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Setor terciário

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(Redirecionado de Setor de serviços)
 Nota: Para o conjunto de entidades da sociedade civil, veja Terceiro setor.

O setor terciário, também chamado de setor de serviços, é o setor econômico formado pelas atividades voltadas principalmente à prestação de serviços, ao comércio e à intermediação entre produtores, consumidores, empresas e instituições. Na teoria dos três setores, distingue-se do setor primário, associado à extração e produção de matérias-primas, e do setor secundário, associado à transformação industrial de bens.[1]

O setor abrange atividades muito diversas, como comércio atacadista e varejista, transportes, armazenagem, alojamento, alimentação, comunicação, serviços financeiros, atividades imobiliárias, serviços profissionais, administração pública, educação, saúde, cultura, recreação e serviços pessoais.[2] Em contas nacionais, sua importância costuma ser medida por indicadores como participação no Produto Interno Bruto (PIB), participação no valor adicionado e proporção do emprego total.[3]

O setor terciário reúne atividades nas quais o produto principal não é, em regra, um bem material novo, mas a prestação de um serviço, a circulação de bens, a intermediação econômica ou o atendimento de necessidades de pessoas, empresas e governos. Isso inclui tanto serviços destinados ao consumidor final, como comércio varejista, restaurantes, transportes de passageiros, educação e saúde, quanto serviços destinados a empresas, como consultoria, publicidade, tecnologia da informação, logística, seguros e intermediação financeira.[1]

A distinção entre bens e serviços nem sempre é absoluta. Em algumas atividades, como alimentação fora do domicílio, manutenção, transporte e comércio, pode haver uso ou transformação de bens materiais, mas a atividade econômica é classificada como serviço porque o valor principal está na intermediação, no atendimento, na distribuição, no conhecimento aplicado ou na operação realizada.[3]

Nas contas nacionais, o valor adicionado de uma atividade corresponde ao valor gerado pela produção depois de descontado o consumo intermediário. Esse indicador permite comparar a contribuição de diferentes ramos econômicos, como agropecuária, indústria, construção, comércio e demais serviços, para a produção total da economia.[3]

Classificação

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As classificações estatísticas nacionais e internacionais agrupam as atividades de serviços de forma padronizada para permitir comparações econômicas, tributárias, administrativas e estatísticas. O Banco Mundial, ao medir o indicador "serviços, valor adicionado (% do PIB)", associa o setor de serviços às divisões 45 a 99 da International Standard Industrial Classification (ISIC Rev. 4), incluindo comércio, reparação de veículos, alojamento, alimentação, transporte, comunicação, intermediação financeira, atividades imobiliárias, administração pública, educação, saúde, serviços sociais e outras atividades de serviços.[1]

No Brasil, a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), mantida pela Comissão Nacional de Classificação (CONCLA) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organiza as atividades econômicas em seções, divisões, grupos, classes e subclasses. Entre as seções associadas ao comércio e aos serviços estão:[2]

  • comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas;
  • transporte, armazenagem e correio;
  • alojamento e alimentação;
  • informação e comunicação;
  • atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados;
  • atividades imobiliárias;
  • atividades profissionais, científicas e técnicas;
  • atividades administrativas e serviços complementares;
  • administração pública, defesa e seguridade social;
  • educação;
  • saúde humana e serviços sociais;
  • artes, cultura, esporte e recreação;
  • outras atividades de serviços;
  • serviços domésticos;
  • organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais.

