Ir para o conteúdo

Tabons

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Lideranças tabom em Acra, Gana (2008).

Tabom ou, coletivamente, tabons são o grupo de brasileiros anteriormente escravizados que, após a Revolta dos Malês, ocorrida na noite de 24 para 25 de janeiro de 1835 na cidade de Salvador, capital da então província da Bahia, no Brasil, chegou a Acra, capital da atual República de Gana.[1][2]

Em visita oficial à República de Gana como Presidente do Brasil em 2005, Lula encontrou-se com a comunidade tabom em Acra.

Na ocasião, pessoas anteriormente escravizadas e de origem africana retornaram à costa da África Ocidental (na época Daomé) — não necessariamente aos locais de procedência de suas linhagens. Os que foram para o que hoje é Gana, em 1836, foram denominados "Tabom" porque, desconhecendo as línguas locais, respondiam apenas "tá bom" (corruptela de "está bom") a tudo que lhes era dito.[3] (Foram também designados como "retornados" pelas autoridades brasileiras.)[1]

Originalmente estabelecidos na região em torno ao porto de Acra, acabaram por conquistar o respeito da população por disseminar tecnologias ainda ali desconhecidas como, por exemplo, técnicas para a localização de água doce, o que em muito contribuiu para o desenvolvimento da cidade. Também eram bons alfaiates, detendo até hoje a liderança no setor de alfaiataria no país.

Fachada da principal casa da comunidade tabom, no bairro de Jamestown, em Acra (Gana).

Embora tenham perdido a capacidade de falar português, mantêm a referência de ser um grupo de brasileiros anteriormente escravizados, conservando algumas tradições ligadas à música e ao vestuário.

São conhecidos pelos locais pelos seus nomes portugueses porém, segundo a embaixadora brasileira no país, Irene Gala, sua história é pouco contada mesmo em Gana, a despeito da importância que tiveram para o desenvolvimento sobretudo da cidade de Acra, hoje a capital.

Mais para leste, nos atuais Benim, Togo e Nigéria, os afro-brasileiros retornados são chamados de Agudás ou Amarôs.[4]

Ver também

[editar | editar código]

Referências

  1. 1 2 «Os Retornados». Cartas d'África. Ministério das Relações Exteriores. Consultado em 4 de outubro de 2016. Arquivado do original em 4 de janeiro de 2011
  2. Schaumloeffel, Marco Aurelio (2016). TABOM - The Afro-Brazilian Community in Ghana. Bridgetown: Schaumloeffel Editor. ISBN 1-44046-065-5
  3. Schaumloeffel, Marco Aurelio (2016). TABOM - The Afro-Brazilian Community in Ghana. Bridgetown: Schaumloeffel Editor. ISBN 1-44046-065-5
  4. Schaumloeffel, Marco Aurelio (2016). TABOM - The Afro-Brazilian Community in Ghana. Bridgetown: Schaumloeffel Editor. ISBN 1-44046-065-5

Ligações externas

[editar | editar código]
Este artigo é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o. Editor: considere marcar com um esboço mais específico.