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Estreito de Ormuz

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Mapa do estreito de Ormuz

O Estreito de Ormuz[1] ou Hormuz[2] (em persa: تنگهٔ هرمز) é uma via marítima entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã. Na costa norte situa-se o Irã, e na costa sul situa-se a Península de Musandam, compartilhada pelos Emirados Árabes Unidos e pela Província de Musandam, um exclave de Omã. O estreito tem cerca de 167 quilômetros (104 milhas; 90 milhas náuticas) de extensão, com uma largura que varia de aproximadamente 97 quilômetros (60 milhas terrestres; 52 milhas náuticas) a 39 quilômetros (24 milhas; 21 milhas náuticas).[3][4]

Ele fornece a única passagem marítima do Golfo Pérsico para o oceano aberto e é um dos pontos de estrangulamento estrategicamente mais importantes do mundo.[5] Durante o período de 2023–2025, 20% do gás natural liquefeito (GNL) mundial e 25% do comércio de petróleo transportado por via marítima passaram anualmente pelo estreito. É uma importante fonte de produtos petrolíferos para a Europa e a Ásia e foi descrito como "crítico" para a segurança energética da Europa.[6] É também a única rota marítima para vários países do Golfo, incluindo Catar, Kuwait e Bahrein, e uma interrupção no estreito pode causar grave escassez de abastecimento.[7]

O estreito tradicionalmente nunca foi fechado por longos períodos durante os conflitos no Oriente Médio (ao contrário dos Estreitos de Tiran/Bab-el-Mandeb),[8] embora o Irã tenha ocasionalmente ameaçado fechar o estreito,[9][10] e preparativos para miná-lo tenham sido realizados.[11] O estreito tornou-se um foco importante durante a guerra do Irã em 2026, resultando na crise do Estreito de Ormuz.[12]

Situação estratégica das ilhas

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O estreito de Ormuz visto do espaço. NASA

Próximo da costa norte situam-se algumas ilhas, que incluem Kish, Queixome, Abu Musa e as Tunbs Maior e Menor. Essas ilhas têm posições estratégicas enormes, funcionando com plataformas de controle do tráfego marítimo, além disso, a importância estratégica do estreito se deve principalmente por ser uma importante rota de escoamento de petróleo oriundo dos países árabes produtores da região, por donde transita entre um terço e 40% do tráfego marítimo petroleiro mundial.[13][14]

Etimologia

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A abertura do Golfo Pérsico foi descrita, mas não denominada, no Périplo do Mar da Eritreia, um guia marítimo do século I:

Cap.35. No final dessas ilhas Caleis existe uma cadeia de montanhas chamada Calon, e lá segue-se, não muito além, a boca do golfo Pérsico, onde há muito mergulho para os pescadores de pérolas e mariscos. À esquerda dos estreitos há grandes montanhas chamadas Asabon, e à direita crescem, bem à vista, outras montanhas arredondadas e altas, chamadas Semiramis; entre elas, a passagem através do estreito tem aproximadamente 600 estádios; além dos quais aquele grande e largo mar, o golfo Pérsico, avança longe no interior (das terras). Na parte superior e final deste golfo há uma cidade mercantil, designada pela lei, chamada Apólogo, situada perto de Cárax Espasinu e do rio Eufrates.

Existem duas opiniões sobre a etimologia deste nome. Segundo a crença popular, deriva do nome do deus persa هرمز (Ormoz, uma variação de Ahura Mazda).[15] Outros historiadores e linguistas derivam o nome Ormuz da palavra persa local هورمغ (hur-mogh) significando tamareira. Na realidade, nos dialetos locais de Hurmoz e Minab este estreito ainda é chamado Hurmogh e tem o significado acima mencionado.

Palco de incidentes

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Em uma conferência à imprensa em 18 de dezembro de 1997, O ministro do exterior e deputado iraniano Abbas Maleki disse que o Irã apoiava o livre transporte de petróleo através do estreito de Ormuz, mas se reservava a opção de fechar o estreito ao tráfego marítimo se o Irã estivesse ameaçado.