A depender do sistema estatístico utilizado, algumas atividades podem ser agrupadas de modo distinto. Por isso, a comparação entre países ou entre séries históricas exige atenção à metodologia adotada, ao ano-base e à classificação de atividades utilizada.[1]

Desenvolvimento histórico

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Na teoria dos três setores, a estrutura econômica tende a mudar ao longo do desenvolvimento: economias menos industrializadas concentram maior parcela da produção e do emprego no setor primário; economias em processo de industrialização ampliam o peso do setor secundário; e economias mais urbanizadas e complexas tendem a apresentar maior participação dos serviços. Essa interpretação é usada para descrever processos de transformação estrutural, embora não explique sozinha todas as diferenças entre países, regiões e períodos históricos.[4]

O crescimento do setor terciário está relacionado a fatores como urbanização, aumento da renda, expansão do consumo, complexidade das cadeias produtivas, desenvolvimento do setor público, ampliação da educação e da saúde, avanço das tecnologias de informação e comunicação e crescimento de serviços especializados às empresas. Nas economias contemporâneas, os serviços também participam da produção industrial e agrícola, por meio de atividades como logística, financiamento, pesquisa, software, assistência técnica, publicidade e gestão.[4]

Alguns autores e classificações propõem subdivisões internas do setor de serviços, como serviços pessoais, serviços distributivos, serviços sociais e serviços produtivos. Também existem propostas de distinção entre setor terciário, setor quaternário e setor quinário, especialmente para atividades intensivas em informação, conhecimento, pesquisa, tecnologia, educação e gestão. Essas divisões, contudo, não substituem necessariamente a classificação estatística tradicional, que frequentemente continua tratando tais atividades como parte do setor de serviços.[1]

No Brasil

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No Brasil, o setor de serviços é um dos grandes agregados das contas nacionais, ao lado da agropecuária e da indústria. O IBGE utiliza esse agrupamento para divulgar a evolução do PIB e do valor adicionado por atividade econômica.[5]

Em 2025, segundo o IBGE, o PIB brasileiro cresceu 2,3% em relação a 2024. No mesmo período, os três grandes grupos de atividade econômica registraram crescimento: agropecuária, com alta de 11,7%; serviços, com alta de 1,8%; e indústria, com alta de 1,4%.[5] O instituto informou ainda que todas as atividades do setor de serviços cresceram no ano, com destaque para informação e comunicação, atividades financeiras, transporte, armazenagem e correio, outras atividades de serviços, atividades imobiliárias, comércio e administração, defesa, saúde e educação públicas e seguridade social.[5]

Além das contas nacionais, o IBGE acompanha segmentos específicos por meio de pesquisas como a Pesquisa Mensal de Serviços e outras estatísticas econômicas. Essas pesquisas permitem observar a evolução conjuntural de atividades como transporte, serviços profissionais, tecnologia da informação, serviços prestados às famílias e serviços administrativos.[6]

Importância econômica

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O setor terciário desempenha papel central nas economias contemporâneas por reunir atividades diretamente ligadas ao consumo, à circulação de mercadorias, ao funcionamento do Estado, à organização empresarial e à infraestrutura social. Serviços como educação, saúde, transporte, comunicação, administração pública, intermediação financeira e tecnologia da informação afetam tanto o bem-estar da população quanto a produtividade dos demais setores econômicos.[4]

Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os serviços respondem por mais de dois terços do PIB mundial, atraem parcela expressiva do investimento estrangeiro direto em economias avançadas, empregam a maior parte dos trabalhadores e geram grande número de novos postos de trabalho.[4] Ao mesmo tempo, a medição da produtividade e da informalidade em serviços pode ser mais difícil do que em setores produtores de bens, especialmente quando há grande número de trabalhadores autônomos, pequenos negócios e atividades não registradas.[1]

Ver também

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Referências

  1. 1 2 3 4 5 6 «Services, value added (% of GDP)» (em inglês). World Bank DataBank. Consultado em 23 de maio de 2026
  2. 1 2 «Estrutura da CNAE». IBGE/CONCLA. Consultado em 23 de maio de 2026
  3. 1 2 3 «Value added by activity» (em inglês). Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Consultado em 23 de maio de 2026
  4. 1 2 3 4 «Services trade» (em inglês). Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. Consultado em 23 de maio de 2026
  5. 1 2 3 Luiz Bello (3 de março de 2026). «PIB cresce 2,3% em 2025». Agência de Notícias do IBGE. Consultado em 23 de maio de 2026
  6. «Serviços». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 23 de maio de 2026