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Jack Kemp

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Jack Kemp
Nascimento13 de julho de 1935
Los Angeles
Morte2 de maio de 2009 (73 anos)
Bethesda
CidadaniaEstados Unidos
Estatura185 cm
Filho(a)(s)Jeff Kemp, Jimmy Kemp
Alma mater
  • Occidental College
  • Fairfax High School
Ocupaçãopolítico, jogador de futebol americano, escritor, Canadian football player, empresário, futebolista
Distinções
Cargo(s)
Secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos (1989–1993)
AntecessorJ. Michael Dorsey
SucessorHenry Cisneros
membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos (1987–1989)
membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos (1985–1987)
membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos (1983–1985)
Presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos (1983–1989)
AntecessorDonald J. Mitchell
SucessorBill Paxon
Republican Conference Chairman of the United States House of Representatives (1981–1987)
AntecessorSamuel L. Devine
SucessorRichard Cheney
membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos (1981–1983)
membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos (1979–1981)
Causa da mortecâncer

Jack French Kemp (Los Angeles, 13 de julho de 1935 – 2 de maio de 2009) foi um político americano, jogador profissional de futebol americano e veterano do Exército dos Estados Unidos. Ele atuou como o nono Secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano durante o governo do presidente George H. W. Bush, de 1989 a 1993. Membro do Partido Republicano, também representou seu partido por nove mandatos na Câmara dos Representantes, entre 1971 e 1989. Em 1996, foi candidato a vice-presidente dos Estados Unidos na chapa liderada por Bob Dole, mas ambos foram derrotados pelos então presidentes democratas Bill Clinton e Al Gore. Antes disso, Kemp também disputou, sem sucesso, a indicação presidencial republicana nas prévias de 1988.

Antes de ingressar na política, Kemp teve breves passagens pela National Football League e pela Canadian Football League, mas foi na American Football League que se tornou uma grande estrela. Foi capitão tanto do Los Angeles/San Diego Chargers quanto do Buffalo Bills e foi eleito o MVP da AFL em 1965, após liderar os Bills ao seu segundo título consecutivo da liga. Disputou todas as dez temporadas de existência da AFL, foi selecionado sete vezes para o All-Star Game, participou de cinco finais da liga e estabeleceu diversos recordes de passes na carreira. Também foi um dos fundadores da Associação de Jogadores da AFL, da qual exerceu cinco mandatos como presidente. Durante o início de sua carreira no futebol americano, serviu na Reserva do Exército dos Estados Unidos.

Como conservador na área econômica, Kemp defendeu impostos baixos e políticas de economia da oferta durante sua carreira política. Suas posições abrangiam diferentes aspectos sociais, indo desde sua oposição conservadora ao aborto até posições mais libertárias em defesa da reforma da imigração. Adepto tanto da Escola de Chicago quanto da economia da oferta, exerceu forte influência sobre a agenda política de Ronald Reagan e foi um dos arquitetos da Lei de Recuperação Econômica de 1981, conhecida como o corte de impostos Kemp–Roth.

Após deixar os cargos públicos, Kemp permaneceu ativo como comentarista e defensor de causas políticas, integrando conselhos de empresas e organizações sem fins lucrativos. Também escreveu, coescreveu e editou diversos livros. Continuou promovendo o futebol americano e defendendo os direitos dos ex-jogadores profissionais. Em 2009, recebeu postumamente a Medalha Presidencial da Liberdade, concedida pelo presidente Barack Obama.

Primeiros anos

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Juventude

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Nascido e criado em Los Angeles, Jack Kemp foi o terceiro de quatro filhos de Frances Elizabeth e Paul Robert Kemp Sr.[1] Seu pai transformou um serviço de entregas por motocicleta em uma empresa de transporte rodoviário, que cresceu de um para quatorze caminhões. Sua mãe era assistente social e professora de espanhol.[2] Kemp cresceu na região oeste de Los Angeles, uma área com forte presença da comunidade judaica. Apesar disso, sua família de classe média, muito unida, frequentava a Igreja de Cristo, Cientista.[3] Na juventude, o esporte era sua grande paixão. Certa vez, chegou a escolher o passe como tema de uma redação escolar sobre invenções importantes, embora sua mãe tentasse ampliar seus interesses com aulas de piano e visitas ao Hollywood Bowl.

Kemp estudou na Fairfax High School, conhecida na época por concentrar um grande número de estudantes judeus e filhos de celebridades. Mais de 95% de seus colegas eram judeus, e, mais tarde, ele se tornou um defensor de causas ligadas à comunidade judaica. Entre seus colegas de escola estavam o músico Herb Alpert, o arremessador de beisebol Larry Sherry e a acadêmica Judith Reisman.[4] Durante o ensino médio, trabalhou com seus irmãos na empresa de transporte do pai, no centro de Los Angeles. Nas horas vagas, era um leitor dedicado, com preferência por livros de história e filosofia.

Faculdade

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Após concluir o ensino médio em 1953, Kemp ingressou no Occidental College, um dos membros fundadores da Conferência Atlética Intercolegial do Sul da Califórnia da Divisão III da NCAA.[5][6] Escolheu a instituição porque sua equipe de futebol americano utilizava formações e jogadas semelhantes às do futebol profissional, o que acreditava ajudá-lo a se tornar um quarterback profissional. Com 1,78 m de altura e 79 kg, considerava-se pequeno demais para jogar pelos tradicionais programas universitários do USC ou do UCLA.[7]

No Occidental, destacou-se como lançamento de dardo, quebrando recordes da instituição, e atuou em diversas posições no time de futebol americano: quarterback, defensive back, placekicker e punter. Embora fosse míope, era conhecido por sua determinação em campo. Como quarterback titular, liderou as equipes de 1955 e 1956, que terminaram as temporadas com campanhas de 6–2 e 3–6, respectivamente. Em um desses anos, foi eleito para a equipe Little All-America, após lançar para mais de 1.100 jardas e liderar todas as pequenas universidades em jardas aéreas.[8] Apesar de sua popularidade, Kemp recusou-se a participar do governo estudantil. Formou-se no Occidental com diploma em educação física e, posteriormente, realizou estudos de pós-graduação em economia na California State University, Long Beach e na California Western University. Paralelamente, serviu nas Forças Armadas dos Estados Unidos entre 1958 e 1962.

Casamento, família e fé

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Kemp formou-se no Occidental College em 1957 e, após a formatura de sua namorada de faculdade, casou-se com Joanne Main, em 1958. O casal teve quatro filhos. Os dois filhos homens seguiram carreira como quarterbacks no futebol americano profissional: Jeff Kemp (nascido em 1959) atuou na NFL entre 1981 e 1991,[9] enquanto Jimmy Kemp (nascido em 1971) jogou na CFL entre 1994 e 2002. Apesar da agenda intensa de Jack, ele nunca deixou de assistir a uma partida de seus filhos, tanto na infância quanto durante a faculdade. O casal também teve duas filhas: Jennifer Kemp Andrews (nascida em 1961) e Judith Kemp (nascida em 1963).[10]

Em determinada ocasião, Joanne sofreu um aborto espontâneo. Mais tarde, Kemp afirmou que essa experiência o levou a reavaliar a importância da santidade da vida humana e fortaleceu sua posição contrária ao aborto.[11]

Após o casamento, Kemp converteu-se à fé presbiteriana de sua esposa. Posteriormente, passou a se identificar como um cristão renascido.[12]

Kemp também alcançou o grau 33 da Maçonaria, na Jurisdição Maçônica do Norte dos Estados Unidos.[13]

Carreira no futebol americano

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Após ser selecionado pelo Detroit Lions na 17ª rodada do Draft da NFL de 1957, Kemp foi dispensado antes do início da temporada.[14] Ainda em 1957, passou pelo Pittsburgh Steelers e, em 1958, integrou os elencos de treinamento do San Francisco 49ers e do New York Giants. Naquele ano, os Giants disputaram a final da NFL, conhecida como "O Maior Jogo Já Disputado" e também a primeira partida de playoffs da liga decidida na prorrogação.[15] No entanto, como terceiro quarterback da equipe de treinamento, Kemp não entrou em campo.

Em 1958, Kemp ingressou na Reserva do Exército dos Estados Unidos, servindo um ano na ativa como soldado para concluir seu treinamento inicial. Entre 1958 e 1962, integrou a 977ª Companhia de Transporte, sediada em San Diego.[16][17] Quando sua unidade foi convocada durante a Crise de Berlim, em 1961, recebeu dispensa médica devido a uma separação crônica no ombro esquerdo. Essa lesão resultou em seu desligamento definitivo da Reserva em julho de 1962.

Em 1959, Kemp disputou uma partida pelo Calgary Stampeders, da CFL, o que o tornou inelegível para atuar na NFL naquele momento.[18] Segundo seu irmão mais velho, Tom, seus pais viajaram de carro da Califórnia até Calgary apenas para vê-lo ser dispensado. Até então, Kemp já havia sido cortado por cinco equipes profissionais: Lions, Steelers, Giants, 49ers e Stampeders. Sua família chegou a incentivá-lo a abandonar o futebol. Em fevereiro de 1960, a recém-criada American Football League firmou acordos de "não aliciamento" com a NFL e a CFL, protegendo os contratos dos jogadores de cada liga. Naquela época, atletas com pouca experiência na NFL, como Kemp, eram frequentemente contratados pela AFL. Assim, ele assinou como agente livre com o Los Angeles Chargers.