Em 3 de julho de 1988, o estreito de Ormuz foi palco de uma das mais controversas tragédias da aviação da História, quando o vôo 655 da companhia iraniana Iran Air, um Airbus A300, foi abatido por um navio de guerra da marinha americana, o USS Vincennes (CG-49). Todas as 290 pessoas a bordo morreram.

O incidente aconteceu por uma sequência de erros da tripulação do navio americano. Em um contexto de guerra (final da Guerra Irã-Iraque) vários navios civis e militares já haviam sido atacados pelos dois lados, inclusive outros navios militares americanos. Naquele dia o USS Vincennes foi atacado por barcos patrulha Iranianos, e entrou em combate com os mesmos. O Airbus iraniano foi erroneamente confundido pela tripulação como um caça F-14 da Força Aérea Iraniana supostamente iniciando aproximação para ataque. Foram laçados dois misseis SM-2MR que atingiram e derrubaram a aeronave civil matando todos os seus ocupantes.

Em 1996, os EUA pagaram US$ 68.1 milhões como indenização as famílias das vítimas. O comandante do navio, William C. Rogers III, foi afastado do comando de navios e tornou-se instrutor em terra.

Em março de 2007, mais um incidente envolvendo o Irã acabou afetando também a marinha britânica: quinze marinheiros ingleses foram capturados por lanchas iranianas na região, sendo libertados apenas 2 semanas depois.

Um incidente internacional ocorrido no estreito às 5h da madrugada de 6 de Janeiro de 2008, envolvendo cinco lanchas da Guarda Revolucionária Iraniana e três embarcações americanas, pioraram a relação entre Irã e EUA: as lanchas, em águas territoriais iranianas, rodearam um destróier, uma fragata e um cruzador americano, movimentando-se a apenas 180 metros de distância, e alegadamente lançaram caixotes na água em frente aos navios, obrigando-os a manobras evasivas, além de supostamente fazerem provocações via rádio, como por exemplo: "Vamos atacar-vos, vamos fazer-vos explodir dentro de alguns minutos". As autoridades americanas vieram a reconhecer posteriormente que as tais ditas ameaças via VHF não teriam origem nas lanchas iranianas.

O porta-voz da Defesa iraniana, Mohammad Ali Hosseini, citado pela agência oficial Irna, qualificou o fato de "comum".

No dia 14 de junho, o Irão amaeçou bloquear o estreito em resposta a ataques israelistas contra a sua infraestrutura militar e nuclear.[16][17] O jornal britânico Financial Times reportou que essa ação poderia fazer que os preços do petróleo disparassem mais do que os recentes aumentos de 7-14%, possivelmente ultrapassando os US$100 a US$150 por barril.[18] Esses aumentos provavelmente iriam causar uma inflação global e contribuir para uma crise económica. Analistas enfatizaram a vulnerabilidade de exportadores regionais, notando que "a Arábia Saudita, o Kuwait, o Iraque, e o Irão estão totalmente presos em uma pequena passagem para exportações". Pelo estreito se movimentam 18 a 19 milhões de barris, cerca de 20% do consumo de petróleo global, incluindo crude, condensados, e combustível.[19][20] Analistas tem alertado que o Irão poderia sofrer consequências severas por qualquer tentativa de bloquear o estreito. "A economia iraniana depende fortemente na passagem livre de mercadorias e de embarcações pelo mar, já que as suas exportações petrolíferas são inteiramente feitas pelo mar", analistas da JP Morgan afirmaram. Fechar o estreito poderia acabar o acordo energético entre o Irão e a China, que é o seu maior comprador de petróleo.[19][21]

Após os ataques americanos em centrais nucleares iranianas no dia 22 de junho, o Parlamento Iraniano votou a favor de fechar o estreito.[22] A decisão final ficou com, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão. O comandante da Guarda Revolucionária Iraniana Esmaeil Kousari [en] confirmou que tal ação seria exacutada "quando necessária", para proteger a soberania nacional, e travar mais ataques estrangeiros.[23]

