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PFAS

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Modelo espacial de PFOS

As substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS[1] de Per-PolyFluoroAlkylSubstances[2] ou PFASs[3]) são um grupo de compostos químicos organofluorados sintéticos que possuem múltiplos átomos de flúor ligados a uma cadeia alquila; cerca de 7 milhões destes compostos estão listados no PubChem.[4]

O uso generalizado de PFAS começou em 1938 com a invenção do Teflon, um revestimento de fluoropolímero resistente ao calor, o óleo, às manchas, às gorduras e à água. Desde então, são utizados numa ampla variedade de produtos, incluindo tecidos impermeáveis, champô e outros produtos cosméticos, embalagens alimentares, tinta para paredes, espuma de combate a incêndio, isolamento elétrico, pesticidas, dispositivos médicos.

Muitos PFAS, como o PFOS e o PFOA, representam uma grande ameaça para a saúde e para o meio ambiente por serem poluentes orgânicos persistentes, são por isso também denominados de "químicos eternos"[5][6][7] ou FC (símbolos do flúor e do carbono, elementos químicos que compõem o esqueleto dessas moléculas, mas também "Forever Chemicals" (químicos eternos)[8] devido a um trocadilho usado num editorial do The Washington Post de 2018[9]) Estes compostos dispersam-se facílmente pela cadeia alimentar, sobretudo através da água porque são detetados na água da chuva, na água potável e em águas residuais. Como são persistentes, bioacumulam-se em peixes e outros animais selvagens, que por sua vez acabam por ser consumidos pelos seres humanos. Mas devido a grande diversidade de PFAS, é um desafio avaliar os potenciais riscos para a saúde humana e o meio ambiente. No entanto a exposição a PFAS, alguns dos quais são cancerígenos ou disruptores endócrinos, tem também sido associada a varias doenças e problemas de saúde, incluindo colite ulcerativa, doenças da tiroide, resposta de anticorpos abaixo do ideal ou imunidade reduzida, diminuição da fertilidade, hipertensão na gravidez, problemas de desenvolvimento fetal e infantil, obesidade e colesterol alto.

O uso de PFAS é regulamentado internacionalmente pela Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes desde 2009, com algumas jurisdições, como a China e a União Europeia, planeando novas reduções e eliminações progressivas. No entanto, grandes produtores e consumidores como os Estados Unidos, Israel e Malásia, não ratificaram o acordo, e a indústria química tem pressionado os governos para reduzir as regulamentações.

Devido a preocupações com a saúde, diversas empresas acabaram ou planearam acabar com a venda de PFAS ou produtos que os contenham. Os produtores de PFAS pagaram bilhões de dólares para resolver processos judiciais, sendo o maior deles um acordo de US$ 10,3 bilhões pago pela 3M por contaminação da água em 2023.[10] Porque estudos mostraram que as empresas tinham conhecimento dos riscos à saúde desde a década de 1970 – a DuPont e a 3M sabiam que o PFAS era "altamente tóxico quando inalado e moderadamente tóxico quando ingerido". Os custos externos, incluindo aqueles associados à descontaminação do solo e da água, ao tratamento de doenças relacionadas e a monitorização da poluição, podem chegar a US$ 17,5 trilhões anualmente, de acordo com a The International Chemical Secretariat (ChemSec). O Conselho Nórdico de Ministros estimou que os custos com saúde sejam de pelo menos € 52 a 84 bilhões no Espaço Económico Europeu.[11] Nos Estados Unidos, os custos com doenças atribuíveis ao PFAS são estimados entre US$ 6 e 62 bilhões.[12][13] Em janeiro de 2025, o custo da despoluição tóxica por PFAS no Reino Unido e na Europa foi estimado em mais de 1,6 biliões de libras nos próximos 20 anos, com uma média de 84 mil milhões de libras anualmente.[14]

O mercado de PFAS foi estimado em US$ 28 bilhões em 2023, sendo a maior parte produzida por um pequeno número de empresas multinacionais. As vendas de PFAS, que custam aproximadamente US$ 20 por quilograma, geraram um lucro total para o setor de US$ 4 bilhões por ano, com margens de lucro de 16% em 2023.

Definição

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Uma amostra de PFOA, que aparece aqui como um sólido branco

As substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS) são um grupo de compostos químicos organofluorados sintéticos que possuem múltiplos átomos de flúor ligados a uma cadeia alquílica. Diferentes organizações usam definições diferentes para PFAS, levando a estimativas de entre 8.000 e 7 milhões de substâncias químicas dentro do grupo. O banco de dados de toxicidade da EPA, DSSTox, lista 14.735 compostos químicos PFAS,[15] mas 7 milhões estão listados na base da dados PubChem.[4]

Uma definição inicial exigia que os PFAS contivessem pelo menos uma fração de perfluoroalquila, –C
n
F
2n+1
.[16] A partir de 2021, a OCDE expandiu sua terminologia, declarando que "PFAS são definidas como substâncias fluoradas que contêm pelo menos um átomo de carbono metil ou metileno totalmente fluorado (sem nenhum átomo de H/Cl/Br/I ligado a ele), ou seja, com algumas exceções notáveis, qualquer substância química com pelo menos um grupo metil perfluorado (–CF
3
) ou um grupo metileno perfluorado (−CF2−) é um PFAS."[3][17]

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) define PFAS na Lista de Candidatos a Contaminantes da Água Potável 5 como substâncias que contêm "pelo menos uma das três estruturas seguintes:R–CF
2
–CF(R')R", onde tanto os e os grupos –CF
2
como –CF– são carbonos saturados e nenhum dos grupos R pode ser hidrogênio; R–CF
2
–O–CF
2
–(R'), onde ambos os grupos –CF
2
são carbonos saturados e nenhum dos grupos R podem ser hidrogénio; ou enfim CF
3
–C–(CF
3
)RR', onde todos os carbonos são saturados e nenhum dos grupos R pode ser hidrogênio. Uma tabela resumida de algumas definições de PFAS é fornecida em Hammel et al (2022).[18]

Quimica dos PFAS

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As substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas (PFAS) são compostos sintéticos de cadeia carbônica nos quais um ou mais átomos de hidrogênio são substituídos por átomos de flúor. A excepcional estabilidade das PFAS deve-se principalmente à força da ligação carbono-flúor (CF), uma das ligações covalentes mais fortes na química orgânica, o que lhe confere, uma meia-vida extremamente longa no meio ambiente daí a expressão Forever Chemicals,[19][20][21] e uma alta resistência à degradação térmica, química e biológica. De facto, resistem bem ao calor, a ácidos, a bases, a agentes redutores, a oxidantes, bem como a processos de fotólise e de degradação microbiológica,[22] [23] As PFAS podem ser geralmente divididas em formas poliméricas e não poliméricas, sendo estas últimas as mais utilizadas.[24] Quando todos os hidrogénios na cadeia de carbono ( alquila ) são substituídos por flúor, obtém-se um PFAS perfluoroalquilado. Por outro lado, quando pelo menos um átomo de hidrogênio permanece na cadeia- ou seja, quando nem todos os átomos de hidrogénio são substituidos- trata-se de um PFAS polifluoroalquilado. Quando a cadeia alquílica possui menos de seis a oito átomos de carbono, o composto é classificado como PFAS de cadeia curta; quando contém mais, é classificado como PFAS de cadeia longa.[25]

