Edith Eger
| Edith Eger | |
|---|---|
| Conhecido(a) por | sobrevivente do Holocausto |
| Nascimento | |
| Morte | |
| Cônjuge | Béla Eger |
| Alma mater | Universidade do Texas em El Paso (doutorado) |
| Ocupação | Psicóloga clínica, escritora |
Edith Eva Eger (Košice, 29 de setembro de 1927 – San Diego, 27 de abril de 2026) foi uma psicóloga norte-americana nascida na antiga Tchecoslováquia, sobrevivente do Holocausto e especialista no tratamento do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
Sua autobiografia, The Choice: Embrace the Possible, publicada em 2017, tornou-se um best-seller internacional. Seu segundo livro, intitulado The Gift: 12 Lessons to Save Your Life, foi lançado em setembro de 2020. Em 2024, publicou seu terceiro livro, The Ballerina of Auschwitz.[1][2]
Biografia
[editar | editar código]Edith Eger nasceu em Kosice, na então Tchecoslováquia, em 1927.[3] Foi a filha mais nova de Lajos, um alfaiate, e de Ilona Elefánt. Na juventude, Eger estudou em um ginásio para meninas e teve aulas de balé. Era também integrante da equipe olímpica húngara de ginástica. No entanto, em 1942, após a implementação de novas leis antissemitas pelo governo da Hungria, foi expulsa da equipe por ser judia. Sua irmã mais velha, Klara, era violinista e foi admitida no Conservatório de Budapeste. Durante a guerra, Klara conseguiu se esconder com a ajuda de seu professor de música. Já a irmã Magda era pianista.[1][4]
Segunda Guerra Mundial
[editar | editar código]Em março de 1944, após a ocupação alemã da Hungria, Edith, seus pais e Magda foram obrigados a se mudar para o gueto de Kassa. No mês seguinte, passaram cerca de um mês confinados com outros 12 mil judeus em uma fábrica de tijolos. Em maio daquele ano, foram deportados para Auschwitz. Lá, Edith foi separada da mãe por Josef Mengele; sua mãe foi assassinada nas câmaras de gás. Em suas memórias, Edith relata que, naquela mesma noite, Mengele a fez dançar para ele em seu barracão. Como “agradecimento”, ela recebeu um pão, que dividiu com outras prisioneiras.[5][6][7]
Segundo suas lembranças, Edith passou por diversos campos de concentração, incluindo Mauthausen.[7] À medida que as tropas americanas e soviéticas se aproximavam, os nazistas evacuaram Mauthausen e outros campos. Edith e Magda foram forçadas a uma marcha da morte rumo ao campo de Gunskirchen, percorrendo cerca de 55 quilômetros.[8] Quando Edith não conseguiu mais andar, exausta, uma das garotas com quem ela havia dividido o pão de Mengele a reconheceu e a ajudou a continuar, junto com Magda. As condições em Gunskirchen eram tão extremas que Edith precisou comer grama para sobreviver, enquanto alguns prisioneiros recorreram ao canibalismo.[9] Quando o Exército dos Estados Unidos libertou o campo, em maio de 1945, Edith foi encontrada entre corpos sem vida, considerada morta. Um soldado notou o movimento de sua mão e chamou ajuda médica, salvando sua vida. Na época, ela pesava apenas 32 quilos, estava com a coluna fraturada, com febre tifoide, pneumonia e pleurisia.[1][6]
Durante seu tempo nos campos, Edith tentava inspirar as pessoas ao seu redor a enxergar a vida "de dentro para fora", refletindo sobre o próprio mundo interior. Para ela, a felicidade não vem de fora, mas de dentro de cada um, e essa mudança de perspectiva transforma também a maneira como se enxerga o mundo. Outro princípio que cultivava era o realismo, em vez de ilusões idealistas. Sua profunda fé nos campos a levava a rezar até mesmo pelos guardas nazistas, que, segundo ela, também eram prisioneiros, vítimas de lavagem cerebral.[10]
| “ | Os guardas nazistas também eram prisioneiros. Eu rezava por eles. Transformei o ódio em compaixão. Nunca disse a eles que estavam passando os dias matando pessoas. Que tipo de vida era aquela para eles? Tinham sido doutrinados. Sua juventude lhes havia sido roubada.[11] | ” |
Depois da guerra
[editar | editar código]Edith e Magda se recuperaram em hospitais de campanha norte-americanos e retornaram a Kassa, onde reencontraram a irmã Klara. Seus pais e o noivo de Edith, Eric, não sobreviveram a Auschwitz. No hospital, ela conheceu Béla (Albert) Eger, também judeu e sobrevivente do Holocausto, que havia se juntado aos partisans durante a guerra. Em 1949, após receberem ameaças do regime comunista, o casal fugiu para o Texas, nos Estados Unidos, junto com a filha Marianne. Lá, Edith enfrentou o trauma da guerra e a culpa do sobrevivente, evitando falar sobre o passado com seus três filhos.[1]