Referências

  1. Gonçalves, Rebelo (1947). Tratado de Ortografia da Língua Portuguesa. Coimbra: Atlântida - Livraria Editora. p. 59
  2. «Irã nunca tentou fechar estreito de Hormuz, diz ministro». www1.folha.uol.com.br
  3. Jon M. Van Dyke (2 de outubro de 2008). «Transit Passage Through International Straits» (PDF). The Future of Ocean Regime-Building. [S.l.]: University of Hawaii. p. 216. ISBN 9789004172678. doi:10.1163/ej.9789004172678.i-786.50. Consultado em 6 de julho de 2019. Cópia arquivada (PDF) em 7 de agosto de 2020
  4. «The Strait of Hormuz is the world's most important oil transit chokepoint». U.S. Energy Information Administration. 4 de janeiro de 2012. Consultado em 11 de setembro de 2018. Cópia arquivada em 11 de setembro de 2018
  5. Viktor Katona. «How Iran Plans To Bypass The World's Main Oil Chokepoint». Oilprice.com. Consultado em 11 de setembro de 2018. Cópia arquivada em 11 de setembro de 2018
  6. «Why is the Strait of Hormuz critical to Europe?». euronews (em inglês). 16 de março de 2026. Consultado em 18 de março de 2026
  7. Surucu-Balci, Ebru; Balci, Gokcay (4 de março de 2026). «Strait of Hormuz: Gulf states' food security is at immediate risk but wider shortages could push up consumer prices globally». The Conversation (em inglês). Consultado em 18 de março de 2026
  8. «Oil Prices Jump, But Middle East Oil Keeps Flowing Uninterrupted». OilPrice.com. 17 de junho de 2025
  9. Altman, Howard (14 de junho de 2025). «Could Iran Carry Out Its Threat To Shut Down The Strait Of Hormuz?». The War Zone (em inglês). Consultado em 15 de junho de 2025
  10. «Iran Releases Tanker It Seized From the Strait of Hormuz» (em inglês). 19 de novembro de 2025. Consultado em 28 de novembro de 2025
  11. Slattery, Gram; Stewart, Phil; Slattery, Gram; Stewart, Phil (1 de julho de 2025). «Exclusive: Iran made preparations to mine the Strait of Hormuz, US sources say». Reuters (em inglês). Consultado em 3 de julho de 2025
  12. Sinha, Aditya (25 de fevereiro de 2026). «Why Hormuz, not Fordow, is the real centre of gravity in the Iran crisis». First Post. Consultado em 18 de março de 2026
  13. «Why the Strait of Hormuz matters so much in the Iran war» (em inglês). BBC. Consultado em 8 de abril de 2026
  14. «Strait of Hormuz– Factsheet» (em inglês). Agência Internacional de Energia. Consultado em 8 de abril de 2026
  15. Chakrabarty, Roshni (4 de março de 2026). «How did the Strait of Hormuz get its name? Here's the real origin story». India Today (em inglês). Consultado em 12 de abril de 2026
  16. Altman, Howard (14 de junho de 2025). «Could Iran Carry Out Its Threat To Shut Down The Strait Of Hormuz?». The War Zone (em inglês). Consultado em 23 de março de 2026
  17. «Oil settles up 7% as Israel, Iran trade air strikes». Arab News (em inglês). 14 de junho de 2025. Consultado em 23 de março de 2026
  18. Liputan6.com (23 de junho de 2025). «Prediksi Harga Minyak Dunia Jika Iran Tutup Selat Hormuz». liputan6.com (em indonésio). Consultado em 23 de março de 2026
  19. 1 2 Seba, Erwin (14 de junho de 2025). «Oil settles up 7% as Israel, Iran trade air strikes». Reuters. Consultado em 23 de março de 2026
  20. «Oil in the new age of volatility». www.ft.com (em inglês). Consultado em 23 de março de 2026. Cópia arquivada em 11 de outubro de 2025
  21. Wearden, Graeme (13 de junho de 2025). «Oil surges after Israel's attack on Iran, risking 'stagflationary shock' – as it happened». the Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077
  22. «Iran to decide on Strait of Hormuz closure after parliament reportedly backs move». Al Arabiya English (em inglês). 22 de junho de 2025. Consultado em 23 de março de 2026
  23. Desk, India Today World (22 de junho de 2025). «Iran to block Strait of Hormuz after US strikes. Why it matters». India Today (em inglês). Consultado em 23 de março de 2026

Bibliografia

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Ligações externas

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