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Cal Ripken Jr.

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Cal Ripken Jr.
Cal Ripken Jr.
Informações pessoais
Nome completo Calvin Edwin Ripken Jr.
Apelido Iron Man (“Homem de Ferro”)
Posição interbases e terceira-base
Rebate: Direito Lança: Direito
Clubes principais
1981–2001
Estados Unidos Baltimore Orioles
Estatísticas
Rebatidas 3184
Aproveitamento 27,6%
Corridas impulsionadas 1695
Home Runs 431
Bases roubadas 36
Corridas anotadas 1647
Strikeouts 1305

Calvin Edwin Ripken Jr. (Havre de Grace, 24 de agosto de 1960), apelidado de "Iron Man" ("Homem de Ferro"), é um ex-jogador profissional de beisebol dos Estados Unidos que atuou como shortstop e terceira base durante toda a sua carreira de 21 temporadas na Major League Baseball (MLB) pelo Baltimore Orioles, entre 1981 e 2001.[1] Considerado um dos jogadores ofensivos mais produtivos de sua posição, acumulou 3.184 rebatidas, 431 home runs, 1.695 corridas impulsionadas (RBIs) e conquistou dois Gold Glove Awards por seu desempenho defensivo. Foi selecionado para o All-Star Game da MLB em 19 ocasiões e recebeu o Prêmio de MVP da MLB da Liga Americana (AL) duas vezes, em 1983 e 1991.

Ripken detém o recorde de jogos consecutivos disputados na MLB, com 2.632 partidas, superando a marca de 2.130 jogos estabelecida por Lou Gehrig, que permaneceu intacta por 56 anos e era considerada por muitos inalcançável. Em 2007, foi eleito para o National Baseball Hall of Fame em seu primeiro ano de elegibilidade, recebendo 98,53% dos votos — o sexto maior percentual de aprovação da história até então.

Ele foi selecionado pelo Baltimore Orioles na segunda rodada do Draft da MLB de 1978. Estreou nas ligas principais em 1981 como shortstop, foi transferido para a terceira base em 1982 e, no ano seguinte, retornou à posição de shortstop, onde permaneceria durante a maior parte de sua carreira. Em 1982, conquistou o prêmio de Novato do Ano da Liga Americana, dando início à sua histórica sequência de jogos consecutivos. Em 1983, ajudou o Orioles a conquistar a World Series e recebeu seu primeiro prêmio de MVP da Liga Americana. Um de seus melhores desempenhos ocorreu em 1991, quando foi convocado para o All-Star Game, venceu o Home Run Derby, foi eleito o MVP do All-Star Game, conquistou seu segundo prêmio de MVP da Liga Americana e recebeu seu primeiro Gold Glove Award. Em sua temporada de despedida, em 2001, foi novamente eleito MVP do All-Star Game e recebeu o Commissioner's Historic Achievement Award.

Ripken é amplamente considerado um dos maiores shortstops da história do beisebol. Com 1,93 m de altura e 102 kg, ajudou a redefinir a posição ao demonstrar que jogadores mais altos e fortes também podiam atuar com sucesso como shortstops. Também detém o recorde de mais home runs rebatidos por um shortstop, com 345.

Primeiros anos

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Calvin Edwin Ripken Jr. nasceu em 24 de agosto de 1960, em Havre de Grace, Maryland. É filho de Violet Roberta "Vi" Ripken e de Cal Ripken Sr. Possui ascendência alemã, inglesa e irlandesa.[2][3] Embora a família Ripken considerasse Aberdeen, Maryland, como sua cidade natal, mudava-se frequentemente devido às funções de treinador exercidas por Cal Sr. no Baltimore Orioles. Quando Ripken Jr. nasceu, seu pai estava em Topeka, Kansas, acompanhando uma das equipes que treinava.

Ripken cresceu em meio ao ambiente do beisebol e começou a praticar o esporte ainda muito jovem. Recebeu orientação de jogadores das equipes treinadas por seu pai, especialmente de Doug DeCinces. Também costumava receber conselhos de Cal Sr., que certa vez comentou com sua esposa que as perguntas feitas pelo filho eram melhores do que as dos jornalistas. Aos três anos de idade, Ripken já dizia que queria se tornar jogador de beisebol e, aos dez, demonstrava profundo conhecimento sobre o esporte. Ripken e seu irmão Billy estudaram na Aberdeen High School, onde ambos integraram a equipe de beisebol. Cal também praticou futebol. O casal Cal Sr. e Vi teve ainda outros dois filhos, Ellen e Fred.

No ensino médio, Ripken iniciou sua trajetória esportiva como segunda base. Seu treinador cogitou transferi-lo para a posição de shortstop, mas tinha dúvidas sobre a força de seu braço. Apesar dessas reservas, Ripken passou a atuar como shortstop em seu segundo ano, destacando-se pela solidez defensiva e liderando a equipe com dez corridas impulsionadas (RBIs).