Com o tempo, Edith tornou-se amiga de Viktor Frankl, iniciou terapia e concluiu o doutorado em Psicologia Clínica pela Universidade do Texas em El Paso, em 1978. Obteve também a licença para atuar como psicóloga. Estabeleceu uma clínica de terapia em La Jolla, na Califórnia, e passou a integrar o corpo docente da Universidade da Califórnia em San Diego.[1]
Em 1990, Edith retornou a Auschwitz para confrontar emoções reprimidas. Incentivada por Philip Zimbardo, publicou suas memórias no livro The Choice: Embrace the Possible, lançado em 2017.[10]
Como psicóloga, Edith ajuda seus pacientes a se libertarem dos próprios pensamentos limitantes e a, enfim, escolherem a liberdade. The Choice tornou-se best-seller do New York Times e do Sunday Times. Em seu segundo livro, The Gift: 12 Lessons to Save Your Life (2020), ela encoraja o leitor a transformar os pensamentos que nos aprisionam e os comportamentos destrutivos que nos impedem de avançar. Segundo Eger, o mais importante na vida não é o que nos acontece, mas o que escolhemos fazer com isso.[12][13]
Edith Eger participou de programas como CNN e The Oprah Winfrey Show.[1]
Morreu no dia 27 de abril de 2026, aos 98 anos.[14]
Família
[editar | editar código]A família Eger teve mais dois filhos depois de se mudarem para os Estados Unidos. Sua filha Marianne é casada com Robert Engle, economista laureado com o Nobel de Economia. Béla Eger morreu em 1993.[15]
Publicações
[editar | editar código]- The Choice – Embrace the Possible. Scribner, 2017, ISBN 9781501130786
- The Gift – 12 Lessons to Save Your Life. Ebury Publishing, 2020, ISBN 9781846046278 (pt:O que Aprendi em Auschwitz - 12 lições para mudar a sua vida)
- The Ballerina of Auschwitz. Rider & Co, 2024, ISBN 9781846047817 (pt/br: 'A bailarina de Auschwitz)[16]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 «Mind power in Auschwitz – and healing decades later». The Guardian. 2 de setembro de 2018. Consultado em 29 de junho de 2025
- ↑ «How to Break Free From Your Mental Prisons, With Psychologist Dr. Edith Eger». Lifehacker Australia. Consultado em 29 de junho de 2025
- ↑ Marci Jenkins (14 de agosto de 1992). «Oral history interview with Edith Eva Eger». United States Holocaust Memorial Museum. Consultado em 29 de junho de 2025
- ↑ Marina Wentzel (ed.). «'Não existe perdão sem cólera': as memórias da 'bailarina de Auschwitz'». BBC. Consultado em 29 de junho de 2025
- ↑ «Holocaust-overlevende Edith Eger vertelt over donkere tijd». KRO-NCRV. Consultado em 29 de junho de 2025
- 1 2 Lori Gottlieb (6 de outubro de 2017). «What a Survivor of Auschwitz Learned From the Trauma of Others». The New York Times. Consultado em 29 de junho de 2025
- 1 2 «Eger, Dr. Edith». El Paso Holocaust Museum. 31 de agosto de 2017. Consultado em 29 de junho de 2025
- ↑ Antoinette Scheulderman (2017). «De ballerina van Auschwitz» (em neerlandês). de Volkskrant Kijk Verder. Consultado em 29 de junho de 2025
- ↑ «Dr. Edith Eger: 'A dialogue with Edie'». De School voor Transitie. Consultado em 29 de junho de 2025
- 1 2 Ykje Vriesinga (9 de outubro de 2020). «Auschwitz-overlevende Edith Eger: 'Mijn wens is gelukkig te sterven'» (em neerlandês). NRC Handelsblad. Consultado em 29 de junho de 2025
- ↑ «'They sent my mother to the gas chamber and I blamed myself': How Auschwitz survivor Edith Eger rebuilt her life». Belfast Telegraph. 5 de setembro de 2020. Consultado em 29 de junho de 2025. Cópia arquivada em 29 de junho de 2025
- ↑ Melissa Simon (1 de setembro de 2020). «NYT Bestselling Author and Holocaust Survivor Edith Eger on Her Self-Help Book 'The Gift'». Jewish Journal. Consultado em 29 de junho de 2025
- ↑ «The Sunday Times Bestsellers, February 17». The Sunday Times. 17 de fevereiro de 2019. Consultado em 29 de junho de 2025
- ↑ «Edith Eva Eger, writer, psychologist, and Holocaust survivor dies». telex (em húngaro). 28 de abril de 2026. Consultado em 28 de abril de 2026
- ↑ «Eger, Albert». El Paso Holocaust Museum. 31 de agosto de 2017. Consultado em 29 de junho de 2025
- ↑ «Edith Eger». Wook. Consultado em 28 de abril de 2026