Exemplo de classe de PFAS :

    • cadeia curta de até cinco átomos de carbono, grupo funcional sulfonato

Compostos polifluorados

  • Os compostos polifluorados, incluindo os fluorotelômeros (FTS), conhecidos genericamente como precursores (ou pré-PFAAs), são formados a partir de cadeias polifluoradas associadas a grupos de ácido sulfônico, grupos de ácido fosfórico (PAP), álcoois (álcoois fluoroteleméricos ou FTOH) e sulfonaminas. :

Características

    • pelo menos um átomo de carbono está ligado a um átomo de hidrogênio.
    • Podem se transformar e degradar em subprodutos, PFAS perfluoroalquilados, e em particular em PFCA ou PFSA.

As propriedades físico-químicas dos PFAS não são comuns porque dependem de cada molécula, incluindo o comprimento da cadeia perfluorada.[22]

Amostras de produtos químicos

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Estrutura esquelética do ácido perfluorooctanossulfônico (PFOS), um surfactante fluorado eficaz, persistente e bioacumulativo.

Os PFAS comuns incluem: [26][27]

  • Ácidos perfluoroalquilcarboxílicos (PFCAs), como ácido trifluoroacético (TFA)
  • Ácidos perfluorossulfônicos (PFSAs), como ácido perfluoro-octanossulfônico (PFOS)
  • Precursores dos PFCAs, como os fluorotelómeros (FTOHs)
  • Precursores de PFSAs, como sulfonamida de perfluorobutano (H-FBSA), perfluorooctanossulfonamida (PFOSA), fluoreto de perfluorobutanossulfonila (PFOSB) ou fluoreto de perfluorooctanossulfonila (PFOSF)
  • Fluoropolímeros como o politetrafluoroetileno (PTFE, também conhecido como Teflon)

Produção dos PFAS

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Os PFAS são produzidos por fluoração eletroquímica (o produto inicial desta reação é o fluoreto de perfluorooctano sulfonil) e a telomerização (para produzir fluorotelômeros).[28]

As principais empresas que produzem PFAS são a 3M, Chemours, Honeywell, Solvay, Merck, BASF, Bayer, Arkema, Archroma, AGC, Daikin e Dongyue Federation.[29]

Recenceamento dos PFAS

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Meios de detecção atuais e perspectivas

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Atualmente a técnica analítica mais utilizada para identificar e quantificar PFAS em amostras complexas é a cromatografia líquida de alta eficiência acoplada à espectrometria de massa (HPLC- MS/ MS), muito sensível mas dispendiosa, que requer equipamentos especializados e operadores qualificados. Além disso, cada amostra deve ser pré-tratada antes da análise, aumentando o custo e o tempo necessários para cada análise que só podem ser realizadas em ambiente laboratorial (o que limita a capacidade de resposta em caso de contaminação).[30]

O desenvolvimento de sensores/analisadores portáteis poderá em breve revolucionar a sua deteção e melhorar a gestão dos riscos ambientais e sanitário. O laboratório EDYTEM trabalha com uma startup (Grapheal) em um sensor eletrónico baseado em grafeno que poderá, no futuro, detectar PFAS diretamente no campo, com um sinal elétrico proporcional à sua concentração.[31]

Recenceamento

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Alguns estudos selecionados feitos com recurso a espectrometria de massa de alta resoluçã (HRMS), que permitiram uma melhor visão do "mundo PFAS".
As percemtagem em verde representa os quatro PFAS bem estudados considerados por Cousins et al. (ou seja, ácido perfluorooctanossulfônico (PFOS), ácido perfluorooctanoico (PFOA), ácido perfluorohexanossulfônico (PFHxS) e ácido perfluorononanoico (PFNA)) em comparação com novos PFAS descobertos por essa pesquisa.[32]
Classificação dos novos PFAS:
Os círculos coloridos externos representam as grande classe de PFAS. Os PFAS recém-descobertos (desde 2019) estão marcados em preto ( n = 87), e classificados segundo o número de atomes de carbono entre 1 e 17 (no círculo externo), mas representam apenas uma amostra de alguns estudos selecionados.[32]

Os estudos realizados a partir do início da década de 2020 implementaram uma busca muito mais abrangente por PFAS no meio ambiente e em organismos vivos, particularmente com o recurso a espectrometria de massa de alta resolução (HRMS)[32] Assim esses estudos revelaram um grande número de PFAS anteriormente não listados, dando a conhecer um verdadeiro " mundo PFAS".[32] A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) listou em 2018, 4 730 PFAS com pelo menos três carbonos perfluorados[33] Um banco de dados de toxicidade da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, DSSTox, lista 21 028 PFAS em janeiro de 2026[34] (eram 14 735 em 2022),[35] o PubChem contabilizou cerca de seis milhões em 2022,[36] mas esse número aumenta e pode já chegar em sete milhões de PFAS.[37]

Fluorosurfactantes

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A shiny spherical drop of water on blue cloth
O repelente de água durável à base de flúor torna o tecido hidrorepelente

Os surfactantes fluorados ou fluorosurfactantes são um subgrupo de PFAS caracterizados por uma "cauda" fluorada hidrofóbica e uma "cabeça" hidrofílica que se comportam como surfactantes. Estes são mais eficazes na redução da tensão superficial da água do que os surfactantes de hidrocarbonetos comparáveis.[38]

Os fluorosurfactantes tendem a se concentrar nas interfaces de fase.[39] Os fluorocarbonos são lipofóbicos e hidrofóbicos, repelindo tanto óleo quanto água. Sua lipofobicidade resulta da relativa falta de forças de Van der Waals em comparação com os hidrocarbonetos, uma consequência da alta eletronegatividade e do pequeno comprimento da ligação do flúor, que reduzem a polarizabilidade da superfície molecular fluorada dos surfactantes. Os fluorosurfactantes são mais estáveis do que os surfactantes de hidrocarbonetos devido à estabilidade da ligação carbono–flúor. Os surfactantes perfluorados persistem no ambiente pelo mesmo motivo.[40] Os fluorosurfactantes, como o PFOS, o PFOA e o ácido perfluorononanoico (PFNA), chamaram a atenção das agências reguladoras devido à sua persistência, toxicidade e ocorrência generalizada no sangue e na urina da população em geral.[41][42]

Por exemplo, em janeiro 2024 onze líderes políticos europeus fizeram análises de sangue para detectar PFAS com o objetivo de aumentar a consciencialização sobre o problema e demonstrar que não são apenas aqueles que vivem perto de fábricas de produtos químicos que são afetados. O sangue de cada um desses líderes continha essas substâncias, com limites de segurança indicativos excedidos em cinco deles.[43] Sete dos 13 PFAS testados foram detectados no corpo de Frans Timmermans, ex-vice-presidente da Comissão Europeia pela Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), que denuncia veementemente a proliferação de PFAS na União Europeia. O estudo revela, notavelmente, a presença sistemática de PFOA e PFOS no sangue dos líderes estudados, apesar de essas substâncias serem proibidas na União Europeia desde 2020 e 2009, respectivamente.[43]

O mercado de PFAS foi estimado em US$ 28 bilhões em 2023, sendo a maior parte produzida por um pequeno número de empresas multinacionais. As vendas de PFAS, que custam aproximadamente US$ 20 por quilograma, geraram um lucro total para o setor de US$ 4 bilhões por ano, com margens de lucro de 16% em 2023.