Era Sid Gillman (1960–1962)

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Em 1960, sob o comando do técnico Sid Gillman, Kemp levou os Chargers ao título da Divisão Oeste com uma campanha de 10-4. Terminou a temporada em segundo lugar na AFL em tentativas de passe, passes completos e jardas aéreas, atrás apenas de Frank Tripucka. Os dois se tornaram os primeiros quarterbacks da história da liga a ultrapassar a marca de 3.000 jardas passadas em uma temporada.[19] Kemp também liderou a AFL em jardas por passe completo e foi o quarterback mais vezes sacado, além de terminar apenas um touchdown terrestre atrás do líder da liga nesse quesito. Com Kemp no comando, o ataque dos Chargers marcou, em média, 46 pontos nas últimas quatro partidas da temporada e ultrapassou os 41 pontos em cinco dos nove jogos finais. Na decisão da AFL, Kemp conduziu a equipe a field goals em suas duas primeiras campanhas ofensivas. Porém, após o Houston Oilers assumir a liderança por 7 a 6 com um touchdown no segundo quarto, os Chargers não conseguiram reagir.[20]

Em 1961, o editor Jack Murphy, do jornal San Diego Union, convenceu o proprietário Barron Hilton a transferir a franquia de Los Angeles para San Diego. Kemp conduziu a equipe transferida a uma campanha de 12-2, conquistando novamente o título da Divisão Oeste.[21] Mais uma vez terminou em segundo lugar em jardas passadas, desta vez atrás de George Blanda.[22] Os Chargers voltaram a enfrentar os Oilers na final da AFL, mas conseguiram marcar apenas um field goal no último quarto e foram derrotados por 10 a 3.[23]

Em 1962, Kemp fraturou o dedo médio ao bater a mão contra um capacete durante o segundo jogo da temporada, contra o New York Titans, ficando impossibilitado de jogar. Determinado a preservar sua mecânica de lançamento, convenceu os médicos a imobilizarem o dedo ao redor de uma bola de futebol americano, para que sua pegada não fosse afetada após a recuperação. Na tentativa de escondê-lo temporariamente enquanto se recuperava, o técnico Sid Gillman colocou Kemp na lista de dispensas. O treinador do Buffalo Bills, Lou Saban, percebeu que o quarterback estava disponível e adquiriu seus direitos em 25 de setembro de 1962 por apenas 100 dólares — uma negociação considerada pelo jornalista Randy Schultz como uma das maiores barganhas da história do futebol americano profissional.[24] O Dallas Texans e o Denver Broncos também tentaram contratá-lo, mas o então comissário da AFL, Joe Foss, concedeu seus direitos aos Bills.

Era Lou Saban (1962–1965)

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Segundo Billy Shaw, a contratação de Kemp resolveu definitivamente o problema dos Bills na posição de quarterback. No entanto, Kemp não ficou entusiasmado com a ida para Buffalo. De acordo com o narrador esportivo Van Miller, "Jack era esquiador e queria ir para Denver jogar pelos Broncos. Ele detestava a ideia de ir para Buffalo."[25] Na nova equipe, Kemp também ficou conhecido por seu hábito de ler uma grande variedade de livros, incluindo obras de Henry David Thoreau, o que frequentemente rendia brincadeiras do técnico Lou Saban.

As lesões, incluindo a fratura no dedo médio, impediram Kemp de atuar durante boa parte da temporada de 1962. Naquele mesmo ano, ele recebeu uma convocação para servir na Guerra do Vietnã, mas obteve dispensa devido a um problema no joelho. Recuperado das lesões, estreou pelos Buffalo Bills em 18 de novembro de 1962, liderando a única campanha que resultou em touchdown na vitória por 10 a 6 sobre o Oakland Raiders. Em 8 de dezembro, comandou os Bills na vitória por 20 a 3 sobre o New York Titans. Como já havia derrotado os Titans por 40 a 14 quando ainda defendia o Chargers meses antes, tornou-se o primeiro quarterback da história a ser titular duas vezes contra a mesma equipe na mesma temporada, atuando por franquias diferentes. Até 2025, apenas outros seis quarterbacks repetiram esse feito, mas somente Kemp venceu ambas as partidas.[26] Apesar de disputar apenas quatro jogos pelos Bills em 1962, foi selecionado para o All-Star Game. Buffalo venceu três de seus últimos quatro jogos e encerrou a temporada com campanha de 7–6–1.[27]

Em 14 de dezembro de 1962, os Bills superaram o Green Bay Packers na disputa pela contratação do quarterback Daryle Lamonica, da Universidade de Notre Dame. A partir de 1963 iniciou-se uma disputa pela titularidade entre Kemp e Lamonica que durou quatro temporadas, até a saída de Lamonica para os Raiders. Mais tarde, Lamonica afirmou: "Aprendi muito com Jack sobre como jogar como quarterback. E realmente acredito que formávamos uma excelente dupla na posição pelos Bills." Em 1963, Kemp conduziu os Bills, após um início irregular, a um empate na liderança da Divisão Leste da AFL, terminando com campanha de 7–6–1.[28] Novamente ficou em segundo lugar na liga em tentativas de passe, passes completos e jardas aéreas. Também terminou em segundo em touchdowns terrestres, atrás apenas de seu companheiro de equipe Cookie Gilchrist. Para decidir o campeão da Divisão Leste, os Bills enfrentaram o Boston Patriots em um jogo de desempate realizado em 28 de dezembro, sob uma temperatura de −12 °C. Após Buffalo ficar atrás por 16 a 0, Kemp foi substituído por Lamonica, mas a equipe acabou derrotada por 26 a 8.[29]

Kemp era conhecido como o "advogado do vestiário" dos Bills por sua habilidade em resolver conflitos internos. Em 1964, precisou administrar personalidades fortes como Cookie Gilchrist, que chegou a abandonar o campo quando não recebia chamadas de jogadas para correr com a bola, além de convencer Lou Saban a não dispensar o jogador na semana seguinte. Também conduziu de forma diplomática sua disputa pela posição de quarterback com Lamonica, que liderou quatro campanhas vencedoras por touchdown nos sete primeiros jogos da temporada. Na estreia da temporada de 1964, contra o Kansas City Chiefs, Kemp tornou-se o primeiro jogador da história do futebol americano profissional a lançar três passes para touchdown no primeiro quarto de uma partida de abertura de temporada. O recorde só seria igualado, mas não superado, 47 anos depois, por Aaron Rodgers, em 2011.[30][31] Os Bills venceram seus nove primeiros jogos e terminaram a temporada regular com campanha de 12–2, conquistando o título da Divisão Leste após derrotarem os Patriots no Fenway Park.[32] Kemp liderou a AFL em jardas por tentativa de passe e terminou apenas um touchdown terrestre atrás dos líderes, Cookie Gilchrist e Sid Blanks.[33] Na final da AFL, marcou o touchdown que selou a vitória por 20 a 7, com pouco mais de nove minutos restantes, garantindo aos Bills o primeiro título da história da franquia.[34] Poucas semanas depois, Kemp desempenhou um papel importante em um acontecimento fora de campo. Ele participaria do All-Star Game da AFL ao lado de companheiros como Cookie Gilchrist e Ernie Warlick, em New Orleans. Entretanto, Gilchrist liderou um movimento de jogadores afro-americanos que defendia o boicote à partida após sofrer discriminação por taxistas e outros moradores da cidade. Kemp testemunhou pessoalmente um desses episódios, quando Gilchrist e Warlick foram impedidos de dividir um táxi com ele. Durante uma reunião sobre o boicote, Kemp, juntamente com Ron Mix, convenceu os jogadores brancos a apoiarem o protesto. Um dia após a saída dos atletas de Nova Orleans, o comissário da AFL, Joe Foss, transferiu o All-Star Game para Houston.[35]

Segundo Daryle Lamonica, a equipe de 1965 adotou uma filosofia ofensiva diferente: "Em 1964, dependíamos muito de Cookie Gilchrist e do jogo terrestre. Mas tudo mudou em 1965. Os Bills negociaram Gilchrist com o Denver Broncos durante a intertemporada. Então passamos a priorizar muito mais o jogo aéreo. Não apenas lançávamos para os wide receivers, mas também utilizávamos bastante os running backs no jogo de passes. Acho que isso permitiu que Jack mostrasse o melhor do seu futebol naquele ano." Em 1965, os Bills terminaram a temporada com campanha de 10–3–1.[36] Kemp foi o segundo quarterback da AFL em passes completos. Na final da AFL, Buffalo derrotou o San Diego Chargers por 23 a 0.[37] Para Kemp, a conquista teve um significado especial, pois aconteceu justamente diante de sua antiga equipe. Sua liderança na conquista do bicampeonato da AFL — mesmo após a saída de Cookie Gilchrist e com o principal recebedor, Elbert Dubenion, atuando em apenas três partidas — lhe rendeu uma divisão do prêmio de MVP da AFL com seu ex-companheiro dos Chargers, Paul Lowe. Além disso, Kemp recebeu o prêmio de MVP concedido pela Associated Press e também foi eleito o MVP da final da AFL.

Eras de Joe Collier e John Rauch (1966–1969)

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Após a conquista do título da AFL em 1965, o técnico Lou Saban deixou os Bills para assumir o comando da equipe da Universidade de Maryland. Em seu lugar, o coordenador defensivo Joe Collier foi promovido a treinador principal para a temporada de 1966. Jack Kemp conduziu os Bills ao terceiro título consecutivo da Divisão Leste da AFL, com uma campanha de 9-4-1.[38] No entanto, na decisão da AFL — que definiria o representante da liga no Super Bowl I — os Bills foram derrotados pelo Kansas City Chiefs por 31 a 7.[39] Ainda assim, Kemp foi selecionado para o All-Star Game da AFL pela sexta temporada consecutiva. Em 1967, os Bills tiveram uma campanha decepcionante de 4–10. Pela primeira vez desde o início de sua carreira na AFL, Kemp não foi escolhido para o All-Star Game da liga.

