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Pavio

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Detalhe de um pavio aceso numa vela.

Pavio, também chamado torcida ou mecha, é um fio, tira ou feixe de fibras que serve para conduzir combustível até uma chama. Em velas, candeeiros, lamparinas e lampiões, o pavio alimenta a combustão ao absorver, por capilaridade, a cera derretida, o óleo, o querosene ou outro combustível líquido ou liquefeito.[1][2]

O termo pode ainda designar, por extensão, um rastilho ou cordão inflamável destinado a comunicar fogo a artefactos pirotécnicos ou explosivos.[1][3]

Funcionamento

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O pavio actua como condutor do combustível. Numa vela acesa, o calor da chama derrete a cera situada junto ao pavio; a cera líquida sobe pelas fibras por capilaridade, vaporiza-se com o calor e arde na chama.[2][4] Assim, a chama de uma vela é mantida sobretudo pela combustão do combustível vaporizado, e não apenas pela queima directa do fio do pavio.[4]

Em candeeiros e lampiões de óleo ou querosene, o princípio é semelhante: o líquido combustível é absorvido pelo pavio e transportado até à zona da chama. Nos lampiões de querosene, a intensidade luminosa pode ser regulada elevando ou baixando o pavio, o que altera a quantidade de combustível disponível para a combustão.[5]

Materiais e características

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Os pavios são geralmente feitos de fibras têxteis, como o algodão, dispostas em fio, tira, trança ou feixe. A escolha do material, da espessura e da forma do pavio influencia o modo como o combustível é absorvido e a forma como a chama se comporta.[2]

Nas velas, pavios de tamanhos diferentes conduzem quantidades diferentes de combustível até à chama. Um pavio demasiado grande pode produzir uma chama excessiva e fuligem; um pavio demasiado pequeno pode fornecer combustível insuficiente e apagar-se.[6] Por essa razão, o pavio deve ser adequado ao diâmetro da vela, ao tipo de cera e à finalidade da peça.

História

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O uso de pavios é antigo e está ligado à história da iluminação artificial. Segundo a Encyclopædia Britannica, pavios de fibras vegetais eram já utilizados por volta de 1000 a.C. em recipientes simples com azeite ou óleo de noz, funcionando como fontes de luz.[2] A técnica manteve-se em velas, candeias, lamparinas e outros dispositivos de iluminação antes da difusão da iluminação a gás e da iluminação eléctrica.

Antes da generalização de pavios modernos autoaparadores, as velas podiam exigir o aparo manual do pavio para manter uma chama regular e reduzir o fumo. Para esse fim usava-se a espevitadeira, uma espécie de tesoura própria para espevitar pavios, puxando-os ligeiramente ou cortando a parte queimada; alguns exemplares possuíam uma pequena caixa ou receptáculo para recolher a extremidade carbonizada do pavio.[7][8][9]

Outros usos

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Além do uso em iluminação, a palavra «pavio» pode ser empregada como sinónimo de rastilho, estopim ou cordão inflamável. Nesse sentido, designa um elemento destinado a transmitir fogo a um dispositivo pirotécnico ou explosivo.[1] A Encyclopædia Britannica descreve o chamado fusível de segurança, usado em detonações controladas, como um cordão oco com mistura semelhante à pólvora negra, concebido para propagar a combustão de modo relativamente lento e regular.[3]

Por se tratar de material abrangido pelo regime dos produtos explosivos, o seu fabrico, armazenagem, comércio e emprego são regulados por legislação própria, distinta da aplicável aos pavios comuns de velas ou candeeiros.[10]

Expressões

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A palavra aparece em expressões idiomáticas como «ter pavio curto», isto é, irritar-se facilmente, e «de fio a pavio», com o sentido de «do princípio ao fim».[1]

Referências

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  1. 1 2 3 4 «Pavio». Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa. Porto Editora. Consultado em 16 de junho de 2026. Cópia arquivada em 4 de maio de 2025
  2. 1 2 3 4 «Wick». Encyclopædia Britannica. Consultado em 16 de junho de 2026. Cópia arquivada em 20 de agosto de 2025
  3. 1 2 «Safety fuse». Encyclopædia Britannica. Consultado em 16 de junho de 2026
  4. 1 2 «The chemistry of candles». RSC Education. Royal Society of Chemistry. Consultado em 16 de junho de 2026. Cópia arquivada em 22 de dezembro de 2025
  5. «Kerosene lamp». Encyclopædia Britannica. Consultado em 16 de junho de 2026
  6. «Elements of a Candle: Wicks». National Candle Association. Consultado em 16 de junho de 2026
  7. «Conheça a Espevitadeira». Museu Imperial. 11 de novembro de 2020. Consultado em 16 de junho de 2026. Cópia arquivada em 24 de abril de 2025
  8. «A "Espevitadeira"». Cultura Madeira / Museu Etnográfico da Madeira. Consultado em 16 de junho de 2026. Cópia arquivada em 9 de dezembro de 2022
  9. «Candle snuffers». Museum of New Zealand Te Papa Tongarewa. Consultado em 16 de junho de 2026
  10. «Decreto-Lei n.º 376/84, de 30 de novembro». Diário da República. 30 de novembro de 1984. Consultado em 16 de junho de 2026. Cópia arquivada em 13 de abril de 2026