Várias fontes de PFAS

Como resistem ao calor, óleo, manchas, gorduras e água, são usados em repelentes de manchas como o Scotchgard da 3M, polidores, tintas e revestimentos.[44] Começaram a ser usados com a invenção do Teflon em 1938. São usados em produtos como tecidos impermeáveis como no celebre Gore-Tex (agora substituído por polietileno), como nylon, calças de ioga, carpetes, champô, produtos de higiene feminina, telas de celulares, tinta de parede, móveis, adesivos, embalagens de alimentos, espuma de combate a incêndio e isolamento de fios elétricos...[45][46][47] Os PFAS são usados pela indústria cosmética na maioria dos cosméticos e produtos de higiene pessoal, incluindo batom waterproof, delineador, rímel, base, corretivo, protetor labial, blush e verniz de unha.[48][49] Pesticidas como o fluazinam e o flufenacet[nota 1] se decompõem para produzir ácido trifluoroacético (TFA).[50][51][52]

Efeitos ambientais

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Prevalência na chuva, solo, águas e ar.

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Em 2022, os níveis de pelo menos quatro ácidos perfluoroalquilados (PFAAs) na água da chuva em todo o mundo excederam em muito os limites de segurança para água potável estabelecidos pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), bem como os padrões de segurança da União Europeia, levando as conclusão de que a água da chuva é impropria para consumo humano e que "a disseminação global desses quatro PFAAs na atmosfera levou à ultrapassagem do limite planetário para a poluição química".[53] O PFAS mais comum encontrado no meio ambiente é o ácido trifluoroacético (TFA).[54] Sua presença é generalisada no meio ambiente, especialmente em ecossistemas aquáticos, onde persiste com concentrações crescentes em todo o mundo.[55]

Acreditava-se que os PFAS acabariam nos oceanos, onde seriam diluídos ao longo de décadas, mas um estudo de campo publicado em 2021 por pesquisadores da Universidade de Estocolmo descobriu que eles são frequentemente transferidos da água para o ar quando as ondas chegam à costa, e são assim uma fonte significativa de poluição atmosférica do ar e acabam poluindo à água da chuva. Os pesquisadores concluíram que a poluição pode impactar grandes áreas.[56][57][58] O solo também está contaminado e os produtos químicos foram encontrados em áreas tão remotas como a Antártida.[59] A contaminação do solo pode resultar em níveis mais altos de PFAS encontrados em alimentos como o arroz branco, café e animais criados em solo contaminado.[60][61][62] Em 2024, um estudo mundial com 45.000 amostras de água subterrânea descobriu que 31% das amostras continham níveis de PFAS prejudiciais à saúde humana; embora essas amostras foram sempre coletadas em áreas bem longe de fontes óbvia de contaminação.[63]

A contaminação também foi observada em poços de água e outras fontes de água potável. Essa contaminação é observada nos EUA, Reino Unido, Alemanha, Japão e Canadá, mas as informações da maioria dos países em desenvolvimento são quase inexistentes.[64] A falta de informações sobre a contaminação por PFAS em países em desenvolvimento, especialmente na África, deve-se à desigualdade socioeconómica estrutural e tecnológica.[65]

Bioacumulação e magnificação trófica.

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Em espécies marinhas da teia alimentar

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Bioacumulação de PFAS: PFAS presentes em sedimentos e na água podem acumular-se em organismos marinhos. Animais em níveis tróficos superiores da cadeia alimentar acumulam mais PFAS porque os absorvem das presas que consomem.

Num estudo realizado no estuário da Gironde, sudoeste da França, descobriu-se que o PFOA e o PFNA são altamente bioacumulativos.[40] O PFOS, um ácido sulfônico de cadeia longa, foi encontrado nas concentrações mais elevadas em relação a outros PFAS medidos em peixes e aves em mares do norte, como o Mar de Barents e o Ártico Canadiano.[66] Uma meta-análise global descobriu que as concentrações de PFAS aumentam, em média, duas vezes a cada nível trófico, com variação substancial entre os compostos.[67] Surpreendentemente, o composto de substituição industrial F-53B exibiu a maior magnificação trófica, excedendo a de vários PFAS que ele pretendia substituir.[67] Um estudo publicado em 2023, que analisou 500 amostras compostas de filetes de peixe recolhidos nos Estados Unidos entre 2013 e 2015, no âmbito dos programas de monitorização da EPA, mostrou que os peixes de água doce contêm, de forma generalizada, altos níveis de PFAS prejudiciais, sendo que uma única porção normalmente aumenta significativamente o nível de PFOS no sangue.[68][69]

A bioacumulação e a magnificação trófica de PFAS em espécies marinhas, como peixes e mariscos, podem ter impactos importantes nas populações humanas.[70] Os PFAS têm sido frequentemente documentados em peixes e mariscos comumente consumidos por humanos,[71] o que representa riscos para à saúde humana, e estudos sobre a bioacumulação em certas espécies são importantes para determinar os limites diários toleráveis para o consumo humano e onde esses limites podem ser excedidos, causando potenciais riscos à saúde.[72] Isso tem implicações particulares para populações que consomem um grande número de espécies de peixes e mariscos selvagens.[71] A contaminação por PFAS também resultou em interrupções no abastecimento alimentar, como interdições e restrições à pesca.[73]

Os PFAS são trazidos para o Ártico a partir de águas poluídas do sul por aves migratórias.[74] Embora seja muito menor em comparação com a introdução pelo vento e pelos oceanos, as aves tornam-se vetores, transmitindo os produtos químicos tóxicos. Rainer Lohmann, um oceanógrafo da Universidade de Rhode Island, observou que isso tem um efeito localizado significativo que é devastador para os predadores do Ártico, que acumulam toxinas em seus corpos porque os contaminantes das aves entram diretamente na cadeia alimentar, já que as aves são presas de muitas espécies.[75]

Os fluorosurfactantes com cadeias de carbono mais curtas podem ser menos propensos a acumular-se em mamíferos;[44] embora ainda existe alguma preocupação de que possam ser prejudiciais tanto para os humanos[76][77][78] como para o ambiente.[79][80]