Em 23 de agosto de 1968, Buffalo sofreu uma pesada derrota para o Houston Oilers durante a pré-temporada. Três dias depois, em 26 de agosto, Joe Collier comandou um treino coletivo de 40 jogadas. Durante a atividade, o defensive end Ron McDole caiu sobre o joelho direito de Kemp, causando uma grave lesão que o tirou de toda a temporada de 1968. Sem seu quarterback titular, os Bills terminaram o ano com um recorde de 1–12–1.[40]

Mesmo com o retorno de Kemp em 1969 e a chegada do running back O. J. Simpson, os Bills, agora treinados por John Rauch, registraram apenas quatro vitórias.[41] Apesar da campanha ruim, Kemp foi escolhido para o All-Star Game da AFL pela sétima vez nos dez anos de existência da liga. Na última temporada da AFL, em 1969, Kemp defendeu que a liga fosse devidamente homenageada e pressionou o comissário da NFL, Pete Rozelle, para que as equipes da AFL utilizassem um distintivo comemorativo em seus uniformes. Também em 1969, o Partido Republicano do Condado de Erie o convidou para concorrer a uma vaga na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.[42] Após disputar o All-Star Game em 17 de janeiro de 1970, Kemp voltou para casa, conversou com sua esposa e decidiu entrar para a política. Anos depois, explicou sua decisão: "Na época, eu tinha um contrato de quatro anos com os Bills, sem risco de ser dispensado. Pensei que, se perdesse a eleição, sempre poderia voltar a jogar. Mas os torcedores deram sua resposta, e fui eleito para o Congresso."

Resumo da carreira esportiva

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Kemp liderou os Bills aos playoffs da AFL por quatro temporadas consecutivas (1963–1966), conquistando três títulos seguidos da Divisão Leste (1964–1966) e dois títulos consecutivos da AFL (1964 e 1965). Ao encerrar sua carreira, era o líder histórico da liga em tentativas de passe, passes completos e jardas aéreas. Disputou cinco das dez finais da história da AFL e também detinha os recordes de finais em tentativas de passe, passes completos e jardas lançadas. Além disso, ocupava o segundo lugar em diversas outras estatísticas de jogos decisivos, incluindo índice de eficiência (passer rating), tanto em uma única partida quanto na carreira. Kemp também terminou sua carreira com 40 touchdowns terrestres, a sexta maior marca entre quarterbacks da AFL e da NFL. Quando se aposentou, era o segundo quarterback com mais touchdowns corridos da história, atrás apenas de Otto Graham.[43] Foi escolhido para a equipe ideal da liga pelo jornal Sporting News em 1960 e 1965 e foi eleito o MVP da AFL em 1965. Também foi o único quarterback titular durante todos os dez anos de existência da AFL e um dos apenas vinte jogadores que atuaram em todas as temporadas da liga. Em 1984, o Buffalo Bills aposentou sua camisa número 15. Em 2012, a Professional Football Researchers Association o incluiu no Hall of Very Good, em reconhecimento à sua destacada carreira.[44]

Apesar do enorme sucesso e dos recordes estabelecidos na AFL, Kemp também aparece no livro de recordes da NFL por uma marca menos desejada: durante anos, foi o detentor do recorde de maior número de sacks sofridos por um quarterback em uma única partida.[45] Mesmo com seus feitos, os quarterbacks escolhidos para a equipe histórica da AFL foram Joe Namath e Len Dawson. Kemp integra tanto o Greater Buffalo Sports Hall of Fame quanto o Buffalo Bills Wall of Fame.

Ao lado de Tom Addison, do Boston Patriots, Kemp foi um dos fundadores da Associação de Jogadores da AFL, sendo eleito presidente da entidade por cinco mandatos.[46] Sua atuação em defesa dos atletas influenciou sua postura política futura, levando-o a apoiar frequentemente posições defendidas pelos democratas em questões trabalhistas.

Em 1992, recebeu o Prêmio Theodore Roosevelt, a mais alta honraria concedida pela National Collegiate Athletic Association (NCAA).[47] Em 2006, também foi incluído entre os 100 ex-estudantes-atletas mais influentes da história da NCAA.

Estatisticas

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Temporada regular

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Ano Time Jogos Passando Correndo
J JT Recorde Cmp Ten % Jds Méd TD Int Rtg Ten Jds Méd TD
1957 PIT 4 0 8 18 44.4 88 4.9 0 2 19.9 3 -1 -0.3 0
1960 LAC 14 12 9–3 211 406 52.0 3,018 7.4 20 25 67.1 54 238 4.4 8
1961 SD 14 14 12–2 165 364 45.3 2,686 7.4 15 22 59.2 43 105 2.4 6
1962 SD / BUF 6 5 3–2 64 139 46.0 928 6.7 5 6 62.3 20 84 4.2 2
1963 BUF 14 12 5–6–1 193 384 50.3 2,910 7.6 13 20 65.1 50 239 4.8 8
1964 BUF 14 13 11–2 119 269 44.2 2,285 8.5 13 26 50.9 37 124 3.4 5
1965 BUF 14 13 9–3–1 179 391 45.8 2,368 6.1 10 18 54.8 36 49 1.4 4
1966 BUF 14 14 9–4–1 166 389 42.7 2,451 6.3 11 16 56.2 40 130 3.3 5
1967 BUF 14 11 3–8 161 369 43.6 2,503 6.8 14 26 50.0 36 58 1.6 2
1969 BUF 14 11 4–7 170 344 49.4 1,981 5.8 13 22 53.2 37 124 3.4 0
Career 122 105 65–37–3 1,436 3,073 46.7 21,218 6.9 114 183 57.3 356 1,150 3.2 40
Ano Time Jogos Passando Correndo
J JT Recorde Cmp Ten % Jds Méd TD Int Rtg Ten Jds Méd TD
1960 LAC 1 1 0–1 21 41 51.2 171 4.2 0 2 41.8 3 19 6.3 0
1961 SD 1 1 0–1 17 32 53.1 226 7.1 0 4 36.2 4 5 1.3 0
1963 BUF 1 1 0–1 10 21 47.6 133 6.3 0 1 48.3 2 -4 -2.0 0
1964 BUF 1 1 1–0 10 20 50.0 188 9.4 0 0 82.9 5 16 3.2 1
1965 BUF 1 1 1–0 8 19 42.1 155 8.2 1 1 66.8 0 0 0.0 0
1966 BUF 1 1 0–1 12 27 44.4 253 9.4 1 2 59.6 1 3 3.0 0
Career 6 6 2–4 78 160 48.8 1,126 7.0 2 10 50.2 15 39 2.6 1

Carreira política

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A carreira política de Kemp começou muito antes de sua campanha eleitoral de 1970. Em 1960 e 1961, trabalhou como assistente editorial do jornal San Diego Union, ao lado de seu editor, Herb Klein, que mais tarde se tornaria assessor de Richard Nixon.[48] Posteriormente, Kemp atuou como voluntário tanto na campanha presidencial de Barry Goldwater, em 1964, quanto na bem-sucedida campanha de Ronald Reagan ao governo da Califórnia, em 1966. Durante a intertemporada do futebol americano, em 1967, trabalhou na equipe de Reagan, em Sacramento. Em 1969, passou a exercer a função de assistente especial do presidente do Comitê Nacional Republicano.[49]

Kemp era um leitor ávido, e suas convicções políticas foram moldadas por obras que leu ainda jovem, como The Conscience of a Conservative, de Barry Goldwater, os romances de Ayn Rand e The Constitution of Liberty, de Friedrich Hayek.[50] Do futebol americano, Kemp também levou consigo uma forte crença na igualdade racial, construída ao longo dos anos em que dividiu o campo com companheiros negros. Como ele próprio afirmou: "Eu não estava ao lado de Rosa Parks, do Dr. Martin Luther King Jr. ou de John Lewis. Mas estou aqui agora, e vou gritar dos telhados sobre o que precisamos fazer." Seus ex-companheiros de equipe confirmavam essa influência. O tight end John Mackey resumiu esse espírito dizendo: "O huddle não enxerga cor."[51]

Câmara dos Representantes dos Estados Unidos (1971–1989)

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Imagem da Coleção de Retratos do Congresso (c. 1975)

Como um "conservador de coração sensível" (expressão que ele próprio usava para se descrever), Kemp representou, de 1971 a 1989, uma parte da região metropolitana de Buffalo conhecida como Southtowns, que tradicionalmente votava no Partido Democrata, na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.[52][53] Ele foi descrito como alguém que possuía um carisma semelhante ao do jovem John F. Kennedy.[54] O jornalista David Rosenbaum caracterizou Kemp como um político independente, que frequentemente apresentava projetos de lei fora da área de atuação de seus comitês e costumava defender ideais e princípios, em vez de simplesmente seguir a plataforma política de seu partido. Como defensor da economia pelo lado da oferta, Kemp não era favorável à ideia de priorizar orçamentos equilibrados e costumava minimizar essa preocupação, argumentando que o verdadeiro objetivo econômico deveria ser o crescimento.[55]

Os republicanos do Condado de Erie, em Nova Iorque, escolheram Kemp como candidato depois que o deputado Richard D. McCarthy decidiu disputar uma vaga no Senado dos Estados Unidos. Durante sua primeira campanha eleitoral, seu distrito enfrentava dificuldades econômicas, e o The New York Times o descreveu como uma espécie de sucessor de John F. Kennedy, destacando que sua campanha enfatizava os valores familiares, o patriotismo, os esportes e a defesa nacional. Ao ser eleito para o Congresso, integrando uma turma de 62 deputados estreantes, Kemp foi um dos seis novatos destacados pela revista Time, ao lado de Ronald Dellums, Bella Abzug, Louise Day Hicks, Robert Drinan e Pete du Pont. A reportagem observava que Kemp era um entusiasta do futebol americano, assim como o presidente Richard Nixon, e que recebia conselhos de Robert Finch, assessor da Casa Branca, e de Herb Klein, ex-chefe de Kemp e diretor de comunicações do governo Nixon. Os assessores de Nixon incentivaram Kemp a apoiar a invasão do Camboja e a se opor às críticas às políticas de guerra do presidente, com o objetivo de fortalecer seu apoio entre os eleitores e políticos de linha dura na área militar.[56]

