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Programa nuclear israelense

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Israel é amplamente considerado como o sexto país do mundo a ter desenvolvido armas nucleares.[1][2][3][4] É um dos quatro países com armas nucleares não reconhecidos como Estados nuclearmente armados pelo Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). Os outros três são a Índia, o Paquistão e a Coreia do Norte.[5]

Estima-se que o sistema de lançamento de armas nucleares de Israel inclua entre 25 e 100 mísseis balísticos de médio a intercontinental da série Jericho,[6][7][8] cinco submarinos da classe Dolphin, com um total de 20 tubos de lançamento para o míssil de cruzeiro Popeye Turbo, lançado de submarino, e um esquadrão de caças F-15 e um esquadrão de caças F-16. Acredita-se também que Israel tenha desenvolvido ogivas para bombas de nêutrons e projéteis de artilharia nuclear.[9][10]

O ex-diretor geral da Agência Internacional de Energia Atómica, Mohamed ElBaradei, considera Israel como um Estado detentor de armas nucleares.[11] Entretanto, Israel adota uma política conhecida como "ambiguidade nuclear" (também chamada "opacidade nuclear") e nunca admitiu ter armas nucleares. O governo israelense tem repetido ao longo dos anos que não seria o primeiro país a introduzir armas nucleares no Oriente Médio, mas tampouco seria o segundo,[12] sem contudo precisar se também não seria o primeiro país a fazer uso de armas nucleares na região.

Israel não assinou o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, apesar da pressão da Assembleia Geral das Nações Unidas para que o fizesse.[13] O país argumenta que os controles nucleares não podem ser implementados isoladamente de outras questões de segurança[14] e que somente após o estabelecimento de relações pacíficas entre todos os países da região os controles poderiam ser introduzidos por meio da negociação de "um regime mutuamente e efetivamente verificável que estabeleça o Oriente Médio como uma zona livre de armas químicas, biológicas e nucleares, bem como de mísseis balísticos".[15]

De acordo com a Doutrina Begin, Israel realiza ataques preventivos contra atores regionais que suspeita estarem desenvolvendo armas nucleares. A Força Aérea Israelense conduziu a Operação Ópera e a Operação Pomar, que destruíram reatores nucleares pré-críticos no Iraque e na Síria, em 1981 e 2007, respectivamente. Israel e os Estados Unidos têm atacado extensivamente o programa nuclear iraniano, com bombardeios aéreos durante as guerras de 2025 e 2026, além de malware e assassinatos desde 2010. A Opção Sansão refere-se à capacidade de Israel de usar armas nucleares como estratégia de dissuasão diante de ameaças militares existenciais à nação.[16][17]

Israel começou a realizar pesquisas nucleares pouco depois de declarar sua independência. O primeiro ministro David Ben-Gurion lançou o programa nuclear israelense em 1949,[18] e, com o apoio da França, Israel começou a construir secretamente um reator e uma planta de reprocessamento nuclear no final da década de 1950.[19] Estima-se que sua primeira arma nuclear operacional tenha sido concluída no final de 1966 ou início de 1967, o que o teria tornado o sexto dos nove países com armas nucleares; todavia, isto jamais foi confirmado oficialmente por fontes internas, até que Mordechai Vanunu, um antigo técnico do Centro de Pesquisas Nucleares de Neguev, revelou detalhes do programa de armas nucleares à imprensa britânica, em 1986. Vanunu foi posteriormente sequestrado pelo Mossad na Itália, levado de volta a Israel e preso por 18 anos sob acusações de traição e espionagem.[20][21] Atualmente, estima-se que Israel possua entre 75 e 400 ogivas nucleares, com capacidade de lançá-las por meio de aeronaves, submarinos ou mísseis balísticos intercontinentais[22] Israel também é suspeito de possuir armas químicas e biológicas ofensivas.[23][24][25]

Testes nucleares

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Em 2 de novembro de 1966, Israel teria levado a cabo um teste não nuclear, possivelmente de rendimento zero ou de natureza implosiva.[22][26]

O único suposto teste nuclear dirigido por Israel ficou conhecido como "incidente Vela": em 22 de setembro de 1979, um satélite norte-americano Vela - construído nos anos 1960 no âmbito do Projeto Vela, cujo objetivo era detectar testes nucleares - informou a ocorrência de um lampejo característico de explosão nuclear no sul do oceano Índico. Em resposta, a administração Carter designou uma comissão liderada pelo professor do MIT Jack Ruina para analisar a confiabilidade da detecção do satélite. O painel concluiu, em julho de 1980, que o lampejo "provavelmente não era de uma explosão nuclear".[27] Entretanto, segundo a inteligência militar, a probabilidade de que realmente se tratasse de um teste nuclear era de 90%, e uma investigação realizada pelo Painel de Inteligência Nuclear (Nuclear Intelligence Panel, NIP), chegou à mesma conclusão.[28] Segundo o jornalista Seymour Hersh, a detecção corresponderia de fato ao terceiro teste nuclear conjunto, realizado por Israel com a África do Sul no oceano Índico, e os israelenses teriam enviado dois navios das FDI e "um contingente de militares e especialistas nucleares israelenses" para acompanhar esse teste.[29][30][31]