Principais fontes de contaminação para os humanos

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A alimentação juntamente com a água e o ar que respiramos, são as nossas principais fontes de contaminação[81] De acordo com um relatório, de 2022, do Fórum Consultivo de Resíduos de Pesticidas (PRiF) do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido, em mais de 3.300 amostras de alimentos e bebidas vendidas no país, onde aproximadamente 401 pesticidas foram testados, muitos produtos, mas particularmente frutas e vegetais, continham PFAS, às vezes acima dos limites regulamentares. Um relatório da PAN Europe (Pesticide Action Network Europe) indica que 89% das bananas do Panama estavam contaminadas com resíduos de pesticidas contendo PFAS. Os Estados-Membros com as maiores taxas de frutas e legumes contaminados eram, em 2023, a Bélgica (27%), os Países Baixos (27%), a Áustria (25%), a Espanha (22%) e Portugal (21%).[82] Os PFAS são também encontrados em outros alimentos como produtos do mar, ovos e carne (PFOS e PFOA).[83] Muitas ONG (Pan UK, Pan Europe ou Générations futures) querem proibir os 25 pesticidas que contêm PFAS ainda em uso na Europa, seis dos quais são classificados como " extremamente perigoso ".[84]

Exposição profissional

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Bombeiros utilizando espuma formadora de película aquosa (AFFF)

A exposição profissional a PFAS ocorre em inúmeras indústrias devido ao uso generalizado desses substâncias químicos em produtos e como componentes de processos industriais.[85] Os PFAS são usados de mais de 200 maneiras diferentes em indústrias tão diversas quanto a fabricação de equipamentos eletrónicos, produção de plásticos e borracha, a produção de alimentos e têxteis e a construção civil.[86] A exposição ocupacional a PFAS pode ocorrer em instalações de produtos fluorquímicos que os produzem e em outras instalações de fabricação que os utilizam para processamento industrial, como a indústria de cromagem.[85] Trabalhadores que manuseiam produtos que contêm PFAS também podem ser expostos durante o trabalho, como pessoas que instalam carpetes e móveis de couro com revestimentos de PFAS, enceradores de esqui profissionais que usam ceras à base de PFAS e bombeiros que usam espuma contendo PFAS e vestem equipamentos de proteção resistentes a chamas feitos com PFAS.[85][87][88]

Vias de exposição

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As pessoas expostas a PFAS no trabalho geralmente apresentam níveis mais elevados de PFAS no sangue do que a população em geral.[85][89][90] Enquanto a população em geral é exposta a PFAS por meio da ingestão de alimentos e água, a exposição ocupacional inclui ingestão acidental, inalação e contacto com a pele em ambientes onde os PFAS se tornam voláteis.[91][16][92]

Medidas de mitigação

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Diversas estratégias foram propostas como forma de proteger as pessoas com maior risco de exposição ocupacional a PFAS, incluindo monitorização da exposição, exames de sangue regulares e o uso de alternativas livres de PFAS, como espuma de combate a incêndio sem flúor à base de polissacarídeos como a goma xantana.[93] e cera de esqui à base de plantas.[94]

Efeitos nocivos para a saúde

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Inicialmente, considerava-se que os PFAS eram quimicamente inertes.[95][96] Estudos ocupacionais iniciais revelaram níveis elevados de fluorquímicos, incluindo ácido perfluoro-octanossulfônico (PFOS) e ácido perfluorooctanoico (PFOA), no sangue de trabalhadores expostos, mas não citaram efeitos nocivos à saúde.[97][98] Esses resultados foram consistentes com as concentrações séricas medidas de PFOS e PFOA em trabalhadores da fábrica da 3M, variando de 0,04 a 10,06 ppm e de 0,01 a 12,70 ppm, respectivamente, bem abaixo dos níveis tóxicos e cancerígenos citados em estudos com animais.[98] No entanto, de 2005 a 2013, três epidemiologistas conhecidos como Painel Científico C8 conduziram estudos de saúde no Vale do Rio Ohio como parte de uma ação judicial coletiva movida por comunidades do Vale do Rio Ohio contra a DuPont.[99] O painel mediu as concentrações séricas de PFOA em 69.000 indivíduos da região da fábrica Washington Works da DuPont e encontrou uma concentração média de 83 ng/mL, em comparação com 4 ng/mL em uma população padrão de americanos.[100] Este painel relatou prováveis ligações entre concentrações elevadas de PFOA no sangue e colesterol alto, colite ulcerativa, doença da tiroide, Câncer (português brasileiro) ou cancro(português europeu) testicular , câncer ou Cancro renal, hipertensão induzida pela gravidez e pré-eclampsia.[101][102][103][104][105]

Alguns PFAS têm meia-vida superior a oito anos no organismo. Eles não são decompostos no corpo, mas sim eliminados pela urina.[106] Esse longo tempo de permanência e a contaminação ambiental generalizada levam ao acumulo de PFAS em humanos, o suficiente para causar efeitos adversos à saúde.[95]

Efeitos da exposição a PFAS na saúde humana[107][108][109]

De facto a prevalência desses compostos químicos, que recentemente se tornaram onipresentes, é multifacetada. Os PFAS inalados ou ingeridos atravessam as barreiras pulmonar, intestinal e placentária … (substâncias per e polifluoroalquiladas) são encontradas no cordão umbilical, no soro de pais e mães e nos órgãos de fetos e embriões, recém-nascidos e crianças pequenas. Em 2019, um estudo longitudinal do soro sanguíneo de um painel de mulheres grávidas de 457 pares mãe-filho demostrou que todas as amostras de soro materno coletadas durante a gravidez estavam contaminadas, com concentrações medianas (intervalo interquartil) de 1,38 ng/ml (11,0, 17,7), 3 ng/ml (2,3, 3,8), 1,9ng/ml (1,4, 2,5) e 0,4ng/ml (0,3, 0,5) para SPFO, PFOA, PFHxS e PFNA, respectivamente ; uma análise do Environmental Working Group (EWG) revelou a presença de PFAS nos cordões umbilicais de bebês nos Estados Unidos e em outros 11 países.[110] A gravidade dos efeitos na saúde associados ao PFAS pode variar com base na duração da exposição, no nível de exposição e no estado de saúde.[85] Em 2022, outro estudo mostrou que a doação de sangue reduz permanentemente o nível de PFAS presente no corpo humano. O efeito é ainda maior no caso de doações de plasma, com uma redução de 30% da concentração media após um ano de doações espaçadas por três meses.[111]

Questões relacionadas à gravidez e à amamentação

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A exposição a PFAS é um fator de risco para distúrbios hipertensivos na gravidez, incluindo pré-eclampsia e hipertensão. Não está claro se a exposição a PFAS está associada a distúrbios cardiovasculares mais amplos durante a gravidez.[112] Demais, o leite materno humano pode conter PFAS, que podem ser transferidos da mãe para o bebê através da amamentação.[113][114]

