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Humberto Mauro

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Humberto Mauro

Humberto Mauro, c. década de 1970
Nome completo Humberto Duarte Mauro[1]
Nascimento 30 de abril de 1897
Volta Grande, MG, Brasil
Nacionalidade brasileiro
Morte 5 de novembro de 1983 (86 anos)
Volta Grande, MG, Brasil
Ocupação cineasta, escritor, acadêmico, músico, ator, produtor, pintor, artista plástico, político, crítico, roteirista, ativista
Progenitores Mãe: Teresa Duarte
Pai: Gaetano Mauro
Cônjuge Maria Vilela de Almeida
Festival de Brasília
Melhor Diálogo
1971 - Como Era Gostoso o Meu Francês[2]
Outros prêmios
Prêmio Saci de Melhor Diretor
1953 - O Canto da Saudade[3]

Humberto Duarte Mauro (Volta Grande, 30 de abril de 18975 de novembro de 1983) foi um cineasta, escritor, acadêmico, músico, ator, produtor, pintor, artista plástico, político, crítico, roteirista e ativista brasileiro. Quase sempre citado como o "maior cineasta brasileiro de todos os tempos",[4] é conhecido por ter sido um dos pioneiros do cinema brasileiro, produzindo filmes como Brasa Dormida (1928), Sangue Mineiro (1929) e Ganga Bruta (1933), hoje consideradas obras-primas da sétima arte.

Autor do mais significativo ciclo regional do cinema brasileiro, o Ciclo de Cataguases, Mauro foi um dos precursores do movimento cinematográfico brasileiro Cinema Novo, propagado no Brasil entre os anos 60 e 70.[5] Apesar de não ter feito carreira internacional, devido às limitações da época, foi homenageado no Festival de Cannes, na França, como um dos cineastas mais importantes do século XX.[6]

Primeiros anos

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Volta Grande, cidade onde Mauro nasceu.

Filho da mineira culta e poliglota Teresa Duarte e do imigrante italiano Gaetano Mauro, Humberto Duarte Mauro nasceu em 30 de abril de 1897 no município de Volta Grande, no estado de Minas Gerais, na Zona da Mata mineira, dois anos depois da histórica sessão cinematográfica promovida pelos irmãos Lumière, em Paris. Quando criança, mudou-se com a família para Cataguases. Desde cedo, dedicou-se à música, tocando o violino e o bandolim.[7]

Interessado também em mecânica, ingressou no curso de engenharia em Belo Horizonte, que abandonou um ano depois para voltar a Cataguases. Como as linhas de transmissão de eletricidade chegavam à região, trabalhou na instalação de energia elétrica nas fazendas.[7] Foi para o Rio de Janeiro em 1916, onde trabalhou como eletricista e foi funcionário da empresa Light and Power, que explorava os serviços de bondes na cidade. Mauro era um dos responsáveis pela manutenção da maquinária desses veículos.[1] Retorna a Cataguases em 1920, onde se casa com Maria Vilela de Almeida (Dona Bebê), com quem permaneceria casado pelo resto da vida.[7]

Início de carreira e o Ciclo de Cataguases (1923-1929)

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Humberto Mauro, data desconhecida

Em 1923, passou a se interessar por fotografia. Adquiriu uma câmera Kodak de Pedro Comello (pai da atriz Eva Nill), imigrante italiano de quem se tornaria amigo até se desentenderem.[8] Ambos compartilhavam de uma paixão pelo cinema, principalmente pelos filmes americanos de aventura. Admirava D.W. Griffith e King Vidor.[7]

Em 1925, Mauro e Comello compraram uma câmara cinematográfica de 9,5 mm, marca Pathé, com a qual Mauro filmou um curta-metragem cômico de apenas 5 minutos de duração. Mostraram esse filme a comerciantes locais, tentando convencê-los a investir numa companhia produtora de filmes em Cataguases. Com o apoio financeiro de Homero Domingues compraram uma câmara de 35 mm e centenas de metros de filme. Mas o filme que resolveram fazer ficou inacabado.[7]