Precisando reforçar seu corpo de arremessadores, os Aberdeen Eagles também passaram a utilizá-lo como pitcher em seu terceiro ano. Ripken respondeu com 55 eliminações por strikeout em 46⅓ entradas, registrando ainda três jogos completos sem permitir corridas. No ataque, manteve média de rebatidas de 0,339, com 21 rebatidas e nove corridas impulsionadas. Seu desempenho lhe rendeu o prêmio de MVP do Condado de Harford, além de contribuir para que Aberdeen conquistasse o título do condado pela primeira vez desde 1959. Em seu último ano escolar, voltou a se destacar. Em determinado momento da temporada, alcançou média de rebatidas de 0,688 e registrou média de corridas merecidas (ERA) de 0,79, com 45 strikeouts nas primeiras 26 entradas arremessadas. Nos playoffs estaduais, Ripken foi o arremessador titular da partida decisiva contra a Thomas Stone High School. Com os Eagles perdendo por 3 a 1, percebeu que uma forte chuva se aproximava e que o jogo seria cancelado e reiniciado caso a quarta entrada não fosse concluída. Para garantir isso, fez nove arremessos consecutivos para a primeira base, prolongando a entrada até que a partida fosse suspensa. Na semana seguinte, quando o confronto foi reiniciado, Ripken dominou completamente o adversário. Eliminou 17 rebatedores por strikeout, cedeu apenas duas rebatidas e completou toda a partida, conduzindo Aberdeen à vitória por 7 a 1 e ao título estadual. Na decisão, realizou 102 arremessos.[4]

Carreira profissional

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Draft e ligas menores

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O Baltimore Orioles selecionou Ripken na segunda rodada do Draft da Major League Baseball de 1978, com a 48.ª escolha geral.[5] Sobre sua decisão de ingressar diretamente no beisebol profissional após concluir o ensino médio, Ripken afirmou: "Quando as universidades começaram a me recrutar, meu pai e eu conversamos principalmente sobre a possibilidade de seguir uma carreira no beisebol. Pensamos que, se eu tivesse capacidade, deveria tentar imediatamente. Caso não desse certo, ainda poderia voltar para a faculdade aos 25 ou 26 anos." Entre as equipes interessadas em contratá-lo, o Orioles foi a única que enxergou seu potencial além da função de arremessador. A organização decidiu utilizá-lo inicialmente como shortstop nas ligas menores, entendendo que seria mais fácil convertê-lo novamente em pitcher no futuro, caso necessário, do que fazê-lo desenvolver suas habilidades ofensivas posteriormente.

Em 1978, para iniciar sua carreira profissional, Ripken foi designado ao Bluefield Orioles, equipe da Appalachian League de nível rookie.[6] Na temporada, registrou média de rebatidas de 0,264, com 63 rebatidas, nenhum home run e 24 corridas impulsionadas (RBIs), desempenho que não foi suficiente para colocá-lo na seleção de novatos da liga.

Em 1979, foi promovido ao Miami Orioles, da Florida State League, uma liga de nível Single-A.[7] Pouco depois do início da temporada, o técnico decidiu transferi-lo para a terceira base, justificando que Ripken enfrentava algumas dificuldades defensivas como shortstop e que a nova posição seria mais adequada tanto para o jogador quanto para a equipe. Em 2 de julho, Ripken rebateu o primeiro home run de sua carreira profissional, uma rebatida decisiva na 12.ª entrada da vitória sobre o West Palm Beach Expos.[8] Ao longo da temporada, obteve média de rebatidas de 0,303, com cinco home runs, liderou a liga com 28 rebatidas duplas, impulsionou 54 corridas e participou dos 105 jogos da equipe. Seu desempenho lhe garantiu uma convocação para o All-Star Game da liga e uma breve promoção ao Charlotte Orioles, da Southern League, de nível Double-A. Em um mês na equipe, registrou média de rebatidas de 0,180, mas conseguiu rebater três home runs.

Ripken iniciou a temporada de 1980 pelo Charlotte Orioles. Seu técnico previu que ele quebraria o recorde de home runs da franquia, previsão que se confirmou ao final da temporada. Ripken encerrou o ano com 25 home runs, quatro a mais que a antiga marca da equipe. Também registrou 28 rebatidas duplas, 78 corridas impulsionadas (RBIs) e percentual de slugging de 0,492. Foi novamente selecionado para o All-Star Game e ajudou Charlotte a conquistar o título da Southern League.[9]

Em 1981, Ripken foi incluído no elenco de 40 jogadores do Baltimore Orioles. Participou do treinamento de primavera da equipe principal, mas iniciou a temporada no Rochester Red Wings, da International League, de nível Triple-A. Enquanto defendia Rochester, participou da partida mais longa da história do beisebol profissional. Atuando como terceira base, permaneceu em campo durante todas as 33 entradas do confronto contra o Pawtucket Red Sox — equipe que contava com outro futuro integrante do Hall da Fama, Wade Boggs — em um jogo disputado ao longo de três dias.[10][11] Naquela temporada, Ripken disputou 114 partidas pelo Rochester, registrando média de rebatidas de 0,288, com 23 home runs e 75 corridas impulsionadas. Ao final do ano, foi eleito o Novato do Ano da International League.

Baltimore Orioles (1981–2001)

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1981–1986

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Cal Ripken Sr. e Jr. em 1982

Os Orioles planejavam manter Ripken no Rochester durante toda a temporada de 1981, mas, em busca de melhorias para a segunda metade do campeonato, promoveram o jogador à equipe principal em 7 de agosto. O técnico Earl Weaver pretendia utilizá-lo como infielder utilitário, substituindo Wayne Krenchicki, que havia sido enviado de volta às ligas menores para abrir espaço no elenco. Ripken estreou na MLB em 10 de agosto em uma partida contra o Kansas City Royals.[12] Seu primeiro hit nas ligas principais ocorreu seis dias depois, diante do arremessador Dennis Lamp, do Chicago White Sox.[13] Ao final da temporada, registrou média de rebatidas de 0,182, sem nenhuma rebatida extrabase, enquanto os Orioles terminaram a segunda metade da temporada na quarta colocação.[14]

Em 1982, Ripken assumiu a posição de terceira base titular após a troca de Doug DeCinces antes do início da temporada. Em sua primeira vez ao bastão na estreia dos Orioles, rebateu um home run contra Dennis Leonard, do Royals, em uma partida na qual conseguiu três rebatidas.[15] No entanto, começou o campeonato em má fase e apresentava média de apenas 0,118 até 1º de maio. Em busca de melhorar seu desempenho, procurou orientação de diversos jogadores e treinadores da equipe, mas atribuiu maior importância ao conselho recebido de Reggie Jackson: "Apenas saiba o que você é capaz de fazer, não o que os outros dizem que você deve fazer."