O uso de produtos de higiene pessoal, como produtos para unhas, fragrâncias, maquilhagem, tinturas e sprays para cabelo, por mulheres grávidas e lactantes está associado a níveis elevados de PFAS no sangue e no leite materno. Por exemplo, os níveis de PFOS em mulheres que tingiram o cabelo pelo menos duas vezes durante a gravidez foram mais de um terço maiores do que naquelas que não o fizeram. O PFOS é um dos compostos PFAS mais comuns e mais perigosos.[115]

Problemas de fertilidade

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Os desreguladores endócrinos, incluindo os PFAS, estão associados à problemas de infertilidade masculina.[116] Um relatório de 2023 da Escola de Medicina Icahn do Monte Sinai associou a alta exposição aos PFAS a uma diminuição de 40% na capacidade de uma mulher ter uma gravidez bem-sucedida, bem como à desregulação hormonal e ao atraso no início da puberdade.[117][118]

Questões de desenvolvimento humano

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Fetos e crianças são especialmente vulneráveis aos danos dos produtos químicos PFAS, pois estes têm demonstrado estar associados a importantes problemas de saúde, incluindo a síndrome do baixo peso ao nascer em recém-nascidos, parto prematuro, períodos de lactação mais curtos, leite materno com conteúdo nutricional reduzido, um ou mais distúrbios do neurodesenvolvimento e resposta reduzida às vacinas infantis.[115]

Problemas no fígado

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Uma metanálise sobre associações entre PFAS e biomarcadores clínicos humanos para lesão hepática que analisou os efeitos do PFAS em biomarcadores hepáticos e dados histológicos de estudos experimentais com roedores, concluiu que existem evidências de que o PFOA, o ácido perfluorohexanosulfônico (PFHxS) e o ácido perfluorononanoico (PFNA) causam hepatotoxicidade em humanos.[119]

O PFOA é classificado como carcinogênico para humanos (Grupo 1) pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) com base em evidências "suficientes" de cancro em animais e evidências "fortes" em humanos expostos. A IARC também classificou o PFOS como possivelmente cancerígeno para humanos (Grupo 2b) com base em evidências "fortes".[120] Há uma carência de dados epidemiológicos de alta qualidade sobre as associações entre muitos produtos químicos PFAS específicos e tipos específicos de câncer, mas há mais pesquisas em curso.[121]

colesterol alto

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Níveis elevados de PFOS foram associados a níveis elevados de colesterol total e colesterol LDL, destacando uma redução significativa da expressão dos receptores ativados por proliferadores de peroxissoma (PPAR) sugerindo que, em humanos, as vias independentes de PPAR predominam sobre o metabolismo lipídico em comparação com roedores.[122]

Colite ulcerativa

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Foi demonstrado que o PFOA e o PFOS alteram significativamente as respostas imunitárias e inflamatórias em humanos e em outras espécies animais. Em particular, observou-se uma diminuição dos níveis de IgA, IgE (apenas em mulheres) e proteína C-reativa, enquanto os anticorpos antinucleares aumentam à medida que as concentrações séricas de PFOA aumentam. Estas variações nas citocinas sugerem anomalias na resposta imunitária que resultam em autoimunidade. Um dos mecanismos propostos é a mudança para macrófagos M2 anti-inflamatórios e/ou uma resposta de linfócitos T-helper (TH2) no tecido epitelial intestinal, o que permite a proliferação de bactérias redutoras de sulfato. Os níveis elevados de sulfeto de hidrogénio resultantes reduzem a beta-oxidação e a produção de nutrientes, levando à degradação da barreira epitelial cólica. Em particular, observou-se uma diminuição dos níveis de imunoglobulina A, imunoglobulina E (apenas em mulheres) e proteína c-reativa, enquanto os anticorpos antinucleares aumentam proporcionalmente ao aumento das concentrações séricas de PFOA.[123] Essas variações nas citocinas sugerem anomalias na resposta imunitária que resultam em autoimunidade. Um dos mecanismo proposto é uma mudança para macrófagos M2 anti-inflamatórios e/ou uma resposta de linfócitos T-helper (TH2) no tecido epitelial intestinal, o que permite a proliferação de bactérias redutoras de sulfato. Isso resulta em níveis elevados de sulfeto de hidrogênio, que reduzem a beta-oxidação e a produção de nutrientes, levando à degradação da barreira epitelial do cólon.[124]

Doença da tiroide

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O hipotiroidismo é a anormalidade tireoidiana mais comum associada à exposição a PFAS.[125] Foi demonstrado que os PFAS diminuem a peroxidase tiroidiana, resultando na redução da produção e ativação das hormonas da tiroide in vivo.[126] Outros mecanismos propostos incluem alterações na sinalização, metabolismo e excreção das hormonas da tiroide, bem como na função do receptor hormonal nuclear.[125] Além disso, foi descrita uma associação não linear complexa com a atividade das deiodinases de ação gradual ( SPINA-GD ).[127] Isso sugere uma forte influência na sensibilidade periférica, em vez da central, das tais hormonas.

Poluição

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Mapa mundial da concentração de PFAS na água[128]

Estudos demonstraram uma contaminação generalizada das cadeias alimentares à escala global,[129] [130] pondo em dúvida o objetivo de combate à ultrapassagem deste limite planetário.[131] Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Estocolmo (Suécia),[132] publicado em agosto de 2022, mostra que por causa dos PFAS, "A água da chuva é considerada imprópria para consumo em todo o mundo."[133] mesmo nas regiões mais isoladas do mundo.[134] Todos os compartimentos ambientais são afetados pela poluição por PFAS, incluindo o ar interior e exterior, a poeira e os solos contaminados.[135] Alguns PFAS são voláteis, como o fluorotelômero (FTOHs), e uma vez oxidados, tornam-se uma fonte secundária de deposição atmosférica de PFAS.[2] Em novembro de 2017, um grupo de mais de 50 cientistas e reguladores internacionais realizou um workshop em Zurique para abordar esta questão. As recomendações centraram-se na coordenação científica, na regulamentação dos PFAS nesta classe e no desenvolvimento de substitutos dos PFAS.[136] A contaminação por compostos perfluorados está presente em organismos humanos em todo o mundo. Níveis médios de contaminação de 1 μg/L ou mais no soro humano foram encontrados para quatro dos PFAS mais comuns. Os níveis de contaminação andam mesmo a volta de 4 μg/L para o PFOS e de 2 μg/L para o PFOA.[137]

No Brasil, as informações sobre a ocorrência de PFAS permanecem escassas, com apenas um número limitado de estudos que no entanto aponta para uma preocupante contaminação de PFOS, principalmente associados a inseticidas à base de sulfluramida. Num estudo das águas superficiais, na represa de Itupararanga que abastece cinco municípios da região e no Rio Sorocaba, Estado de São Paulo, foram encontrados um total de PFAS variando de 108,07 a 256,42 ng/L durante a estação seca. Demais dentre os 30 PFAS analisados, 29 foram detectados em um ou mais locais nas amostras de água. E os PFBA, PFPeA, PFBS, PFHxA, PFPeS, PFHxS, PFHpA, 6-2 FTS, FBSA, PFOA, PFOS, PFNA, PFDA e FOSA foram detectados em todas as amostras analisadas.[138]