Kemp com o Presidente Ronald Reagan em 1983

Kemp foi um dos principais defensores de diversas ideias da Escola de Chicago e da economia pelo lado da oferta, incluindo o crescimento econômico, os mercados livres, o livre comércio, a simplificação do sistema tributário e a redução das alíquotas de impostos tanto sobre os rendimentos do trabalho quanto sobre os investimentos.[57] Também foi, durante muitos anos, um defensor do imposto único. Ele também apoiou o uso das forças anticomunistas conhecidas como Contras na América Central,[58] defendeu o retorno ao padrão-ouro, apoiou a legislação de direitos civis, posicionou-se contra o aborto e foi o primeiro parlamentar a popularizar o conceito de zonas empresariais, que promovia como forma de incentivar o empreendedorismo, criar empregos e ampliar o acesso à casa própria entre moradores de conjuntos habitacionais públicos.[59] Ao longo de sua carreira, Kemp por vezes parecia um democrata liberal. Defendia as políticas de ação afirmativa e os direitos dos imigrantes em situação irregular. O The New York Times o descreveu como o político mais ativo no combate à pobreza desde Robert F. Kennedy.[60] Sua abordagem, porém, diferia da dos chamados Republicanos Rockefeller e de líderes anteriores, como Lyndon Johnson. Em vez de favorecer programas sociais tradicionais, Kemp defendia sistemas baseados em incentivos para estimular o desenvolvimento econômico e a ascensão social. Por seu compromisso com as questões dos centros urbanos dentro do Partido Republicano, David Gergen o chamou de "uma voz corajosa no deserto".[61] Embora fosse liberal em muitas questões sociais e apoiasse as liberdades civis dos homossexuais, ele se opunha a alguns direitos específicos, como o direito de pessoas homossexuais lecionarem em escolas. Em certos momentos, Kemp dizia que seu papel era o de um "parlamentar independente, empreendedor e disposto a desafiar as convenções", atuando com grande liberdade em relação à liderança de seu partido.[62]

A revista Time apontou Kemp, então com 38 anos e em seu segundo mandato como deputado, como um dos futuros líderes da política americana na reportagem especial "Faces for the Future", publicada em 1974.[63] Outra importante aparição em uma revista ocorreu em 1978, quando a Esquire publicou uma reportagem sobre alegações de atividades homossexuais envolvendo assessores do escritório de Ronald Reagan em Sacramento, em 1967. Kemp foi mencionado na reportagem, mas não foi implicado nas acusações. Em 1980, Kemp cogitou disputar uma vaga no Senado dos Estados Unidos. Naquele mesmo ano, o jornalista Hugh Sidey o citou como um possível candidato para enfrentar o presidente Jimmy Carter na eleição presidencial. Além disso, Kemp foi um dos principais cotados para a indicação republicana à vice-presidência durante a Convenção Nacional Republicana de 1980, recebendo 43 votos de delegados conservadores que se opunham à escolha de George H. W. Bush.[64] Após ser reeleito para seu sexto mandato na Câmara dos Representantes, em 1980, Kemp foi escolhido por seus colegas republicanos para um cargo de liderança partidária. Ele presidiu a Conferência Republicana da Câmara por sete anos. Sua ascensão à liderança ocorreu logo depois de ele e David Stockman enviarem um memorando a Ronald Reagan, recomendando que os primeiros 100 dias do novo governo fossem dedicados à aprovação, em parceria com o Congresso, de um amplo pacote de medidas econômicas.[65][66] Em 1982, Kemp chegou a considerar disputar o governo do estado de Nova Iorque, mas decidiu permanecer na Câmara dos Representantes. Em 1984, muitos observadores já o viam como o sucessor natural de Ronald Reagan dentro do Partido Republicano.

Jack, Joanne e Judith Kemp
Kemp com oficiais da Marinha

Kemp teve seu primeiro contato com a economia pelo lado da oferta em 1976, quando o jornalista Jude Wanniski, do The Wall Street Journal, o entrevistou em seu gabinete no Congresso. Durante a conversa, Kemp fez perguntas a Wanniski durante todo o dia e a discussão só terminou perto da meia-noite, já na casa de Kemp, em Bethesda, Maryland. Ao final, convenceu-se das ideias defendidas por Arthur Laffer, professor da Universidade do Sul da Califórnia e um dos principais expoentes dessa corrente econômica.[67] A partir de então, Kemp tornou-se um defensor entusiasmado da economia pelo lado da oferta. Em 1978, juntamente com o senador William Roth, de Delaware, apresentou um projeto de lei para reduzir impostos. Kemp é frequentemente apontado como um dos principais responsáveis pela incorporação da economia pelo lado da oferta ao programa econômico do presidente Ronald Reagan. No entanto, quando Robert Mundell recebeu o Prêmio Nobel de Economia, parte desse mérito também foi atribuída a Mundell, Arthur Laffer, Robert Bartley e Jude Wanniski.[68] Em 1979, Kemp publicou o livro An American Renaissance, no qual defendia a ideia de que "uma maré alta eleva todos os barcos",[69] expressão usada para transmitir sua crença de que o crescimento econômico beneficia toda a sociedade. Embora os cortes de impostos do início da década de 1980 sejam geralmente associados ao governo Reagan, eles tiveram origem na proposta apresentada por Kemp e William Roth, que resultou na Lei de Redução de Impostos Kemp–Roth, aprovada em 1981. O orçamento de Reagan, baseado nessa legislação, foi aprovado apesar da oposição de Dan Rostenkowski, presidente da Comissão de Meios e Recursos da Câmara dos Representantes.[70][71]

Durante os anos do governo Reagan, Kemp e seus aliados deram prioridade aos cortes de impostos e ao crescimento econômico, deixando em segundo plano a preocupação com o equilíbrio orçamentário.[72][73] Conservadores atribuem a esses cortes de impostos grande parte do crescimento econômico registrado entre 1983 e 1990,[74] período que, em 1996, já era considerado uma das mais longas fases de expansão econômica da história dos Estados Unidos.[75] O próprio Kemp reconhecia, porém, que o sucesso do Presidente da Reserva Federal, Paul Volcker, no combate à inflação, bem como um ambiente regulatório favorável, também foram fatores decisivos.[76] Os críticos, por outro lado, argumentam que parte dessa expansão econômica foi impulsionada por setores considerados problemáticos, como jogos de azar, sistema prisional, serviços médicos e o uso crescente de cartões de crédito.

Uma das primeiras tentativas de Kemp de reformar o sistema tributário foi uma proposta apresentada em 1979 para corrigir automaticamente as faixas do imposto de renda de acordo com a inflação e o aumento do custo de vida. A iniciativa não foi aprovada na época, mas acabou sendo incorporada ao pacote econômico apresentado por Reagan em 1980. Em 1980, Kemp também foi coautor de um projeto de lei para criar zonas empresariais, destinadas a incentivar investimentos privados e a geração de empregos em áreas economicamente deprimidas. Um dos momentos mais difíceis de sua carreira no Congresso ocorreu em 1982, quando o presidente Reagan decidiu reverter parte dos cortes de impostos e defender aumentos tributários. A mudança provocou grande controvérsia e encontrou forte oposição de Kemp. Apesar disso, o projeto com as alterações fiscais acabou sendo aprovado.[77][78] Em 1983, Kemp também confrontou, em diversas ocasiões, as políticas do presidente da Reserva Federal, Paul Volcker. As divergências envolveram tanto a política monetária interna quanto o papel dos Estados Unidos no financiamento do Fundo Monetário Internacional (FMI).[79][80]

Kemp discursou em várias Convenções Nacionais do Partido Republicano. Falou na convenção de 1980, realizada em Detroit, Michigan, e novamente na convenção de 1984, em Dallas, Texas. Durante a convenção de 1984, com Trent Lott presidindo o Comitê da Plataforma do Partido Republicano, Kemp e o deputado Newt Gingrich exerceram forte influência sobre a elaboração da plataforma partidária, para a insatisfação dos senadores Bob Dole e Howard Baker. Oficialmente, Kemp presidia o subcomitê responsável pela política externa. Entretanto, as três principais propostas que apresentou à plataforma envolviam aumentos de impostos, o retorno ao padrão-ouro e o papel da Reserva Federal.[81] Apesar desse cargo formal, sua influência mais significativa como redator acabou sendo sobre a formulação do texto referente ao tema dos aumentos de impostos.[82][83] Em 1985, Kemp já era considerado um dos principais pré-candidatos à indicação republicana para a eleição presidencial de 1988.[84] Ele também discursou na Convenção Nacional Republicana de 1992, realizada em Houston, Texas, defendendo novamente a criação de zonas de livre iniciativa.[85] Apesar de seus esforços para ampliar sua influência política em nível nacional, Kemp não realizou eventos de arrecadação de recursos fora de seu distrito eleitoral, localizado na região oeste do estado de Nova York, até já estar em seu oitavo mandato como deputado federal.

Kemp era um crítico do futebol, conhecido nos Estados Unidos como soccer.[86] Em 1986, durante um debate na Câmara dos Representantes sobre a possibilidade dos Estados Unidos sediar a Copa do Mundo de 1994, Kemp declarou: "Acho importante que todos os jovens que um dia esperam jogar futebol de verdade — aquele em que você lança a bola, chuta, corre com ela e a segura nas mãos — entendam que há uma diferença: o futebol americano representa o capitalismo democrático, enquanto o soccer é um esporte socialista europeu."[87][88] Mais tarde, Kemp comparou esse discurso ao famoso número de comédia apresentado por George Carlin em 1984 sobre as diferenças entre o beisebol e o futebol americano.[89] Ele afirmou que sua declaração havia sido feita em tom de brincadeira, ou, como escreveu, "com a língua firmemente na bochecha", indicando que não deveria ser interpretada literalmente.