Após esse início difícil, Ripken teve excelente desempenho no restante da temporada. Em 29 de maio, ficou de fora do segundo jogo de uma rodada dupla, a última vez que não participou de uma partida até 1998. Em 1º de julho, Earl Weaver decidiu transferi-lo definitivamente para a posição de shortstop, argumentando que era mais difícil encontrar um shortstop com boa capacidade ofensiva do que um terceira base com essas características. Weaver comentou: "Nunca se sabe. Rip pode se tornar um grande shortstop." Naquele ano, Ripken rebateu 28 home runs e conquistou o prêmio de Novato do Ano da Liga Americana.[16] Com sua contribuição, os Orioles permaneceram na disputa por uma vaga nos playoffs até o último dia da temporada, quando foram eliminados pelo Milwaukee Brewers.[17]

Em 1983, Ripken elevou ainda mais seu nível de atuação e teve uma das melhores temporadas de sua carreira. Destacou-se durante todo o campeonato e conquistou a primeira de suas 19 convocações para o All-Star Game.[18] Seu companheiro de quarto, Rick Dempsey, avaliou sua evolução afirmando que muitos arremessadores tentaram explorar ajustes contra ele após 1982, mas Ripken trabalhou intensamente para neutralizar essas mudanças. Ao final da temporada, estabeleceu recordes da franquia para um shortstop em corridas impulsionadas (102) e recorde geral dos Orioles em número de rebatidas (211). Liderou toda a MLB em rebatidas e rebatidas duplas (47), além de terminar na liderança da Liga Americana em corridas anotadas (121). Defensivamente, liderou a liga entre os shortstops em percentual de defesa (0,970), assistências (534) e jogadas duplas (111), embora não tenha recebido o Gold Glove Award.[19] Depois da temporada, foi eleito o MVP da Liga Americana, após registrar média de rebatidas de 0,318 e 27 home runs.[20] Tornou-se o primeiro jogador da história da MLB a conquistar, em temporadas consecutivas, os prêmios de Novato do Ano e de MVP.

Também em 1983, Ripken disputou os playoffs pela primeira vez, com os Orioles conquistando o título da Divisão Leste da Liga Americana. A equipe derrotou o Chicago White Sox na American League Championship Series (ALCS) e, em seguida, venceu o Philadelphia Phillies por quatro jogos a um na World Series de 1983.[21] Embora tenha registrado média de apenas 0,167 na série, sem home runs e com apenas um RBI, destacou-se defensivamente como shortstop, realizando diversas jogadas importantes, incluindo a eliminação final da World Series, em uma line drive rebatida por Garry Maddox no quinto jogo.

Antes da temporada de 1984, Ripken assinou um contrato de quatro anos avaliado em cerca de US$ 4 milhões (aproximadamente US$ 1 milhão por temporada), o maior já concedido pelos Orioles a um jogador de sua idade.[22] Naquele ano, foi novamente convocado para o All-Star Game. Em campo, registrou mais uma excelente temporada, com média de rebatidas de 0,304, 27 home runs, 86 RBI e 103 corridas anotadas.[23] Embora novamente não tenha conquistado o Gold Glove Award, estabeleceu um recorde da Liga Americana ao registrar 583 assistências. Apesar de terminar a temporada com campanha positiva, os Orioles ficaram apenas na quinta colocação.

A sequência de jogos consecutivos de Ripken esteve perto de terminar em 1985. Na segunda partida da temporada, contra o Texas Rangers, ele sofreu uma torção no tornozelo durante uma jogada defensiva. Concluiu o jogo, mas o médico Charles Silverstein determinou que permanecesse em repouso por 24 horas. Como os Orioles não tinham partidas programadas no dia seguinte, Ripken conseguiu retornar normalmente ao time no compromisso seguinte, preservando sua sequência. Durante aquela temporada, foi comandado por seu próprio pai, Cal Ripken Sr., que assumiu interinamente o cargo de treinador em uma partida realizada em 14 de junho. Ripken encerrou o ano com média de rebatidas de 0,282, 26 home runs e 110 RBI, além de liderar a liga com 123 jogadas duplas e 286 eliminações defensivas (putouts).[24]

Ripken com o Presidente Ronald Reagan em 1986

Em junho de 1986, Ripken alcançou uma sequência de 17 jogos consecutivos rebatendo. A temporada, porém, foi difícil para os Orioles, que terminaram na última colocação pela primeira vez desde que a franquia se estabeleceu em Baltimore.[25] Antes da pausa para o All-Star Game, o treinador Earl Weaver criticou os jogadores saudáveis da equipe pelo fraco desempenho ofensivo, fazendo uma exceção a Ripken: "Vocês sabem que esse garoto não perdeu um único treino durante todo o ano? Agora ele está indo para o All-Star Game."[26] Ripken encerrou a temporada com média de rebatidas de 0,282 e 81 RBI.[27] A queda em sua produção ofensiva foi parcialmente atribuída ao fato dos Orioles terem anotado 110 corridas a menos do que no ano anterior. Ainda assim, tornou-se o primeiro jogador dos Orioles, desde Eddie Murray em 1979, a liderar a equipe em home runs, com 25.