Noutro estudo publicado em 2016, sobre a contaminação por PFAS das águas potáveis do Brasil, França e Espanha, foi detetado PFOS em todas as amostras de água da torneira na região de Portalegre (17 amostras). O valor máximo de PFAS provém mesmo da cidade de Portalegre com 124,29 ng/L (2014), muito próximo do valor máximo dos três países atingido em Espanha com 140,48 ng/L. No total um homem adulto ingere só com bebidas 72,2 ng na Espanha, 91,4 na França e 121.0 ng por dia no Brasil de PFAS.[139]

ESTADOS UNIDOS

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Em janeiro de 2025, um estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences alertou para a contaminação da água potável de mais de 20 milhões de americanos, ultrapassando os limites regulamentares, por PFAS provenientes de medicamentos para o tratamento do VIH, dos diabetes, ou para a regulação do colesterol e em antidepressivos.[140] Em 2016, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) estabeleceu um limite não obrigatório 70ng/L para PFOS e PFOA. Esse limite foi reduzido em 2022, para 0.02 ng/L para PFOS e a 0,004 ng/L para PFOA.[141]

Uma investigação colaborativa publicada em 2023 pelo Le Monde e 17 parceiros, incluindo NDR Info, Westdeutscher Rundfunk Köln, Süddeutsche Zeitung, Radar Magazine, Le Scienze, The Investigative Desk e NRC Handelsblad como parte do projeto internacional “ Projeto Poluição Eterna "documenta e mapeia toda a contaminação da Europa por substâncias PFAS.[142]

De acordo com este primeiro " mapa da poluição eterna" A Europa possui mais de 17 000 sítios contaminados com níveis superiores a 10 nanogramas por litro (ng/l), o limite a partir do qual as autoridades devem começar a expressar preocupação, incluindo mais de 2000 com níveis considerados perigosos (acima de 100 ng/l ).),[8] de acordo com análises ambientais realizadas entre 2003 e 2023.[142] Além disso, existem quase 21 500 sítios presumivelmente contaminados, que são indústrias ou atividades que usam e/ou emitem PFAS (por exemplo, bases militares que utilizam espumas de combate a incêndio AFFF [142] ).

Um estudo das águas da torneira e águas engarrafadas da PAN Europe em 11 países europeu, encontrou TFA em 34 das 36 amostras de água da torneira, as maiores concentrações na Alta Áustria com 4100 ng/L e em Paris com 2100 ng/L. A contaminação das águas de Paris, deve-se a degradação de pesticidas PFAS em TFA. Mais preocupante, 12 das 19 amostras de água engarrafada continham também TFA, com uma amostra de 3200 ng/L. [143]

Dinamarca

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Em Korsør, um centro de formação de combate a incêndios contaminou terras agrícolas e animais com PFOS e PFHxS.[144][145][146]

Em setembro 2024 A unidade de investigação da Radio France e a rede France Bleu revelaram que 43 % das 89 amostras de água da torneira coletadas em toda a França entre o 8 de abril e o 5 de junho continha um ou mais PFAS, em quantidades variáveis. Cinco amostras em níveis preocupantes, além de três amostras que excedem o limite francês.[147]

Um estudo da Agence Nationale de Sécurité Sanitaire de l’alimentation, de l’environnement et du travail (Anses) publicado em outubro de 2025 encontrou o Ácido trifluoroacético (TFA) em 92% das 600 amostras de água tratada para consumo, como de água não tratada de rios, ribeiros... Como também o PFHxS em 21,7 % das amostras de água da torneira, o PFOS (19,1 %) e o PFHxA (16,1 %). [148]

No dia 21 de maio de 2026, três associações (Générations Futures, Notre Affaire à Tous e Bloom) e seis particulares apresentaram uma queixa contra o Estado francês no tribunal administrativo de Paris, por causa da sua inação no assunto dos PFAS, frente o conhecimento científico generalizado sobre sua omnipresença no meio ambiente e sua toxicidade.[149]

Em Veneto, a fábrica química de Miteni contaminou a água potável de mais de 350 000 habitantes com PFOA, PFOS e PFHxS.[150]

Países Baixos

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Em Dordrecht, a fábrica da DuPont / Chemours contaminou o ar e a água de 750 000 com PFOA e GenX. [151]

Em abril de 2024, análises mostraram que Genebra tinha áreas de contaminação nas suas águas subterrâneas, excluindo as águas potáveis. Em Aire-la-Ville, a contaminação das águas subterrâneas excedeu o padrão de 50 ng/l em 400 vezes. [152]

O mapa do jornal "Le Monde" fornece o resultado muito preocupante encontrado no ano de 2020 em peixes do rio Tejo na freguesia de Muge, Salvaterra de Magos com um valor de PFOS de 3200 ng/kg, em comparação com os altos valores de 240 ng/kg encontrados em Montemor-o-Velho em 2016, ou de 160 ng/kg nos peixes do rio Lima em Arcos de Valdevez.

Também dá uma lista de presumíveis poluidores como por exemplo as Beralt Tin and Wolfram Portugal SA.- mina da Panasqueira na Aldeia de São Francisco de Assis do Município de Covilhã, a Celtejo (do Grupo Altri) em Vila Velha de Ródão, a Renova em Zibreira, a Sonae em Mangualde e em Oliveira do Hospital, a CI-Respol resinas SA. em Leiria... como vários aeródromos em todo o país.[142]

Respostas ao conhecimento dos efeitos nocivos

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Retenção da informação

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No fim da década de 1970, cientistas da 3M, um dos principais produtor desses produtos, tomaram conhecimento da sua toxicidade para os animais[nota 2] e da sua acumulação no sangue humano, mas permaneceram em silêncio. Em 1997, Kris Hansen, outra cientista da empresa, constatou que a contaminação era global, todas as amostras de sangue estudadas estavam contaminadas, dos empregados da 3M, como em sangue fornecido pela Cruz Vermelha ou em animais ( águias, galinhas, coelhos, vacas, porcos, cavalos...). Só amostras anteriores a descoberta dos PFAS ou provenientes da China rural dos anos 80 e 90 deram negativas. Mas quando revelou suas descobertas internamente, encontrou uma forte oposição, os seus resultados foram contestados alegando erros ou contaminação do material, finalmente foi afastada do caso.[153] No entanto, em maio de 1998, a 3M informou a EPA duma parte do trabalho da cientista, sem que ela seja informada, que a empresa tinha encontrado PFOS em amostras de sangue de todos os EUA sem mencionar a sua pesquisa em animais dos anos 70, e acrescentou que o produto químico não causava “efeitos adversos”. Um ano depois, a 3M enviou à EPA outra carta, novamente sem contar a Hansen. Desta vez, informou a agência sobre os outros 14 fluoroquímicos, grande parte deles feitos pela 3M, que a equipe de Hansen havia detectado em sangue humano. A empresa reiterou que não acreditava que seus produtos apresentassem um risco substancial para a saúde humana. Finalmente em 2006, a EPA acusou a 3M de violar a Lei de Controle de Substâncias Tóxicas não divulgando os danos da fluoroquímica prontamente, a empresa concordou em pagar uma pequena penalidade de 1,5 milhão $ US, sem admitir as irregularidades.