Apesar do caráter humorístico, o discurso provocou forte repercussão negativa. Ainda assim, Kemp continuou dizendo que o principal problema do futebol era o fato de "não ter um quarterback". Com o passar dos anos, porém, sua postura tornou-se mais moderada. Kemp observou que cerca de metade de seus netos jogava ou havia jogado futebol em equipes organizadas e afirmou que havia "mudado" sua opinião sobre o esporte. Ele chegou, inclusive, a assistir à Copa do Mundo de 1994 ao lado de Henry Kissinger, um admirador de longa data do futebol. Mesmo assim, durante a Copa do Mundo de 2006, Kemp escreveu que o futebol podia ser interessante de assistir, mas continuava considerando-o "um jogo entediante".[90]

Candidatura presidencial (1988)

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Kemp deixa um comício de apresentação dos candidatos à indicação presidencial republicana de 1988, realizado em Union, Carolina do Sul, em 3 de outubro de 1987. William Daroff aparece logo atrás do ombro esquerdo de Kemp.

Em 1988, se Kemp tivesse vencido a eleição para a presidência dos Estados Unidos, teria se tornado a primeira pessoa desde James Garfield a passar diretamente da Câmara dos Representantes para a Casa Branca.[91] Ao formar seu comitê exploratório para a campanha, Kemp contratou Ed Rollins, diretor político da bem-sucedida campanha de reeleição de Ronald Reagan em 1984, como seu principal assessor.[92] Desde o início da disputa, porém, Kemp não conseguiu se consolidar como a principal alternativa ao vice-presidente George H. W. Bush na disputa pela indicação do Partido Republicano. Com exceção de um pequeno grupo de especialistas e conhecedores da política, o público em geral não reconhecia em Kemp um líder de destaque, embora ele fosse amplamente considerado um político rico em ideias.[93] Na verdade, a maior parte do eleitorado republicano conhecia pouco sua trajetória quando a campanha começou. Os analistas políticos, por outro lado, o viam como um visionário e um formulador de propostas inovadoras. No entanto, Kemp também passou rapidamente a ser percebido como um orador muito prolixo, que, em alguns momentos, perdia a conexão com seu público. Embora procurasse conquistar o apoio dos conservadores, suas posições de inspiração libertária — favoráveis à tolerância, aos direitos individuais e ao apoio às minorias, às mulheres, aos trabalhadores da indústria e aos sindicatos — entravam em conflito com os valores sociais e religiosos de boa parte do eleitorado conservador. Para os democratas, por sua vez, sua defesa do livre mercado representava uma forma de anarquia baseada no princípio do laissez-faire, ou seja, na mínima intervenção do Estado na economia.[94] Apesar de defender uma redução significativa do papel do governo, Kemp reconhecia que qualquer avanço em direção a um sistema mais próximo do laissez-faire deveria ser cuidadosamente planejado e implementado.[95]

Após o escândalo envolvendo Gary Hart e Donna Rice, em maio de 1987, o jornal The New York Times enviou um questionário aos 14 candidatos à presidência dos Estados Unidos, solicitando, entre outras informações, acesso aos registros psiquiátricos e aos arquivos do FBI de cada um. Candidatos dos dois partidos manifestaram opiniões divergentes sobre a questão da privacidade pessoal, mas Kemp rejeitou o pedido, afirmando que ele era "indigno da dignidade de um candidato à Presidência".[96][97] Sua campanha começou de forma promissora, conquistando importantes apoios iniciais em New Hampshire. Entretanto, George H. W. Bush contava com o respaldo de grande parte da liderança do Partido Republicano em Nova York. Embora reunisse um grupo bastante diversificado de apoiadores, a campanha de Kemp rapidamente entrou em dificuldades financeiras. Os gastos superaram as receitas, levando a equipe a tomar empréstimos com base nos recursos federais de financiamento público que esperava receber no futuro. Esse desequilíbrio pode ter sido causado pelo uso intensivo e dispendioso de campanhas de arrecadação.[98] Para compensar suas posições consideradas moderadas em temas sociais, Kemp reforçou publicamente sua oposição ao aborto, seu apoio à Iniciativa Estratégica de Defesa, conhecida popularmente como "Guerra nas Estrelas", e sua defesa de um fortalecimento das Forças Armadas além do nível defendido pelo secretário de Estado George Shultz. Na tentativa de se apresentar como o verdadeiro herdeiro político de Reagan, Kemp chegou a pedir a renúncia de Shultz, alegando que o secretário havia abandonado os combatentes anticomunistas no Afeganistão e na Nicarágua e demonstrado falta de firmeza em relação à Iniciativa Estratégica de Defesa.[99] Buscando destacar suas posições sobre os principais temas de política externa da Era Reagan, Kemp viajou, em setembro de 1987, para Costa Rica, Honduras e El Salvador. Durante a viagem, acompanhado por mais de 50 líderes conservadores americanos, procurou convencer os presidentes desses países a rejeitarem o Plano de Paz de Arias, um acordo que os conservadores dos Estados Unidos consideravam excessivamente conciliador em relação aos movimentos comunistas da América Central.[100]

Apesar de sua plataforma abranger praticamente todos os principais temas políticos, a principal arma da campanha de Kemp era sua proposta de política fiscal baseada na redução de impostos. Como parte desse programa econômico, ele se opunha ao congelamento dos benefícios da previdência social, mas defendia o congelamento dos gastos do governo.[101] Alguns críticos interpretavam sua defesa da economia pelo lado da oferta como uma tentativa de minimizar ou ignorar o crescente déficit orçamentário do governo federal. No fim de 1987, analistas políticos avaliavam que Kemp precisava conquistar o apoio da ala mais conservadora do Partido Republicano em temas que não fossem sociais.[102] Kemp também esteve entre a maioria dos pré-candidatos republicanos que se opuseram ao Tratado INF firmado por Ronald Reagan com o líder soviético Mikhail Gorbatchov, apesar de o acordo contar com ampla aprovação entre os eleitores republicanos. O tratado previa a eliminação de mísseis nucleares de alcance intermediário dos arsenais dos Estados Unidos e da União Soviética. Na tentativa de conquistar o eleitorado mais à direita, todos os candidatos republicanos que apareciam mal colocados nas pesquisas adotaram essa mesma postura mais combativa em relação à União Soviética.[103][104] No início de 1988, os candidatos considerados moderados, George H. W. Bush e Bob Dole, já apareciam claramente na liderança da disputa pela indicação republicana. Enquanto isso, Kemp disputava com Pat Robertson o posto de principal representante da ala conservadora do partido.[105]

Kemp utilizou uma campanha publicitária com um tom relativamente negativo, que inicialmente pareceu produzir o efeito desejado, colocando-o temporariamente entre os principais concorrentes à indicação republicana.[106] No livro Bare Knuckles and Back Rooms: My Life in American Politics, o presidente de sua campanha, Ed Rollins, descreveu Kemp como um candidato talentoso, mas cheio de peculiaridades. Segundo seus próprios coordenadores de campanha, Kemp era difícil de administrar.[107] Costumava ignorar os avisos de tempo durante seus discursos, recusava-se a telefonar para doadores da campanha e também não aceitava treinar para os debates. A derrota na chamada "Super Terça-Feira" praticamente encerrou sua candidatura. Na ocasião, Kemp conquistou apenas 39 delegados, um número inferior ao obtido pelo futuro indicado e presidente George H. W. Bush, bem como por Bob Dole e Pat Robertson. Mesmo após abandonar a disputa, seu nome continuou sendo considerado como uma possível opção para a candidatura republicana à vice-presidência.[108] Em 1989, Jack Kemp e sua família transferiram oficialmente sua residência de Hamburg, Nova York, para Bethesda, Maryland, cidade onde ele viveria até sua morte.[109] Em 1994, a campanha presidencial de Kemp de 1988 chegou a um acordo com a Comissão Eleitoral Federal, aceitando pagar uma multa civil de US$ 120 mil por violações da legislação eleitoral. Entre as irregularidades estavam o recebimento de contribuições acima dos limites permitidos, doações corporativas diretas inadequadas, cobrança excessiva de despesas à imprensa, gastos acima do teto permitido nos estados de Iowa e New Hampshire e o não reembolso a empresas que forneceram transporte aéreo para a campanha.[110]

Membro do gabinete (1989–1993)

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O secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Jack Kemp, com Sybil Mobley, reitora da Universidade Florida A&M.