1987–1990

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Cal Ripken Sr. substituiu o aposentado Earl Weaver como técnico dos Orioles no início da temporada de 1987. Naquele ano, tornou-se o primeiro treinador da história da MLB a escalar dois filhos na mesma equipe quando Cal Ripken Jr. e seu irmão, Billy Ripken, atuaram juntos em uma partida realizada em 11 de julho.[28] Mais tarde na temporada, Ripken Sr. decidiu retirar Ripken Jr. de campo durante a derrota por 18–3 para o Toronto Blue Jays, em 14 de setembro, no Exhibition Stadium. Ron Washington entrou em seu lugar na oitava entrada, encerrando a sequência de 8.243 entradas consecutivas disputadas por Ripken. Após a partida, o treinador afirmou que a marca havia se tornado "um peso" e que "mais cedo ou mais tarde, eu teria que fazer isso", explicando que desejava tirar a atenção da sequência e recolocar o foco na equipe. [29] Embora as sequências de entradas consecutivas nem sempre tenham sido registradas oficialmente ao longo da história, os historiadores do beisebol consideram que o recorde de Ripken permanece insuperado. Ao fim da temporada, Ripken registrou a pior média de rebatidas de sua carreira até então, com 0,252. Ainda assim, rebateu 27 home runs, 98 RBI e obteve o maior número de bases por bolas de sua carreira, com 81. Também encerrou o ano com percentual defensivo de 0,982.[30]

Antes da temporada de 1988, os Orioles cogitaram transferi-lo para a terceira base, substituindo Ray Knight, mas decidiram mantê-lo como shortstop. Após a equipe iniciar o campeonato com seis derrotas consecutivas, Cal Ripken Sr. foi demitido e substituído por Frank Robinson.[31] A situação da equipe piorou ainda mais, com os Orioles estabelecendo uma sequência de 21 derrotas consecutivas no início da temporada, enquanto Ripken também enfrentava dificuldades ofensivas. Mesmo assim, terminou o ano com média de rebatidas de 0,264 e liderou todos os shortstops das Grandes Ligas em home runs (23) e RBI (81).[32] Também protagonizou uma das jogadas mais lembradas do All-Star Game daquele ano, ao realizar uma difícil recepção seguida de um preciso arremesso para eliminar Will Clark na segunda entrada. O jornalista Ken Rosenthal, do The Baltimore Sun, classificou a jogada como "o grande lance da noite".[33]

Durante a temporada de 1988, Ripken assinou um novo contrato de três anos, com opção para uma quarta temporada, impedindo que se tornasse agente livre ao final do vínculo.[34] Em 2 de agosto de 1989, Cal e Billy Ripken combinaram sete rebatidas em uma vitória sobre o Boston Red Sox, com Cal Jr. conseguindo a rebatida decisiva nas entradas finais. O desempenho estabeleceu um recorde da Liga Americana para irmãos em uma mesma partida. O recorde da MLB continuava pertencendo aos irmãos Lloyd e Paul Waner, que haviam somado oito rebatidas em um jogo disputado em 25 de junho de 1932. Quinze dias depois, Ripken disputou sua 1.208.ª partida consecutiva, ultrapassando Steve Garvey e assumindo a terceira colocação na lista histórica da MLB, atrás apenas de Lou Gehrig e Everett Scott. Apesar da conquista, o jornalista Ray Robinson, do The New York Times, observou que poucos enxergavam Ripken — ou qualquer outro jogador — como sucessor do lendário "Iron Horse", apelido de Lou Gehrig.[35] Após três temporadas consecutivas com campanha negativa, os Orioles permaneceram na disputa por uma vaga nos playoffs durante boa parte de 1989, sendo eliminados apenas na última semana da temporada regular. Ripken, contudo, teve uma queda de rendimento em setembro, registrando apenas sete rebatidas em suas últimas 55 aparições ao bastão. Encerrou o ano com média de rebatidas de 0,257, mas voltou a se destacar defensivamente. Em determinado momento, permaneceu 47 partidas consecutivas sem cometer um erro e concluiu a temporada com excelente percentual defensivo de 0,990.[36]

Em 1990, Ripken atravessou uma das piores fases ofensivas de sua carreira, registrando média de apenas 0,209 nas primeiras 59 partidas. Apesar disso, seu desempenho defensivo continuou sendo amplamente elogiado por jogadores, treinadores e torcedores. Em 12 de junho de 1990, Ripken superou o recorde de Mark Belanger de maior número de chances defensivas consecutivas sem erro por um shortstop dos Orioles. A sequência permaneceu ativa após uma revisão de anotação oficial no fim de junho e chegou a 95 jogos consecutivos sem erro, estabelecendo um novo recorde das Grandes Ligas para shortstops.[37] Também em 12 de junho, Ripken ultrapassou Everett Scott e assumiu a segunda colocação na lista histórica de partidas consecutivas disputadas.[38] O feito ocorreu no Memorial Stadium, mas foi recebido com vaias por parte da torcida, insatisfeita com seu baixo rendimento ofensivo naquele momento. Ao final da temporada, Ripken registrou média de rebatidas de 0,250 e liderou os Orioles em home runs (21), RBI (84), rebatidas (150) e corridas anotadas (78).[39] Ele e Billy Ripken também dividiram a liderança da equipe em rebatidas duplas, com 28 cada. Defensivamente, Ripken cometeu apenas três erros durante toda a temporada, quebrando o recorde anterior de seis erros para um shortstop em um único ano.[40] Apesar disso, o Gold Glove Award foi concedido a Ozzie Guillén, que havia cometido 17 erros. A decisão gerou críticas de diversos analistas. Tim Kurkjian classificou o resultado como "um absurdo", enquanto Bobby Valentine declarou sentir-se "envergonhado com a decisão de meus colegas".