Suprimir informações sobre os efeitos na saúde

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Os produtores usaram diversas estratégias para influenciar a ciência e a regulamentação – principalmente, suprimindo pesquisas desfavoráveis e distorcendo o discurso público.[154] Em 2018, durante o primeiro mandato de Donald Trump, a equipe da Casa Branca e a EPA pressionaram a Agency for Toxic Substances and Disease Registry (Agência para Substâncias Tóxicas e Registro de Doenças dos EUA) para suprimir um estudo que demonstrava que o PFAS era mais perigoso do que se pensava anteriormente.[155][156]

Lobby da indústria química

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Uma investigação colaborativa do " Forever Lobbying Project ", realizada por 46 jornalistas, baseiada em mais de 14.000 documentos anteriormente não publicados e no apoio de especialistas internacionais[157] denonciou uma campanha de lobby conduzida pela indústria química e outros setores industriais para diluir uma proposta da UE de proibição dos PFAS e sobretudo transferir o custo da despoluição ambiental para a sociedade.

Em fevereiro de 2023, o anúncio de um plano europeu para proibir PFAS desencadeou uma intensa campanha de lobby e desinformação por parte da Cefic ( Conselho Europeu da Indústria Química), dos fabricantes de PFAS e do lobby dos plásticos.[158]

Em 20 de fevereiro de 2024, 73 CEOs de 17 setores, principalmente da indústria química, reuniram-se para assinar a Declaração de Antuérpia para um Pacto Industrial Europeu.[159] Esta operação foi orquestrada por Marco Mensink, diretor da Cefic, com o objetivo de pressionar os decisores políticos três meses antes das eleições europeias.

Apesar dos esforços de cinco países europeus (Alemanha, Dinamarca, Noruega, Países Baixos e Suécia) para desenvolver uma "restrição universal" dos PFAS ao abrigo do regulamento REACH, a indústria tem realizado uma campanha de lobby maciça para atrasar e enfraquecer este projeto.

Os lobistas inundaram a Agência Europeia das Substâncias Químicas (ECHA) com mais de 5 600 comentários, sobrecarregando os funcionários. Eles também visaram os políticos,[160] particularmente na Alemanha, onde o governo parece ter cedido à pressão da indústria química.

Apesar dos esforços das agências para manter o projeto de restrição, a ECHA finalmente mencionou "opções alternativas" que preservariam a produção de certos PFAS, particularmente os fluoropolímeros, sob o pretexto de evitar "consequências socioeconômicas desproporcionais".[161]

Litígios e regulamentos

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Os custos externos, incluindo os associados à remediação da contaminação do solo e da água, ao tratamento de doenças relacionadas e a monitorização da poluição, podem chegar a US$ 17,5 trilhões anualmente, de acordo com a ChemSec.[162] Os PFAS têm sido objeto de múltiplos processos judiciais em todo o mundo.[163][164][165] Nos Estados Unidos, os acordos decorrentes de ações judiciais por poluição por PFAS atingiram US$ 18 bilhões até 2024.[166] Em 2023, a Suprema Corte da Suécia estabeleceu um precedente legal ao conceder indenizações a cidadãos que consumiram água "potável" contaminada por PFAS.[167]

Países como o Canadá publicaram diretrizes para água potável relativas ao PFOS e ao PFOA.[168] A União Europeia está a desenvolver um plano de ação para eliminar as utilizações não essenciais de PFAS.[169] As Nações Unidas incluíram o PFOS, o PFOA, o PFHxS, os PFCAs de cadeia longa e produtos químicos relacionados na lista de poluentes orgânicos persistentes ao abrigo da Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, entre 2009 e 2025.[170][171] A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos publicou recomendações não obrigatórias sobre a água potável para PFOA e PFOS.[172][173] Em 2021, o Maine tornou-se o primeiro estado dos EUA a proibir esses compostos em todos os produtos até 2030.[174] Desde October 2020 , os estados da Califórnia, Connecticut, Massachusetts, Michigan, Minnesota, New Hampshire, Nova Jersey, Nova Iorque, Vermont e Wisconsin tinham normas aplicáveis para água potável relativas a entre dois e seis tipos de PFAS.[175] No entanto, alguns dos principais produtores e consumidores, como os Estados Unidos, Israel e Malásia, não ratificaram o acordo sobre a redução do uso de PFAS, e a indústria química tem pressionado os governos para reduzir as regulamentações. Por exemplo, nos Estados Unidos, projetos de lei sobre cosméticos, embalagens de alimentos e têxteis destinados a regulamentar o PFAS não foram aprovados pelo Congresso em 2022.[176] Em 2026, o Reino Unido aumentou os testes para PFAS como parte de um plano nacional para limitar as substâncias, que suscitaram preocupações ambientais e de saúde. O governo afirma que até 2029 pretende alinhar-se mais estreitamente com os regulamentos emitidos pela UE, que procura proibir todos os usos não essenciais.[177]

Convenção de Estocolmo

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A Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes é um acordo internacional que visa regulamentar certos poluentes orgânicos persistentes. Ela é muito importante para países que ainda não adotarem um legislação específica como o caso do Brasil com o Projeto de Lei PL 2726/2023 ainda por aprovar.[178] Assim para esses países, ela é a única legislação que regula alguns PFAS.[179] Em 2009, no quadro dessa convenção o ácido perfluoro-octanossulfônico (PFOS), seus sais e o fluoreto de perfluorooctanossulfonila foram classificados como poluentes orgânicos persistentes (POPs) devido à suas caraterísticas persistentes, bioacumulativas e tóxicas.[180] [181] [182] A utilização do PFOS ficou restrita a essa lista de exceções : imagens fotográficas, certos revestimentos foto-resistentes e anti-reflexivos, agente de corrosão para compostos semicondutores e filtros cerâmicos, fluidos hidráulicos para aviação, revestimento metálico em sistemas de circuito fechado, certos dispositivos médicos, espuma de combate a incêndios, certas iscas para insetos. Em 2020, o PFOA foi proibido de ser importado, exportado, produzido e utilizado.[179] Em 2022 o PFHxS e finalmente em 2025 o PFCAs C9-C21 foram classificados como "poluentes orgânicos persistentes" (POP) no Anexo A.[183]

Em resposta, Os fabricantes substituíram o PFOS e o PFOA por PFAS de cadeia curta, como o ácido perfluorohexanoico (PFHxA), o ácido perfluorobutanosulfônico ou o perfluorobutanosulfonato (PFBS).[44] No entanto os efeitos desses substitutos são desconhecidos, e uns estudos suplementares são necessários.

