi (2007)
- Vincenzo Bertolone, S.d.P. (2007)
- Michele Di Ruberto (2007)
- Gaetano Galbusera Fumagalli, S.D.B. (2007)
- Vito Rallo (2007)
- Gianni Ambrosio (2008)
- Luciano Suriani (2008)
- Léon Kalenga Badikebele † (2008)
- Frans Daneels, O. Præm (2008)
- Juan Ignacio Arrieta Ochoa de Chinchetru (2008)
- Miguel Maury Buendía (2008)
- Paolo De Nicolò (2008)
- Bernardito Cleopas Auza (2008)
- Piergiuseppe Vacchelli (2008)
- Luis Francisco Cardeal Ladaria Ferrer, S.J. (2008)
- Ambrogio Spreafico (2008)
- Martin Krebs (2008)
- Luigi Bianco (2009)
- Jan Romeo Pawłowski (2009)
- Joseph Spiteri (2009)
- Mário Toso, S.D.B. (2009)
- Jean Clément Laffitte , Comm. eu'Emm. (2009)
- Giovanni D’Ercole, F.D.P. (2009)
- Petar Antun Rajič (2010)
- Piero Pioppo (2010)
- Novatus Rugambwa (2010)
- Eugene Martin Nugent (2010)
- Valentino Di Cerbo (2010)
- Joseph William Cardeal Tobin, C.Ss.R. (2010)
- Giorgio Lingua (2010)
- Ignácio Carrasco de Paula (2010)
- Enrico dal Covolo, S.D.B. (2010)
- Mauro Maria Morfino, S.D.B. (2011)
- Jan Vokál (2011)
- Giuseppe Sciacca (2011)
- Barthélemy Adoukonou (2011)
- Francesco Cavina (2012)
- Julio Murat (2012)
- Luciano Russo (2012)
- Edoardo Aldo Cerrato, C.O. (2012)
- Guido Pozzo (2012)
- Ettore Balestrero (2013)
- Michael Wallace Banach (2013)
- Brian Udaigwe (2013)
- José Rodríguez Carballo, O.F.M. (2013)
Co-Consagrador Principal de:
[editar | editar código]- Vincenzo Savio, S.D.B. † (1993)
- Adrianus Herman van Luyn, S.D.B. (1994)
- Luigi Locati † (1996)
- Fernando Sabogal Viana † (1996)
- José Octavio Ruiz Arenas (1996)
- Oscar Urbina Ortega (1996)
- Jozef Zlatňanský † (1997)
- Mieczysław Mokrzycki (2007)
- Francesco Giovanni Brugnaro (2007)
- Gianfranco Cardeal Ravasi (2007)
- Tommaso Caputo (2007)
- Sergio Pagano, B. (2007)
- Vincenzo Di Mauro (2007)
- Gabriele Giordano Caccia (2009)
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Ligações externas
[editar | editar código]- Interventi del Segretario di Stato di Sua Santità, Card. Tarcisio Bertone, S.D.B. (Página da Santa Sé)
- Informazioni biografiche su Tarcisio Bertone (Página da Santa Sé)
| Precedido por Albino Mensa |
Arcebispo de Vercelli 1991 — 1995 |
Sucedido por Enrico Masseroni |
| Precedido por Alberto Bovone |
Secretário da Congregação para a Doutrina da Fé 1995 - 2002 |
Sucedido por Angelo Amato, S.D.B. |
| Precedido por Dionigi Cardeal Tettamanzi |
Arcebispo de Gênova 2002 — 2006 |
Sucedido por Angelo Cardeal Bagnasco |
| Precedido por Pio Cardeal Laghi |
Cardeal-presbítero de Santa Maria Auxiliadora na Via Tuscolana 2003 — 2008 |
Sucedido por Paolo Cardeal Sardi |
| Precedido por Angelo Cardeal Sodano |
Secretário de Estado 2006 — 2013 |
Sucedido por Pietro Cardeal Parolin |
| Precedido por Eduardo Cardeal Martínez Somalo |
Camerlengo 2007 — 2014 |
Sucedido por Jean-Louis Pierre Cardeal Tauran |
| Precedido por Alfonso Cardeal López Trujillo |
Cardeal-bispo de Frascati 2008 — atualidade |
Sucedido por — |
- Nascidos em 1934
- Naturais de Turim (província)
- Alunos da Pontifícia Universidade Salesiana
- Professores da Pontifícia Universidade Salesiana
- Professores da Pontifícia Universidade Lateranense
- Arcebispos de Gênova
- Cardeais da Itália
- Cardeais nomeados pelo papa João Paulo II
- Cardeais secretários de Estado
- Camerlengos da Igreja Católica
- Cardeais-bispos de Frascati
- Cardeais salesianos
- Escritores da Itália
- Ordem do Mérito da República Italiana
- Cavaleiros da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém
- Grã-Cruzes da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada
- Bispos do século XX
- Bispos do século XXI
- Escritores católicos do século XX
- Escritores católicos do século XXI
- Italianos do século XX
- Italianos do século XXI