1991–1995

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Ripken (esquerda) com o Presidente George H. W. Bush, Elizabeth II e Barbara Bush em 1991

A temporada de 1991 foi a melhor da carreira de Ripken. Até a pausa para o All-Star Game, mantinha média de rebatidas de 0,348, tornando-se o primeiro shortstop a liderar sua liga nesse quesito nesse estágio da temporada desde Lou Boudreau, em 1947. Ao final do campeonato, registrou média de 0,323, estabeleceu um recorde pessoal de 34 home runs e 114 RBI. Além disso, rebateu 46 duplas, roubou seis bases — também um recorde pessoal —, conseguiu cinco triplas e apresentou a menor taxa de strikeouts de sua carreira, registrando o menor número de eliminações por strikeout em uma temporada com pelo menos 600 aparições ao bastão. Tornou-se o primeiro shortstop da história das Grandes Ligas a alcançar, em uma mesma temporada, pelo menos 30 home runs e 200 rebatidas, além de também superar a marca de 40 duplas.[41]

Pelo desempenho, conquistou seu segundo prêmio de MVP da Liga Americana, seu primeiro Gold Glove Award, o prêmio de MVP do All-Star Game — após rebater duas vezes em três oportunidades, incluindo um home run de três corridas diante de Dennis Martínez —, venceu o Home Run Derby, estabelecendo então um recorde de 12 home runs em apenas 22 swings, incluindo sete home runs consecutivos no início da disputa, além de receber o Silver Slugger Award, o prêmio de Jogador do Ano da Associated Press e o de Jogador do Ano concedido pelo The Sporting News.[42] Excluindo o Home Run Derby, apenas Maury Wills, em 1962, havia conquistado todos esses prêmios em uma mesma temporada. Ao conquistar o prêmio de MVP da Liga Americana, também se tornou o primeiro jogador a receber essa honraria atuando por uma equipe da Liga Americana com campanha inferior a 50% de aproveitamento. Os Orioles terminaram a temporada na sexta colocação, com 67-95.[43] Na história da MLB, Ripken foi apenas o segundo jogador eleito MVP atuando por uma equipe com campanha negativa, feito alcançado anteriormente apenas por Andre Dawson, em 1987.

Ao final da temporada de 1991, o Memorial Stadium, casa dos Orioles desde 1954, recebeu sua última partida da MLB. Ripken foi o último jogador dos Orioles a rebater no estádio, encerrando sua participação ao bater em uma dupla eliminação contra o arremessador Frank Tanana, do Detroit Tigers, em 6 de outubro.[44]

Durante a temporada de 1992, Ripken e os Orioles negociaram um novo contrato. As tratativas se prolongaram durante boa parte do ano e coincidiram com uma fase de baixo rendimento ofensivo. Após a temporada, Ripken declarou que não gostava de usar desculpas para justificar seu desempenho, mas admitiu que as negociações o haviam distraído e que sentia que a franquia estava tentando pressioná-lo psicologicamente. Em 22 de agosto, assinou um contrato de cinco anos e US$30,5 milhões, então o maior da história do beisebol.[45] Mesmo assim, suas dificuldades ofensivas continuaram, chegando a ser vaiado pela torcida dos Orioles nos últimos meses da temporada. Encerrou o ano com média de rebatidas de 0,251, além dos menores números de sua carreira em home runs (14) e RBI (72).[46] Apesar disso, conquistou seu segundo Gold Glove Award, enquanto Baltimore permaneceu na disputa pelos playoffs até 27 de setembro.

Pela primeira vez em sua carreira, Ripken passou a ser o único integrante da família Ripken na organização dos Orioles. Seu pai foi dispensado da comissão técnica e seu irmão Billy foi negociado com o Texas Rangers. As dificuldades ofensivas continuaram no início da temporada de 1993, mas Ripken conseguiu recuperar seu desempenho em maio ao adotar uma postura mais ereta no momento da rebatida. Em razão de sua má fase ofensiva durante a temporada de 1992, alguns analistas passaram a questionar se Ripken deveria continuar atuando diariamente. Bobby Bonds chegou a afirmar que, se fosse o treinador dos Orioles, o deixaria fora da escalação. Johnny Oates, porém, respondeu que não pretendia retirar o shortstop da equipe e que apenas o próprio Ripken poderia decidir quando precisaria de um dia de descanso.[47]

Em 6 de junho, durante uma briga generalizada contra o Seattle Mariners, Ripken lesionou o joelho e acreditou que sua sequência de jogos consecutivos seria interrompida. No entanto, no dia seguinte, a dor diminuiu antes do início da partida, permitindo que ele permanecesse em atividade. Em 10 de julho, alcançou outro marco importante ao registrar sua 2.000.ª rebatida na carreira, em uma partida no Oriole Park at Camden Yards contra o arremessador Wilson Álvarez, do Chicago White Sox.[48] Apesar do início ruim da temporada, os torcedores garantiram sua presença no All-Star Game de 1993 com mais de dois milhões de votos, contrariando a opinião de diversos técnicos e jornalistas esportivos, que defendiam sua ausência. Após a pausa para o All-Star Game, Ripken recuperou seu melhor nível, registrando média de 0,300, com 14 home runs e 46 RBI no restante da temporada. Encerrou o ano com média de 0,257, 24 home runs e 90 RBI.[49]