Ainda em 1925, com a participação do negociante Agenor Cortes de Barros, fundaram em Cataguases a Phebo Sul América. Em 1926 realizam Na Primavera da Vida e em seguida Thesouro Perdido, um filme nos moldes dos filmes de aventura americanos, com muitas e complicadas cenas de ação. Foi premiado como o melhor filme brasileiro de 1927. Este filme contou com a única participação nas telas da mulher de Mauro, com o nome artístico de Lola Lys.[7] Com o sucesso de Thesouro Perdido, Mauro pôde ampliar sua produtora, rebatizada de Phebo Brasil, e desenvolver filmes de acordo com sua visão pessoal. Seu trabalho seguinte, Brasa Dormida, é uma bem-sucedida mistura de aventura e romance, com excelente aproveitamento dos cenários naturais, em que não falta uma excitante (para os padrões da época) cena erótica. Lançada em 1929, foi distribuída para todo o país.

Seu longa-metragem seguinte, seu último para a Phebo, Sangue Mineiro é considerado sua obra-prima em Cataguases. Lançado em julho de 1929, percorreu todo o país com sucesso de crítica e público. Aqui ele deixa de lado a aventura e faz um filme intimista, em que os únicos conflitos são os do coração.[7]

Mauro manteve estreitas ligações com poetas e escritores modernistas da época, especialmente com os integrantes do chamado Movimento Verde. Criado em Cataguases após a Semana de Arte Moderna de 1922, tinha como integrantes Rosário Fusco, Francisco Inácio Peixoto, Ascânio Lopes e Guilhermino César, dentre outros, que eram responsáveis pela edição da Revista Verde, um dos marcos da literatura modernista brasileira.[7]

Cinédia e sua obra-prima (1930-1936)

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Com o surgimento da Cinédia, em 1929 ele vai para o Rio de Janeiro e começa a trabalhar com Adhemar Gonzaga, dirigindo "Lábios sem beijos",[9] mostrando domínio na técnica do cinema falado.[7]

O sucesso desses filmes tornou a Cinédia o estúdio mais importante da época. Em 1931 foi lançado Mulher, na qual Mauro atuou como câmera, cabendo a direção a Octavio Gabus Mendes. Seu filme seguinte, Ganga Bruta, teve dificuldades na sua realização que se prolongou de 1931 a 1933. Era um filme de estrutura narrativa revolucionária para a época, com flashbacks e cortes rápidos.[7] Depois de dirigir a Voz do Carnaval (1933), seu primeiro musical considerado um semidocumentário, utilizando cenas reais, gravadas ao vivo e mescladas com cenas de estúdio, troca a Cinédia pela Brasil Vita Filmes em 1934, um estúdio fundado pela atriz Carmen Santos, estrela de vários filmes de Mauro. Na nova casa, fez Favela dos Meus Amores (1935), semi-documentário com imagens de um morro carioca, com a participação de uma escola de samba, a Portela, e Cidade Mulher (1936). Eis o que Ana Paula Galdini pesquisou e disse: Década de 30, cinematografia mais constante. Humberto Mauro destaca-se.[7]

Curtas-metragens de documentário para o INCE (1936-1952)

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Em 1936 a carreira de Humberto sofreu mudança, ele se rendeu ao documentário. A pedido do então ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, o professor Edgar Roquete Pinto criou o Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE) e convidou Humberto Mauro. Filmou mais de 300 documentários de curta[10], entre 1936 e 1964: Dia da Pátria, Lição de Taxidermia, Vacina contra Raiva, A Velha a Fiar e Higiene Doméstica, e, a série As Brasilianas, na qual registrou exibições de músicas folclóricas.[7]

Enquanto trabalhou no INCE, Mauro dirigiu apenas três longas metragens: O Descobrimento do Brasil (1937), com música de Villa-Lobos, Argila (1940) e Canto da Saudade (1952), onde também trabalha como ator, num papel secundário.[7]