Referências

  1. NTI Israel Profile Arquivado em 28 de julho de 2011, no Wayback Machine..
  2. It's Official: The Pentagon Finally Admitted That Israel Has Nuclear Weapons, Too[ligação inativa]
  3. COHEN, Avner (1998). Israel and the Bomb. Columbia University Press, p. 349. ISBN 0-231-10482-0.
  4. Nuclear Weapons - References
  5. «Background Information, 2005 Review Conference of the Parties to the Treaty on the Non-Proliferation of Nuclear Weapons». Nações Unidas
  6. Kristensen, Hans M.; Korda, Matt (2 de janeiro de 2022). «Israeli nuclear weapons, 2021». Bulletin of the Atomic Scientists (em inglês). 78 (1): 38–50. ISSN 0096-3402. doi:10.1080/00963402.2021.2014239. Consultado em 23 de julho de 2025
  7. «Jericho 3». missilethreat.csis.org (em inglês). Center for Strategic and International Studies. Consultado em 15 de agosto de 2017
  8. «Nuclear weapons – Israel» (em inglês). Federation of American Scientists. Consultado em 1 de julho de 2007
  9. «Israel's Nuclear Weapons». nuke.fas.org (em inglês). Consultado em 10 de março de 2026
  10. Reed, Thomas C.; Stillman, Danny B. (2009). The nuclear express: a political history of the bomb and its proliferation (em inglês). Osceola: Quarto Publishing Group USA. pp. 177–181. ISBN 978-1-61673-242-4
  11. Mohamed ElBaradei (27 de julho de 2004). «Transcrição da entrevista do Diretor Geral da AIEA à Al-Ahram News». Agência Internacional de Energia Atómica
  12. Frase proferida por Yigal Allon, ministro israelense, em dezembro de 1963. Ver L'armement nucléaire israélien - un tabou, por Abdelwahab Biad.
  13. Lazaroff, Rovah (30 de outubro de 2022). «Israel must get rid of its nuclear weapons, UNGA majority decides». The Jerusalem Post (em inglês). Consultado em 19 de junho de 2024
  14. "Israel Rejects Offer to Join UN Atomic Agency Arquivado em 2012-07-03 na Archive.today", Shalom Life, 21 de setembro de 2010.
  15. «Application of IAEA Safeguards in the Middle East» (PDF). International Atomic Energy Agency (em inglês). 10 de setembro de 2004. GOV/2004/61/Add.1-GC(48)/18/Add.1
  16. «Strategic Doctrine». Weapons of Mass Destruction (WMD) (em inglês). Global Security. 28 de abril de 2005
  17. Broad, William J.; Sanger, David E. (3 de junho de 2017). «'Last Secret' of 1967 War: Israel's Doomsday Plan for Nuclear Display». New York Times (em inglês). Consultado em 19 de junho de 2024
  18. KARPIN, Michael The bomb in the basement: how Israel went nuclear and what that means for the world , p 27
  19. La coopération nucléaire franco-israélienne[ligação inativa], por Antoine Villain. Géostratégie et Affaires Internationales, 8 de junho 2011
  20. «Mordechai Vanunu: The Sunday Times articles». The Times (em inglês). Londres. 21 de abril de 2004. Consultado em 2 de julho de 2006. Cópia arquivada em 13 de maio de 2006
  21. «Vanunu: Israel's nuclear telltale». BBC News (em inglês). 20 de abril de 2004. Consultado em 17 de outubro de 2012. [Vanunu denunciou] as atividades nucleares secretas de Israel... Foi uma decisão que o levou primeiro a Londres e ao Sunday Times, depois a Roma e ao sequestro pelo serviço de inteligência israelense Mossad, e finalmente de volta a Israel e a uma longa pena de prisão.
  22. 1 2 Israel - Nuclear Weapons, Federation of American Scientists.
  23. «Proliferation of Weapons of Mass Destruction: Assessing the Risks» (PDF) (em inglês). U.S. Congress Office of Technology Assessment. Agosto de 1993. OTA-ISC-559. Consultado em 9 de dezembro de 2008
  24. «Chemical and Biological Weapons Status at a Glance | Arms Control Association». www.armscontrol.org (em inglês). Consultado em 27 de outubro de 2025. Cópia arquivada em 5 de setembro de 2025
  25. «Israel». The Nuclear Threat Initiative (em inglês). 20 de outubro de 2021. Consultado em 27 de outubro de 2025
  26. Farr, Warner D. (setembro de 1999). «The Third Temple's holy of holies: Israel's nuclear weapons». The Counterproliferation Papers, Future Warfare Series No. 2. USAF Counterproliferation Center, Air War College, Air University, Maxwell Air Force Base
  27. RUINA, J. et al. Relatório do painel ad hoc sobre o evento de 22 de setembro Arquivado em 9 de fevereiro de 2012, no Wayback Machine. (em inglês). 23 de maio de 1980.
  28. HERSH, Seymour M. The Samson Option: Israel's Nuclear Arsenal and American Foreign Policy Arquivado em 30 de maio de 2013, no Wayback Machine.. New York: Random House, 1991. ISBN 0-394-57006-5, 272-273, 280.
  29. HERSH, op.cit. 271.
  30. Report on the 1979 Vela Incident. Por Carey Sublette. 1° de setembro de 2001.
  31. The Vela Incident - Nuclear Test or Meteoroid? Documents Show Significant Disagreement with Presidential Panel Concerning Cause of September 22, 1979 Vela "Double-Flash" Detection. National Security Archive Electronic Briefing Book n° 190. Por Jeffrey T. Richelson. 5 de maio de 2006.

Ver também

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Ligações externas

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