Antes da temporada de 1994, o Elias Sports Bureau informou aos Orioles que Ripken havia superado Ernie Banks como o shortstop com mais home runs na história da MLB. A marca foi alcançada em 15 de julho de 1993, quando rebateu seu 278.º home run. Em uma cerimônia realizada em 9 de fevereiro de 1994, Banks encontrou-se com Ripken e declarou: "Estou extremamente feliz por ele ter quebrado esse recorde, porque isso também me dá a oportunidade de voltar a ser lembrado."[50] Ripken iniciou a temporada de 1994 em excelente fase, registrando média de rebatidas de 0,340 e 19 RBI até o fim de abril. Em 24 de maio, teve seis RBI, incluindo o 300.º home run de sua carreira ajudando os Orioles a reverter uma desvantagem de 5 a 0 para vencer o Milwaukee Brewers por 13 a 5.[51] Em 1.º de agosto, disputou sua 2.000.ª partida consecutiva, na vitória por 1 a 0 sobre o Minnesota Twins, no Metrodome.[52] Até a interrupção da temporada pela greve da MLB de 1994–95, havia participado de 112 jogos, registrando média de rebatidas de 0,315, com 13 home runs e 75 RBI.[53]

Os números no armazém dos Orioles foram alterados de 2130 para 2131 em 6 de setembro de 1995, para celebrar o momento em que Cal Ripken Jr. superou a sequência de jogos consecutivos disputados de Lou Gehrig.

Milhões de fãs de beisebol, dentro e fora dos Estados Unidos, acompanharam pela ESPN a partida em que Ripken superou o recorde de 2.130 jogos consecutivos disputados por Lou Gehrig, marca que permanecia intacta havia 56 anos. O confronto entre Baltimore Orioles e California Angels continua figurando entre as partidas de beisebol mais assistidas da história da emissora. Antes do início do jogo, os filhos de Ripken, Rachel e Ryan, realizaram o arremesso cerimonial. O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e o vice-presidente Al Gore também estiveram presentes. Durante a metade inferior da quarta entrada, Clinton participou da transmissão da ESPN ao lado da equipe de comentaristas.[54]

Os Orioles instalaram camarotes especiais para a partida com o objetivo de arrecadar recursos para pesquisas sobre a esclerose lateral amiotrófica (ELA), conhecida nos Estados Unidos como doença de Lou Gehrig, conduzidas pela Universidade Johns Hopkins. Quando o jogo se tornou oficial, ao término da parte inferior da quinta entrada, os painéis numéricos fixados no Baltimore & Ohio Warehouse, localizado além do campo direito do Oriole Park at Camden Yards, foram atualizados de 2130 para 2131, marcando oficialmente a quebra do recorde de Lou Gehrig por Ripken.[55]

Ripken com o presidente Bill Clinton após superar o recorde de Lou Gehrig de jogos consecutivos disputados.

Ripken recebeu uma ovação de pé dos torcedores, dos jogadores dos Angels e da equipe de arbitragem, que durou mais de 22 minutos — uma das mais longas já registradas para um atleta profissional. Durante toda a homenagem, a ESPN manteve a transmissão ao vivo sem interrompê-la para intervalos comerciais. Em meio à comemoração, Ripken percorreu toda a pista de advertência do estádio, cumprimentando os torcedores com apertos de mão e "high fives".[56]

Após o encerramento da partida, foi realizada uma extensa cerimônia comemorativa, que contou com discursos de diversas personalidades do beisebol, entre elas Joe DiMaggio, ex-companheiro de equipe de Lou Gehrig. Em seu discurso, Ripken declarou: "Esta noite estou aqui profundamente emocionado ao ver meu nome ligado ao do grande e corajoso Lou Gehrig. Sinto-me verdadeiramente honrado por termos nossos nomes mencionados juntos. Este ano foi inacreditável. Recebi o carinho dos torcedores em estádios de todo o país. As pessoas não apenas demonstraram sua gentileza comigo, mas, acima de tudo, seu amor pelo beisebol. Agradeço aos fãs de beisebol de toda parte. Esta noite, quero que vocês saibam exatamente como me sinto. Cresci nesta cidade sonhando não apenas em jogar nas Grandes Ligas, mas também em vestir a camisa do Baltimore Orioles. Por todo o apoio que recebi ao longo desses anos, agradeço, do fundo do coração, aos torcedores de Baltimore. Este é o melhor lugar do mundo para jogar."[57][58]

Anos depois, ao relembrar aquela noite após sua eleição para o Hall da Fama do Beisebol, Ripken contou que Bobby Bonilla e Rafael Palmeiro o incentivaram a deixar o dugout e dar uma volta completa pelo campo.[59] Segundo ele, ambos disseram: "Ei, se você não der uma volta por aqui, nunca conseguiremos reiniciar o jogo." Ripken afirmou que, inicialmente, achou a ideia exagerada, mas, ao percorrer o estádio, a celebração diante de mais de 50 mil pessoas tornou-se uma experiência muito pessoal. Ele passou a reconhecer muitos rostos familiares nas arquibancadas — pessoas que frequentavam o estádio havia anos — e descreveu aquele momento como "uma experiência humana realmente maravilhosa".

Na temporada de 1995, Ripken registrou média de rebatidas de 0,262, com 17 home runs e 88 RBI.[60]

1996–2001

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Ripken em 1996 no Yankee Stadium

Ripken iniciou a temporada de 1996 em baixa, mas melhorou seu desempenho ao longo do campeonato. Em 14 de junho, no Kauffman Stadium, em Kansas City, diante do Kansas City Royals, disputou sua 2.216.ª partida consecutiva e superou o recorde mundial de jogos consecutivos pertencente ao japonês Sachio Kinugasa.[61] O próprio Kinugasa esteve presente no estádio para acompanhar a quebra da marca.[62] Em 15 de julho, os Orioles decidiram testá-lo novamente na terceira base, enquanto Manny Alexander assumia a posição de shortstop.[63] Inicialmente, Ripken foi informado de que a mudança seria definitiva, mas, após Alexander registrar apenas uma rebatida em seis partidas na posição, ele retornou ao posto de shortstop.