Durante seus últimos anos de vida, Mauro foi a inspiração principal da geração do Cinema Novo. Nelson Pereira dos Santos e Glauber Rocha eram seus admiradores declarados. Mesmo sem dirigir, deu colaboração informal a cineastas como o próprio Nelson, para quem escreveu os diálogos em tupi de Como Era Gostoso o Meu Francês. Afastado do cinema desde 1974,[11] quando fez o curta-metragem "Carro de Bois", passou a viver em seu sítio Rancho Alegre, em Volta Grande, onde morreu, aos 86 anos, quase que completamente cego, após uma forte pneumonia.[7]

Vida pessoal

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Humberto Mauro é tio-avô do ator André Di Mauro e da atriz Cláudia Mauro.[7]

Filmografia

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Longas-metragens

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Curtas-metragens

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  • 1925 - Valadião, o Cratera
  • 1939 - Um Apólogo
  • 1940 - Bandeirantes
  • 1942 - O Dragãozinho Manso: Jonjoca
  • 1945 - O Segredo das Asas
  • 1945 - Brasilianas: Chuá-Chuá e Casinha Pequenina
  • 1947 - O Judas em Sábado de Aleluia
  • 1948 - Brasilianas: Azulão e Pinhal
  • 1954 - Brasilianas: Aboio e Cantigas
  • 1955 - Brasilianas: Engenhos e Usinas
  • 1955 - Brasilianas: Cantos de Trabalho
  • 1955 - Brasilianas: Manhã na Roça: O Carro de Bois
  • 1956 - Brasilianas: Meus Oito Anos
  • 1956 - O João de Barro
  • 1958 - São João Del Rei
  • 1964 - A Velha a Fiar
  • 1974 - Carro de Bois

Referências

  1. 1 2 Noronha, Jurandyr Dicionário Jurandyr Noronha de cinema brasileiro EMC Edições, 2008
  2. «7º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (1971)». Metrópole. Consultado em 19 de abril de 2026. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2025
  3. «FILMOGRAFIA - O CANTO DA SAUDADE : LENDA DO CARREIRO». /bases.cinemateca.org.br. Consultado em 10 de julho de 2026
  4. Araújo, Inácio (3 de junho de 1996). «Cineasta já foi chamado 'Freud de Cascadura'». Folha de São Paulo. Consultado em 10 de julho de 2026
  5. HUMBERTO Mauro. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/4500-humberto-mauro. Acesso em: 10 de julho de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7
  6. «Humberto Mauro, um brasileiro». Fundação Maurício Grabois. 13 de dezembro de 2016. Consultado em 21 de junho de 2026
  7. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 André Di Mauro: Humberto Mauro - O Pai do Cinema Brasileiro, Editora Ideias Ideais, Rio de Janeiro, 1996.
  8. GOMES, Paulo Emílio (1974). Humberto Mauro, Cataguases, Cinearte. São Paulo: Perspectiva, ed. da Universidade de São Paulo. pp. 133–135
  9. SADOUL, Georges (1963). História do cinema mundial. Vol I. São Paulo: Livraria Martins Editora, 1963. pp. 499-503. pp. 499–503
  10. «O filme "O descobrimento do Brasil" e sua relação com a cultura histórica dos anos 30». Jusbrasil. Consultado em 29 de abril de 2021
  11. SUGIMOTO, Luiz, Os Brasis do mais brasileiro dos cineastas in "Jornal da Unicamp", acesso a 4 de Maio de 2007

Bibliografia

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  • Paulo Emílio Sales Gomes: Humberto Mauro - Cataguases - cinearte. Editores Perspectiva, São Paulo 1974.
  • Ronaldo Werneck: Kiryrí Rendáua Toribóca Opé - Humberto Mauro Revisto por Ronaldo Werneck, Editora Arte Pau Brasil, São Paulo, 2009.

Ligações externas

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