Como um autodeclarado "conservador de coração sensível", Kemp era uma escolha considerada natural pelo presidente George H. W. Bush para ocupar o cargo de secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos, cuja principal missão era promover soluções, tanto do setor público quanto do privado, para atender às necessidades da habitação popular.[111] Entretanto, desde o início de sua gestão, Kemp enfrentou dificuldades. Os escândalos envolvendo seu antecessor, Samuel Pierce, durante o governo Reagan, além do longo período de negligência enfrentado pelo departamento, dificultaram seu trabalho. Como consequência, ele não conseguiu concretizar suas duas principais propostas: aprovar a criação das zonas empresariais e incentivar que moradores de conjuntos habitacionais públicos se tornassem proprietários de suas próprias residências.[112] Esses dois projetos tinham como objetivo transformar a habitação pública em moradias pertencentes aos próprios moradores e atrair empresas e indústrias para os centros urbanos por meio de incentivos fiscais concedidos pelo governo federal.[113] Embora Kemp tenha conseguido implementar poucas mudanças de grande impacto nas políticas públicas enquanto dirigia a secretária, ele foi amplamente reconhecido por restaurar a credibilidade do departamento após os escândalos da administração anterior. Também elaborou um plano para recuperar a situação financeira da Administração Federal de Habitação, suspendeu ou reformulou diversos programas existentes e lançou uma ofensiva de combate às drogas.[114] Essa iniciativa permitiu que trabalhasse em conjunto com Bill Bennett, diretor da Política Nacional de Controle de Drogas dos Estados Unidos. Kemp também apoiou a "Operation Clean Sweep" e outras iniciativas semelhantes destinadas a proibir a posse de armas de fogo em conjuntos habitacionais públicos.[115]

Embora Kemp tenha convencido o presidente Bush a apoiar um programa habitacional de US$ 4 bilhões destinado a incentivar moradores de habitações públicas a comprar seus próprios apartamentos, o Congresso, controlado pelos democratas, destinou apenas US$ 361 milhões ao projeto. Além da resistência no Congresso, Kemp também enfrentou forte oposição do diretor do Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca, Richard Darman, que era contrário ao seu principal projeto, o HOPE (Propriedade da Casa e Oportunidade para Todos). O programa previa a venda de moradias públicas aos próprios moradores. Darman também se opôs à proposta de Kemp de reformular o sistema de assistência social por meio de mecanismos de compensação nos gastos do governo. O projeto HOPE foi apresentado pela primeira vez ao chefe de gabinete da Casa Branca, John Sununu, em junho de 1989. A proposta incluía a criação de zonas empresariais, o aumento dos subsídios para inquilinos de baixa renda, a ampliação dos serviços sociais destinados a pessoas em situação de rua e idosos, além de mudanças tributárias para facilitar a compra da primeira casa. Inicialmente, Sununu se opôs ao plano, assim como a maior parte do gabinete presidencial. No entanto, em agosto de 1990, atendendo a um pedido do procurador-geral dos Estados Unidos, Dick Thornburgh, Sununu convenceu o presidente Bush a apoiar a Força-Tarefa para o Empoderamento Econômico, criada por Kemp. Apesar desse apoio, a Guerra do Golfo e as negociações sobre o orçamento federal acabaram desviando a atenção do governo, deixando o projeto de Kemp em segundo plano.[116] O orçamento aprovado destinou apenas US$ 256 milhões ao plano de Kemp, valor que ele conseguiu ampliar parcialmente durante as negociações das leis de dotações orçamentárias. Pouco depois da nomeação de Clayton Yeutter como principal assessor da Casa Branca para política doméstica, a Força-Tarefa para o Empoderamento Econômico de Kemp foi extinta.

O presidente Bush evitava dar destaque às questões federais de combate à pobreza e, em vez disso, utilizava Kemp como porta-voz da agenda conservadora de menor prioridade da administração.[117][118] A principal contribuição de Bush para a política urbana era seu programa de incentivo ao voluntariado, baseado no tema "Points of Light", enquanto Kemp encontrava maior receptividade para suas propostas no então candidato à presidência Bill Clinton.[119] Quando ocorreram os distúrbios de Los Angeles, em 1992, Bush acabou apoiando, ainda que tardiamente, algumas das principais bandeiras de Kemp. Na época, o empresário e comentarista Mort Zuckerman comparou a visão de Bush sobre as questões raciais à de "um homem viajando de costas em um vagão de trem", sugerindo que o presidente reagia aos acontecimentos em vez de antecipá-los.[120] Ainda assim, os distúrbios de Los Angeles transformaram Kemp em uma das figuras centrais da administração, embora, até então, ele tivesse sido amplamente deixado em segundo plano. Entretanto, o deputado Charles E. Schumer talvez tenha resumido melhor, ainda em 1989, as dificuldades enfrentadas por Kemp ao afirmar: "Boas ideias com dinheiro podem realizar muita coisa. Boas ideias sem dinheiro provavelmente não conseguem realizar muita coisa." Essa frase refletia o principal obstáculo de Kemp: a falta de recursos para colocar em prática seus projetos. Embora não tenha conseguido obter o financiamento necessário para concretizar suas propostas, Kemp ficou conhecido dentro da administração Bush por ser um dos integrantes do governo que mais utilizavam aviões corporativos de primeira classe.[121] Ele justificava essas viagens alegando que ainda sofria os efeitos de uma antiga lesão no joelho e, por isso, precisava viajar em primeira classe às custas do governo enquanto exercia o cargo de secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano.[122]

De modo geral, o período de Kemp como secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano foi considerado malsucedido. No entanto, embora não tenha conseguido aprovar financiamento federal para as chamadas zonas de empoderamento durante sua gestão,[123] até 1992, 38 estados já haviam criado programas desse tipo por iniciativa própria. Em 1994, durante o governo de Bill Clinton, o Congresso aprovou US$ 3,5 bilhões para financiar essas zonas.[124] Outra iniciativa de Kemp, inspirada no livre mercado, buscava permitir que proprietários de imóveis dividissem suas casas para criar unidades de aluguel sem enfrentar uma burocracia excessiva. Entretanto, essa proposta não foi implementada pelo governo Clinton. Em 1992, com a candidatura independente de Ross Perot ganhando força, o nome de Kemp voltou a ser cogitado como possível candidato republicano à vice-presidência.[125][126]

Kemp também foi considerado parcialmente responsável pelo fracasso de suas duas principais iniciativas porque mantinha um relacionamento difícil com os demais integrantes do gabinete de George H. W. Bush. Em certa ocasião, chegou a dizer ao chefe de gabinete da Casa Branca, James Baker, que a melhor chance de Bush vencer a eleição para a reeleição seria demitir seus assessores econômicos de forma dramática.[127] Antes da Convenção Nacional Republicana de 1992, Kemp e outros seis importantes líderes conservadores elaboraram um memorando controverso pedindo que Bush reformulasse sua política econômica.[128] Ao mesmo tempo, figuras influentes do conservadorismo, como William F. Buckley Jr. e George Will, defendiam que o vice-presidente Dan Quayle fosse substituído por Kemp na chapa republicana.[129] Essa movimentação ocorreu depois que Kemp classificou partes da política econômica do presidente como "truques", logo após o Discurso sobre o Estado da União de 1992.[130] Apesar das críticas ao presidente, Kemp era respeitado dentro do Partido Republicano justamente por sua disposição de discordar de Bush quando julgava necessário. Nos últimos meses do governo, muitos integrantes da administração passaram a reconhecer mais claramente seu valor político. No fim de 1991, 81 dos 166 deputados republicanos assinaram uma carta, redigida por Curt Weldon e Dan Burton, pedindo que Bush transferisse parte da responsabilidade pela política interna para Kemp, concedendo-lhe um papel semelhante ao de um "czar da política doméstica".[131] A carta elogiava sua "energia, entusiasmo e influência nacional", mas foi vista como uma afronta ao presidente.[132] Muitos observadores se surpreenderam com o fato de Kemp permanecer no gabinete durante todo o mandato de Bush, já que era um dos poucos integrantes da administração dispostos a assumir posições firmes, mesmo quando elas contrariavam a linha adotada pela Casa Branca.[133] O próprio Kemp acreditava que não permaneceria no cargo caso os republicanos fossem reeleitos em 1992, avaliação compartilhada por diversos analistas políticos da época.[134]

Anos após deixar o HUD (1993–1996)

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Entre o fim de seu mandato como secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano e sua indicação como candidato à vice-presidência, Kemp passou a fazer palestras remuneradas, cobrando cerca de US$ 35 mil por apresentação. Em 1994, iniciou uma intensa agenda de eventos de arrecadação de recursos. Participou de 241 jantares beneficentes com o objetivo de levantar US$ 35 milhões para uma possível campanha presidencial em 1996 e, ao mesmo tempo, quitar as dívidas remanescentes de sua campanha de 1988. Após deixar o cargo de secretário de Habitação e Desenvolvimento Urbano, cujo salário anual era de US$ 189 mil, Kemp recebeu aproximadamente US$ 6,9 milhões ao longo dos três anos seguintes. A maior parte desse valor veio de palestras e discursos realizados em apoio a candidatos republicanos em eleições locais.[135] Durante as festividades do Super Bowl XXVIII, Kemp também organizou uma importante série de eventos de arrecadação de fundos.[136]

Kemp foi considerado uma das principais estrelas da Convenção Nacional Republicana de 1992.[137] Ao longo de 1992 e 1993, era frequentemente apontado como o favorito — ou um dos favoritos — para conquistar a indicação republicana à eleição presidencial de 1996.[138] Na época das eleições legislativas de meio de mandato de 1994, muitos analistas acreditavam que Kemp anunciaria em breve sua candidatura à presidência, e seus apoiadores esperavam que isso ocorresse antes do fim daquele ano.[139] No entanto, em janeiro de 1995, Kemp explicou que não disputaria as prévias republicanas de 1996 porque suas convicções pessoais já não estavam alinhadas com os rumos do Partido Republicano. Ele era contrário aos limites de mandato para parlamentares, sempre priorizou cortes de impostos em vez de propostas de emenda constitucional exigindo equilíbrio orçamentário e, diferentemente da maioria dos republicanos da época, defendia incentivos federais para combater a pobreza nas áreas urbanas.[140] Em 1995, a jornalista Gloria Borger observou que Kemp já não estava em sintonia com a agenda conservadora apresentada no documento "Contract with America", lançado pelos republicanos após as eleições de 1994. O próprio Kemp também declarou que não gostava do intenso processo de arrecadação de recursos exigido por uma campanha presidencial.[141] O comentarista político David Gergen afirmou que, em 1996, o processo de seleção dos candidatos havia se tornado tão caro, agressivo e invasivo em relação à vida pessoal dos concorrentes que acabava desestimulando vários dos principais líderes republicanos a disputar a presidência.[142]