Na temporada regular de 1996, participou de 163 jogos, registrando média de rebatidas de 0,278, com 26 home runs, 102 RBI e percentual defensivo de 0,980 como shortstop.[64] Também voltou aos playoffs pela primeira vez em 13 anos, após os Orioles conquistarem a vaga de wild card da Liga Americana. Na American League Division Series (ALDS), Baltimore eliminou o Cleveland Indians em quatro jogos, com Ripken obtendo excelente média de rebatidas de 0,444.[65] Já na American League Championship Series (ALCS), sua média caiu para 0,250, e os Orioles foram derrotados pelo New York Yankees em cinco partidas.[66]

Antes da temporada de 1997, os Orioles contrataram o shortstop Mike Bordick, vindo do Oakland Athletics, e transferiram definitivamente Ripken para a terceira base. O gerente-geral Pat Gillick afirmou que a mudança tinha como objetivo fortalecer o lado esquerdo do infield e não refletia uma perda da capacidade defensiva de Ripken. Segundo Gillick, a diretoria também avaliou contratar o terceira base Tim Naehring e manter Ripken na posição original, mas optou por Bordick por considerar que essa combinação tornaria a defesa da equipe mais forte.[67]

Embora pudesse se tornar agente livre ao término da temporada de 1997, Ripken acertou uma renovação contratual de dois anos logo no início do campeonato. Durante a temporada, sofreu uma lesão nervosa que, em alguns momentos, o impedia até mesmo de permanecer sentado no banco de reservas. Ainda assim, não desfalcou a equipe em nenhuma partida e encerrou o ano com média de rebatidas de 0,270, além de 17 home runs e 84 RBI.[68] Os Orioles voltaram aos playoffs, desta vez como campeões da Divisão Leste da Liga Americana. Na ALDS, Ripken registrou média de 0,438 e ajudou Baltimore a eliminar o Seattle Mariners em quatro jogos.[69] Na ALCS, rebateu para média de 0,348 e conseguiu um home run, mas os Orioles foram derrotados pelo Cleveland Indians em seis partidas.[70]

Em 1998, encerrou a temporada com média de rebatidas de 0,271, 14 home runs e 61 RBI.[71] Em 20 de setembro, antes da última partida em casa da temporada regular contra o New York Yankees, anunciou que encerraria voluntariamente sua sequência de 2.632 jogos consecutivos, marca que havia superado o recorde anterior de Lou Gehrig em 502 partidas. O novato Ryan Minor foi escalado em seu lugar na terceira base e, inicialmente, acreditou que a decisão fosse uma brincadeira de veteranos. Assim que os torcedores perceberam que a histórica sequência chegaria ao fim, Ripken recebeu uma longa ovação de seus companheiros, dos jogadores do Yankees — sendo David Wells o primeiro a notar sua ausência durante o treinamento de rebatidas — e do público presente, logo após o primeiro eliminado da partida. Posteriormente, Ripken explicou que preferiu encerrar a sequência antes do fim da temporada para evitar especulações durante a entressafra sobre sua condição física e para concluir aquele capítulo de sua carreira em seus próprios termos.[72] Ele voltou à escalação nos sete jogos restantes da temporada, disputados fora de casa contra Toronto Blue Jays e Boston Red Sox.

Ripken durante os últimos anos de sua carreira.

Em 1999, Ripken registrou a maior média de rebatidas de sua carreira, com 0,340.[73] Apesar de sofrer lesões no início e no fim da temporada e de enfrentar a morte de seu pai e ex-treinador, Cal Ripken Sr., apenas dez dias antes da estreia dos Orioles em 1999, Ripken manteve elevado nível de desempenho ofensivo.[74] Após retornar de uma lesão nas costas em maio, registrou a maior média de rebatidas de sua carreira (.340), rebateu 18 home runs em 332 aparições ao bastão e alcançou o 400º home run da carreira, embora outra lesão nas costas encerrasse sua temporada de forma prematura, quando estava a apenas nove rebatidas do clube dos 3.000 hits.[75]

O feito foi alcançado logo no início da temporada de 2000, em 15 de abril, durante uma partida contra o Minnesota Twins. Eddie Murray, então treinador da primeira base dos Orioles e também integrante do clube das 3.000 rebatidas, foi o primeiro a cumprimentá-lo. Naquela partida, Ripken registrou três rebatidas, sendo a terceira justamente a de número 3.000.[76] Uma lesão nas costas o afastou de toda a programação de julho e agosto. Embora tenha sido selecionado para o All-Star Game, não pôde atuar, encerrando uma sequência de participações que durava desde sua temporada de estreia. Em apenas 83 jogos disputados, registrou média de rebatidas de 0,256 — sua menor desde 1992 —, além de 15 home runs e 56 RBI.[77]

Em junho de 2001, Ripken anunciou que se aposentaria ao final da temporada.[78] Foi eleito pelos torcedores como terceira base titular do All-Star Game, realizado em 10 de julho, no Safeco Field, em Seattle. Em uma homenagem espontânea à carreira de Ripken, Alex Rodriguez insistiu em trocar de posição com ele durante a primeira entrada, permitindo que Ripken atuasse como shortstop, posição em que havia construído grande parte de sua trajetória. A iniciativa também lhe permitiu estabelecer o recorde de maior número de participações em All-Star Game como shortstop. Na terceira entrada, ao comparecer ao bastão pela primeira vez, Ripken foi recebido com uma prolongada ovação do público. Em seguida, rebateu um home run logo no primeiro arremesso lançado por Chan Ho Park. Ao final da partida, foi eleito o MVP do All-Star Game pela segunda vez, tornando-se um dos poucos atletas da história da MLB a conquistar o prêmio em mais de uma edição e o único a recebê-lo em duas décadas diferentes (1991 e 2001).[79]