Fim da fabricação

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Por ter preocupações com a saúde, e com a sua notoriedade, várias empresas de produção encerraram ou declararam que planeiavam acabar com a produção e venda de PFAS ou produtos que os contenham. Essas empresas incluem a WL Gore & Associates (fabricante do Gore-Tex ),[184]Patagonia,[185] REI,[186]H&M,[187] e 3M .[188][189] No entanto, nem tudo é o que parece, e se essas grandes empresas deixaram de produzir PFAS, nem todas deixaram por isso de o consumir recorrendo a fornecedores como o caso paradigmático da empresa Miteni S.p.A baseada em Trissino (Vicenza, Italia), que aumentou a sua produção nos últimos anos,[190] para fornecer os principais consumidores mundiais. Mas confrontada com a revelação da forte contaminação da água de 350 000 moradores, a empresa entrou em falência em 2018. O que não foi suficiente para escapar a justiça, porque os antigos dirigentes da empresa foram condenados em primeira instância, em 2025, a penas variando de 2 anos e 8 meses a 17 anos e 6 meses, num total de 141 anos de cadeia, como ao pagamento duma indemnização de 58 milhões € para o estado e de 15 000 a 20 000 € para cada requerente privado.[191] As patentes de Miteni foram transferidas para a empresa Viva Lifesciences, subsidiária da Laxmi Organic Industries Limited, na Índia.[192] De facto, uma alternativa para algumas empresas foi de simplesmente transferir a produção para países como a Tailândia e a Índia, onde há menos regulamentação.[193][194][195]

Futura proibição de PFAS na Europa

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Em 2019, o Conselho da Europa pediu à Comissão Europeia que desenvolvesse um plano de ação para eliminar todas as utilizações não essenciais de PFAS devido ao aumento de evidências de efeitos adversos causados pela exposição a estas substâncias, evidências da presença generalizada de PFAS na água, no solo, em artigos e resíduos e a ameaça que isto pode representar para a água potável.[196] A Alemanha e dos Países Baixos juntamente com a Dinamarca, a Noruega e a Suécia, apresentaram uma proposta de restrição baseada no Regulamento REACH ( Registro, Avaliação, Autorização e Restrição de Substâncias Químicas ) para obter uma proibição europeia da produção, utilização, venda e importação de PFAS.[197] A proposta estipula que é necessária uma proibição para todas as utilizações de PFAS, com diferentes períodos de implementação para diferentes aplicações (imediatamente após a entrada em vigor da restrição, cinco anos depois ou doze anos depois), dependendo da função e da disponibilidade de alternativas. A proposta não avaliou a utilização de PFAS em medicamentos, produtos fitofarmacêuticos e biocidas, uma vez que se aplicam regulamentos específicos a estas substâncias ( ex., o Regulamento REACH, Regulamento sobre produtos biocidas, Diretiva 91/414/CEE do Conselho, de 15 de julho de 1991, relativa à colocação no mercado de produtos fitofarmacêuticos ) cujo procedimento de autorização de comercialização (AC) deve ter em conta os riscos conhecidos ou suspeitos para a saúde e o ambiente (e, além disso, o princípio da precaução foi incluído no Tratado de Maastricht desde 1992 [198]).

A proposta foi submetida em 13 de janeiro de 2023 e publicado pela Agência Europeia das Substâncias Químicas (ECHA) em 7 de fevreiro do mesmo ano. As avaliações de dois comités da (ECHA) sobre os aspetos de risco e socioeconómicos da proposta, devem ser conhecida em 2026, com base nas informações contidas na dita proposta e na consulta pública, e apresentada aos Estados-Membros em 2027 para ser aplicada em 2029 ou 2030 com derrogações de 12 anos, ou seja a eliminação completa não será em antes de 2042.[199][200]

Remediação

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Monitorização

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A partir de janeiro de 2026, os Estados-membros da União Europeia passam a ser obrigados a monitorizar os níveis de substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS) na água potável, garantindo o cumprimento dos novos valores-limite estabelecidos pela Diretiva da Água Potável revista e adotada em 2020[201] A diretiva deixa aos Estados-Membros da UE a opção de escolher entre dois parâmetros: "Soma dos PFAS " E " PFAS totais »[202] .

  • A "Soma dos PFAS" corresponde a soma das concentrações dos 20 PFAS reconhecidos como preocupantes, sendo o limite de qualidade de 100 ng/l.
  • Os "PFAS totais" inclui todos os PFAS e o limite de qualidade é de 500 ng/l.

Tratamento da água

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A contaminação da água potável representa um grande desafio para as autoridades locais, que enfrentam custos consideráveis de remediação, estimados entre 95 e 2 biliões de euros em toda a Europa, caso os TFA (uma PFAS de cadeia curta) sejam regulamentados. Os responsáveis eleitos a nível local manifestam preocupação com a falta de regulamentação específica para os TFA, o que poderá dificultar a distribuição de água potável em conformidade com as normas. As soluções atuais, como o tratamento com carvão ativado, são ineficazes contra os TFA, e as tecnologias alternativas, como a osmose inversa, são financeiramente inacessíveis para muitos municípios. As autoridades locais sentem-se impotentes perante esta crise ambiental, e os custos de remediação correm o risco de serem transferidos para os consumidores, exacerbando as desigualdades, particularmente nas zonas rurais.[203]

Ver também

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Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Commons Imagens e media no Commons
  • The Devil We Know (2018): um documentário que detalha os perigos dos PFAS para a saúde.[204]
  • Dark Waters (2019): filme de suspense americano de 2019 dirigido por Todd Haynes. A história dramatiza o caso do advogado Robert Bilott contra a empresa de fabricação de produtos químicos DuPont, depois da contaminação de uma cidade americana com PFAS.[205]
  1. Pelo regulamento de Execução (EU) n.º 2025/910 da Comissão, de 20 de maio de 2025 a aprovação da substância ativa flufenacete não foi renovada, porque "não foi possível excluir o potencial de contaminação de águas subterrâneas de um metabolito importante da substância ativa, toxicologicamente relevante, a níveis que excedem significativamente o limite regulamentar de 0,1 μg/l, previsto em todos os cenários pertinentes de avaliação das águas subterrâneas para todas as utilizações representativas avaliadas." Assim os pesticidas contendo essa substância ativa, não podem ser utilizados após o 10 de dezembro de 2026.
  2. Cientistas das 3M, deram a ratos, alimentos contaminados com PFOS diariamente, com 10 miligramas para cada quilograma de peso corporal, os ratos mostraram sinais de possíveis danos no fígado, e metade deles morreram. Em doses mais elevadas, todos morreram. Logo depois descobriram que uma dose diária relativamente baixa, 4,5 miligramas para cada quilograma de peso corporal, poderia matar um macaco apenas em algumas semanas[153]

Referências

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Ligações externas

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