O líder da maioria no Senado, Bob Dole, e o presidente da Câmara, Newt Gingrich, nomearam Kemp para presidir uma comissão de reforma tributária — conhecida como Comissão Kemp — em resposta à crescente preocupação dos eleitores com a complexidade do sistema tributário dos Estados Unidos.[143] À frente da comissão, Kemp defendeu diversas propostas, entre elas o imposto único, que passou a promover oficialmente após assumir a presidência do grupo.[144] Sua proposta preservava algumas deduções fiscais bastante populares, como a dedução dos juros pagos em financiamentos imobiliários, mas permanecia relativamente genérica em vários aspectos.[145] Durante as prévias republicanas de 1996, tanto Steve Forbes quanto Phil Gramm também defenderam a adoção do imposto único.[146]

Na campanha presidencial daquele ano, o apoio de Kemp era considerado um dos mais disputados entre os candidatos republicanos.[147] Steve Forbes chegou a tentar convencer Kemp a disputar a presidência, mas ele recusou. Em vez disso, anunciou apoio a Forbes justamente quando Bob Dole estava consolidando sua liderança na disputa e logo após receber os apoios de outros ex-candidatos, como Lamar Alexander e Richard Lugar.[148] Muitos analistas acreditam que a principal motivação de Kemp ao apoiar Forbes era manter vivas as propostas do imposto único e da economia pelo lado da oferta dentro do debate republicano.[149] Diversos observadores consideraram que esse apoio prejudicou definitivamente o futuro político de Kemp. Posteriormente, ele pediu repetidas desculpas à equipe de campanha de Bob Dole. Depois que ficou claro que Dole seria o candidato oficial do Partido Republicano, Kemp tentou organizar um seminário bipartidário com o banqueiro Felix Rohatyn para elaborar um plano de política fiscal que pudesse receber apoio tanto de republicanos quanto de democratas. Nessa mesma época, Kemp também se destacou por suas posições favoráveis à imigração. Com base na interpretação de um índice científico que ele e William Bennett apoiavam, Kemp afirmava que "os imigrantes são uma bênção, e não uma maldição".[150]

Em 1994, Kemp e Bennett posicionaram-se contra a Proposição 187 da Califórnia, medida que buscava impedir imigrantes em situação irregular de terem acesso a serviços públicos. Essa posição os colocou em confronto direto com o governador republicano da Califórnia, Pete Wilson, um dos principais defensores da proposta e candidato à reeleição.[151][152] Kemp também defendia direitos para imigrantes em situação irregular e se opunha às propostas dos senadores Lamar Smith e Alan Simpson que buscavam restringir a imigração legal para os Estados Unidos.[153]

Indicação à vice-presidência (1996)

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Kemp tinha a reputação de ser o republicano progressista de maior destaque nacional. Quando Bob Dole recusou um convite para discursar na convenção da Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor, chegou a sugerir o nome de Kemp para substituí-lo, antes mesmo de ele ser oficialmente escolhido como candidato à vice-presidência.[154] Em 5 de agosto de 1996, Dole anunciou uma proposta de redução geral de 15% no imposto de renda. A medida foi uma resposta tanto à campanha de Steve Forbes quanto às recomendações da Comissão de Reforma Tributária presidida por Kemp. Diversas outras propostas da campanha de Dole também tiveram origem nas ideias da organização Empower America, fundada por Kemp e William Bennett, que reunia figuras influentes do Partido Republicano, como Jeane Kirkpatrick, Vin Weber, Steve Forbes e Lamar Alexander. Entre as propostas incorporadas por Dole estavam a política externa mais firme defendida por Kirkpatrick, a ênfase na responsabilidade moral e na boa conduta promovida por Bennett e o apoio à liberdade de escolha na educação, bandeira defendida por Alexander.[155]

William Bennett recusou o convite para ser o candidato a vice-presidente na chapa de Bob Dole, mas sugeriu o nome de Jack Kemp, um político frequentemente descrito como o principal contraponto de Dole dentro do Partido Republicano.[156][157] Em 16 de agosto de 1996, o Partido Republicano oficializou Kemp como candidato à vice-presidência, formando chapa com o ex-senador Bob Dole. A escolha de Kemp foi vista como uma tentativa de atrair eleitores conservadores e libertários, especialmente aqueles que haviam apoiado Steve Forbes e Pat Buchanan durante as prévias republicanas.[158] Kemp foi escolhido em vez de outros nomes cogitados, como Connie Mack, John McCain e Carroll Campbell.[159] Presume-se que sua indicação também tenha sido favorecida pelo fato de vários de seus antigos assessores ocuparem cargos influentes na equipe de campanha de Dole.[160] Enquanto Dole era historicamente identificado com a ala republicana que priorizava o equilíbrio orçamentário, Kemp era reconhecido como um dos principais defensores da redução de impostos. Por isso, seu histórico na defesa de cortes tributários foi considerado o complemento ideal para a chapa.[161] Quando Dole anunciou Kemp como seu companheiro de chapa em 1996, os dois estamparam a capa da edição de 19 de agosto daquele ano da revista Time.[162] No entanto, a escolha da capa quase foi superada por outra grande notícia: o anúncio da suposta descoberta de evidências de vida extraterrestre em Marte. A revista chegou a incluir essa notícia em destaque na própria capa e comentou, em tom bem-humorado, o quanto foi difícil decidir qual assunto merecia maior destaque.[163]

Após ser escolhido como candidato à vice-presidência, Kemp tornou-se o principal porta-voz da chapa republicana para assuntos relacionados às minorias e aos centros urbanos.[164] Por compartilhar a defesa de políticas de autoajuda e responsabilidade individual, ideias que também eram promovidas por Louis Farrakhan em diversos eventos, incluindo a Million Man March, Kemp acabou sendo visto, em certo sentido, como alguém cujas propostas coincidiam parcialmente com as de Farrakhan.[165][166] No entanto, Farrakhan era amplamente acusado de antissemitismo, enquanto Kemp era considerado um aliado da comunidade judaica dentro do Partido Republicano.[167] Essa situação obrigou a campanha a agir com cautela para evitar que essa associação política lhe causasse prejuízos. Durante vários momentos da campanha, Kemp chegou a ofuscar o próprio Bob Dole. Em mais de uma ocasião, comentaristas chegaram a descrevê-lo como se fosse ele o candidato à presidência.[168] Apesar da chapa Dole–Kemp utilizar propagandas negativas contra os adversários, Kemp mantinha um estilo de campanha extremamente otimista. Seus discursos lembravam grandes comícios motivacionais e eram repletos de metáforas relacionadas ao futebol americano e de exageros retóricos.[169] Alguns admiravam esse estilo e chegaram a chamá-lo de "o Bom Pastor". Já seus críticos, como o jornalista Steven V. Roberts, da revista U.S. News & World Report, ironizavam o fato de Kemp contar muito mais histórias sobre passes de futebol americano do que sobre projetos de lei aprovados no Congresso.[170] Durante a campanha, Kemp também declarou que a liderança do Partido Republicano não estava apoiando a chapa de Bob Dole de maneira totalmente comprometida.[171] Apesar de sua atuação em temas ligados às minorias, do apoio público do general Colin Powell e de pesquisas mostrarem que cerca de 30% dos afro-americanos se identificavam como conservadores em questões como oração nas escolas, programas de vouchers educacionais e justiça criminal, os republicanos não conseguiram aumentar seu tradicional nível de apoio entre os eleitores afro-americanos.[172]

Tanto Al Gore quanto Kemp tinham aspirações presidenciais, o que contribuiu para que o debate entre os candidatos à vice-presidência fosse conduzido em um nível mais elevado do que o habitual.[173] Além disso, Gore e Kemp eram amigos de longa data, ao contrário da relação entre Gore e seu adversário na eleição anterior, Dan Quayle.[174] Por esse motivo, ambos evitaram ataques pessoais durante o confronto. Mesmo assim, alguns analistas consideraram que Kemp não conseguiu responder de forma eficaz às críticas mais substanciais feitas por Gore. No debate entre os candidatos à vice-presidência, realizado em 9 de outubro de 1996, quando a chapa Dole–Kemp já aparecia bem atrás nas pesquisas nacionais, Kemp foi amplamente considerado derrotado. A atuação de Al Gore é frequentemente lembrada como uma das melhores performances em debates da política americana contemporânea.[175] Os temas discutidos foram bastante variados. Além de assuntos tradicionais, como aborto e política externa, o debate abordou questões incomuns, como um incidente ocorrido pouco antes dos playoffs da Major League Baseball (MLB), quando Roberto Alomar, segunda base do Baltimore Orioles, insultou e cuspiu em um árbitro. Outro tema que despertou atenção entre os analistas foi a discussão sobre a política dos Estados Unidos em relação ao México.[176][177] A vitória de Gore no debate não surpreendeu muitos observadores. Kemp já havia sido superado por ele em confrontos anteriores, e Gore tinha a reputação de ser um debatedor experiente e altamente qualificado.[178]

Fim da carreira

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Kemp com Sue Myrick, Phil English e Mike Turner, por volta de maio de 2004.

Em 1993, Kemp fundou, ao lado de William Bennett, Jeane Kirkpatrick e do empresário Theodore Forstmann, a organização Empower America, um grupo dedicado à defesa do livre mercado e de políticas econômicas liberais.[179] Anos depois, a Empower America se fundiu com a Citizens for a Sound Economy, dando origem à organização FreedomWorks. A Empower America representava a ala populista do Partido Republicano. Em vez de enfatizar temas que dividiam o partido, como aborto e direitos dos homossexuais, o grupo concentrava sua atuação na defesa do livre mercado, do crescimento econômico e da redução da carga tributária, priorizando essas pautas em vez do equilíbrio orçamentário e da diminuição do déficit público.[180]

Em março de 2005, Kemp renunciou ao cargo de copresidente da FreedomWorks depois que o FBI passou a investigar suas ligações com Samir Vincent, um comerciante de petróleo do norte da Virgínia envolvido no escândalo do programa "Petróleo por Alimentos" das Nações Unidas. Vincent acabou se declarando culpado de quatro acusações criminais, entre elas a de atuar ilegalmente como lobista não registrado do governo iraquiano de Saddam Hussein.[181] Durante o julgamento, o nome de Kemp foi citado com frequência em depoimentos.[182] Além disso, o informante do FBI Richard Fino afirmou que Kemp mantinha vínculos com James Cosentino poucas semanas antes da eleição presidencial de 1996.[183]

Além de integrar conselhos de administração de empresas, Kemp também participou de diversos conselhos consultivos. Entre eles estavam o Conselho Consultivo da Escola de Políticas Públicas da UCLA, o Conselho Consultivo de Diversidade da Toyota e o Conselho de Curadores da Universidade Howard, do qual fazia parte desde 1993.[184] Em 25 de março de 2003, Kemp foi escolhido para presidir o conselho de administração da USA Football, uma organização nacional de promoção do futebol americano amador criada pela NFL em parceria com a Associação de Jogadores da NFL. A entidade presta apoio a diversas organizações voltadas ao desenvolvimento do esporte entre crianças e jovens, como a Pop Warner, a American Youth Football, os Boys & Girls Clubs of America, a National Recreation and Park Association, a Police Athletic League, a YMCA e a Amateur Athletic Union. Kemp também exerceu o cargo de vice-presidente da NFL Charities, organização beneficente ligada à NFL.

Kemp, Adrian Fenty e Eleanor Holmes Norton em um comício da DC Vote no Capitólio, em Washington, D.C.

No fim da década de 1990, Kemp continuou atuando ativamente no debate político. Ele criticou a política do governo Bill Clinton em relação ao Fundo Monetário Internacional (FMI), especialmente por considerar excessivamente branda a atuação da instituição diante da crise econômica da Coreia do Sul.[185] No início de 1998, Kemp chegou a ser considerado um forte possível candidato à presidência dos Estados Unidos na eleição de 2000. No entanto, suas perspectivas eleitorais enfraqueceram ao longo do ano e, posteriormente, ele declarou apoio a George W. Bush, que acabaria vencendo a disputa.[186] Kemp também permaneceu defendendo reformas nos sistemas tributário, previdenciário e educacional. Quando o superávit orçamentário de 1997 foi destinado ao pagamento da dívida pública, Kemp se opôs à decisão, argumentando que os recursos deveriam ser utilizados para reduzir impostos.[187] Ao lado de John Ashcroft e Alan Krueger, apoiou uma proposta de reforma dos impostos sobre a folha de pagamento com o objetivo de eliminar a dupla tributação.[188] Além de suas posições econômicas e fiscais, Kemp manifestou-se contra o aborto durante a tramitação, no Congresso, de um projeto de lei que proibia o procedimento conhecido como dilatação e extração intacta, uma técnica de aborto tardio.[189] Também defendeu os interesses dos ex-jogadores da NFL, apoiando medidas relacionadas a exames cardiovasculares, moradia assistida, benefícios por incapacidade e ao programa de substituição de articulações lançado em 2007.[190] Kemp ainda defendeu uma ampla reforma das leis de imigração dos Estados Unidos.[191] No fim da década de 1990, tornou-se também um dos mais destacados defensores de reformas econômicas baseadas no livre mercado para os países africanos. Ele argumentava que o continente possuía enorme potencial de crescimento econômico, desde que abandonasse políticas governamentais autocráticas e excessivamente intervencionistas.

Em 1997, quando Newt Gingrich enfrentava uma investigação ética na Câmara dos Representantes, Kemp atuou como intermediário entre Bob Dole e Gingrich na tentativa de preservar a liderança do Partido Republicano.[192] Mais tarde, em 2002, após Trent Lott fazer declarações polêmicas sobre Strom Thurmond, interpretadas como uma defesa da segregação racial, Kemp manifestou seu descontentamento. Ao mesmo tempo, apoiou o pedido público de desculpas de Lott, afirmando que o havia incentivado a "repudiar a segregação em todas as suas formas".[193] Kemp também esteve entre os líderes republicanos que, em 2005, se comprometeram a arrecadar recursos para custear a defesa jurídica de Scooter Libby, acusado de falso testemunho e obstrução da Justiça em uma investigação relacionada ao vazamento de informações da CIA.[194]

Em junho de 2004, Kemp retirou seu apoio à candidatura de Vernon Robinson ao Congresso. Justificou sua decisão afirmando que Robinson havia escolhido concorrer "como um republicano à moda de Pat Buchanan", em referência às suas posições sobre a imigração, das quais Kemp discordava.[195]

Em 2006, Kemp e John Edwards, candidato democrata à vice-presidência na eleição de 2004, copresidiram uma força-tarefa do Conselho de Relações Exteriores dedicada às relações entre os Estados Unidos e a Rússia. O grupo elaborou o relatório intitulado Russia's Wrong Direction: What the United States Can and Should Do ("A Rússia no Caminho Errado: O que os Estados Unidos Podem e Devem Fazer"). Após concluírem esse trabalho, Kemp e Edwards passaram a participar conjuntamente de diversos eventos públicos defendendo propostas para reduzir a pobreza nos Estados Unidos.[196]

Kemp com o então senador dos Estados Unidos, Barack Obama, no lançamento do Public Internet Channel, no National Press Club, em 2006.

Em 6 de janeiro de 2008, pouco antes das eleições primárias de New Hampshire, Kemp declarou apoio a John McCain na disputa pela indicação presidencial do Partido Republicano. A decisão surpreendeu muitos conservadores favoráveis à redução de impostos, já que McCain nem sempre era visto como um defensor dessa agenda.[197] À medida que McCain se aproximava da confirmação como candidato oficial do partido, a imprensa passou a associá-lo cada vez mais a Kemp.[198] Para ajudar a reduzir a resistência de parte da base conservadora, Kemp preparou uma carta aberta dirigida a influentes apresentadores de rádio conservadores defendendo a candidatura de McCain e buscando diminuir suas críticas.[199] Além disso, Kemp e Phil Gramm atuaram como conselheiros de McCain na formulação de sua política econômica.[200]

Em fevereiro de 2008, esteve ligado a um grupo chamado "Defense of Democracies", que defendia a aprovação de um projeto de lei para ampliar a vigilância eletrônica nos Estados Unidos. A proposta acabou sendo rejeitada pela Câmara dos Representantes. Um anúncio de televisão produzido pelo grupo gerou tanta controvérsia que alguns de seus conselheiros decidiram deixar a organização.[201]

Doença e morte

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Kemp em 2007

Em 7 de janeiro de 2009, o escritório de Kemp divulgou um comunicado informando que ele havia sido diagnosticado com câncer. O tipo da doença e o tratamento previsto não foram revelados, e tanto o diagnóstico detalhado quanto o prognóstico permaneceram em sigilo durante todo o período de sua enfermidade. Mesmo após o diagnóstico, Kemp continuou exercendo a presidência da Kemp Partners, empresa de consultoria sediada em Washington, e manteve sua atuação em atividades beneficentes e políticas até sua morte.[202]

Jack Kemp morreu em 2 de maio de 2009, aos 73 anos, em sua residência em Bethesda, Maryland.[203] O presidente Barack Obama elogiou o trabalho de Kemp em favor da melhoria das relações raciais, afirmando que ele compreendia que as divisões baseadas em raça e classe social impediam o país de alcançar objetivos comuns. O ex-presidente George W. Bush declarou que Kemp "será lembrado por suas importantes contribuições para a Revolução Reagan e por sua dedicação inabalável aos princípios conservadores durante sua longa e notável carreira no serviço público".[204] Posteriormente, foi revelado que o câncer de Kemp provavelmente era um melanoma.

Kemp discursa no National Press Club, em 2006.

O principal legado de Jack Kemp está associado à Lei de Redução de Impostos Kemp–Roth, aprovada no início da década de 1980 e também conhecida como o primeiro dos dois grandes cortes de impostos promovidos durante o governo de Ronald Reagan. Essa legislação serviu de base para a economia pelo lado da oferta, política econômica que ficou conhecida como "Reaganomics". Segundo essa teoria, inspirada na Curva de Laffer, a redução dos impostos pode estimular o crescimento econômico e, em determinadas circunstâncias, até contribuir para a redução do déficit público. Ao longo dos anos, muitos líderes republicanos defenderam essa visão. Curiosamente, embora George H. W. Bush tenha chamado essa teoria de "economia vodu" durante as prévias republicanas de 1980, seu filho, George W. Bush, e o secretário do tesouro de seu governo, John W. Snow, tornaram-se defensores dessas ideias.[205] Kemp também é lembrado, ao lado de George Wallace e William Jennings Bryan, como uma figura que influenciou significativamente a história política dos Estados Unidos ao alterar os rumos das disputas presidenciais, mesmo sem jamais ter conquistado a Presidência da República.[206]

Kemp também é lembrado como um dos principais líderes da corrente conhecida como conservadorismo progressista: um grupo de conservadores que mantinha posições tradicionais em diversas questões sociais, mas evitava defender políticas protecionistas na área econômica e no comércio internacional.[207]

Um dia após a morte de Kemp por câncer, o senador Arlen Specter fez duras críticas à política do governo federal para o financiamento da pesquisa científica. Segundo ele, Kemp ainda poderia estar vivo se o governo dos Estados Unidos tivesse investido mais recursos na pesquisa sobre o câncer.[208]

Após a sua morte, seu filho, Jimmy Kemp, fundou a Fundação Jack Kemp para dar continuidade ao legado de seu pai.[209] A fundação é uma organização beneficente sem fins lucrativos e sua missão é "desenvolver, apoiar e reconhecer líderes excepcionais que promovam a Ideia Americana". Com sede em Washington, D.C., a instituição dedica-se à promoção dos valores que Kemp considerava fundamentais para os Estados Unidos: crescimento econômico, liberdade, democracia e esperança.[210]

Em homenagem a Jack Kemp, o estádio de futebol americano do Occidental College recebeu seu nome.[211]

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