Os Orioles planejavam aposentar a camisa de número 8 de Ripken antes da última partida em casa da temporada de 2001. Originalmente, seu último jogo estava programado para ocorrer no Yankee Stadium. Entretanto, os atentados de 11 de setembro de 2001 provocaram o adiamento de uma semana inteira da temporada regular. Como todas as partidas adiadas dos Orioles eram como mandante, seu último jogo passou a ser disputado no Oriole Park at Camden Yards, para satisfação dos torcedores da equipe. Em 6 de outubro de 2001, Ripken encerrou oficialmente sua carreira. Seu último momento em campo ocorreu no círculo de espera durante a parte inferior da nona entrada, diante de 48.807 espectadores.[80] Seu companheiro de longa data Brady Anderson, que também fazia sua despedida dos Orioles, foi eliminado em um strikeout para encerrar a partida. Após o jogo, Ripken discursou e agradeceu aos torcedores pelo apoio recebido ao longo de duas décadas vestindo a camisa do Baltimore Orioles. Fisicamente, Ripken apresentou melhores condições em sua última temporada do que nas duas anteriores. Participou de 128 jogos e encerrou a carreira com média de rebatidas de 0,239 — a menor de sua trajetória —, além de 14 home runs e 68 RBI.[81]

Trabalhos beneficentes

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Ao longo de sua carreira, Ripken dedicou tempo e recursos financeiros a diversas iniciativas beneficentes. Após assinar seu novo contrato em 1984, anunciou que distribuiria ingressos dos Orioles para crianças em situação de vulnerabilidade no Condado de Harford, além de realizar doações ao Harford Center e à Baltimore School for the Performing Arts. Em 1988, ele e sua esposa, Kelly, fundaram o Cal Ripken Jr. Lifelong Learning Center, instituição dedicada à alfabetização de adultos. Em 1992, foi homenageado pela MLB com o Roberto Clemente Award, prêmio concedido a jogadores que se destacam por seu trabalho comunitário e ações filantrópicas. Em 1997, recebeu o Golden Plate Award, concedido pela American Academy of Achievement.[82][83]

Ripken também contribuiu financeiramente para diversas causas beneficentes, incluindo pesquisas sobre a esclerose lateral amiotrófica (ELA), conhecida nos Estados Unidos como doença de Lou Gehrig. Após superar o recorde de jogos consecutivos de Gehrig, os Orioles e doadores privados criaram o Cal Ripken/Lou Gehrig Fund for Neuromuscular Research, destinado ao financiamento de pesquisas na Universidade Johns Hopkins.[84] Em 2001, juntamente com seu irmão Billy, fundou a Cal Ripken Sr. Foundation, organização criada em homenagem ao pai dos dois. A fundação oferece a crianças em situação de vulnerabilidade a oportunidade de participar de clínicas e acampamentos de beisebol em diversas regiões dos Estados Unidos, utilizando o esporte como ferramenta de desenvolvimento pessoal e social. A instituição integra a estrutura da Ripken Baseball.[85]

Além de administrar esses programas e suas equipes das ligas menores, a Ripken Baseball organiza clínicas esportivas, projeta campos de beisebol para equipes juvenis, universitárias e profissionais e promove palestras ministradas por Ripken sobre sua carreira e os valores aprendidos ao longo do esporte.[86] Entre 2001 e 2004, Ripken atuou como comissário da White House Tee Ball Initiative, programa criado pelo presidente George W. Bush para incentivar a prática do tee-ball entre crianças. Nesse cargo, promoveu valores como trabalho em equipe e voluntariado, além de ensinar os fundamentos da modalidade em eventos realizados na Casa Branca.[87]

Em 2007, ao lado de atletas como Andre Agassi, Muhammad Ali, Lance Armstrong, Mia Hamm, Jeff Gordon, Tony Hawk, Andrea Jaeger, Jackie Joyner-Kersee, Mario Lemieux e Alonzo Mourning, foi um dos fundadores da Athletes for Hope, organização beneficente voltada a incentivar atletas profissionais a se envolverem em ações sociais e estimular o voluntariado.[88] No mesmo ano, também anunciou uma parceria com o programa Reviving Baseball in Inner Cities, por meio da qual a Cal Ripken Sr. Foundation doou um milhão de dólares em dinheiro e equipamentos.

Ripken durante um evento em 2019, discutindo sua experiência como Enviado Especial para o Esporte.

Em 13 de agosto de 2007, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, anunciou a nomeação de Ripken como Enviado Especial para o Esporte do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Como parte da função, ele viajou à China em outubro daquele ano para promover o beisebol e fortalecer as relações entre os dois países por meio do esporte. Ao anunciar a nomeação, Rice afirmou que Ripken representava valores como dedicação, disciplina e trabalho árduo, que considerava importantes tanto para os Estados Unidos quanto em âmbito universal.[89][90]

Em 31 de maio de 2008, a Universidade de Delaware concedeu a Ripken o título honorário de Doutor em Humanidades, ocasião em que também foi o orador da cerimônia de formatura.[91] Em 19 de maio de 2013, recebeu o título honorário de Doutor em Serviço Público da Universidade de Maryland, onde novamente foi o principal orador da cerimônia de graduação.[92]

Com 1,93 m de altura e 102 kg, Ripken representava um perfil muito diferente do shortstop tradicional de sua época, geralmente caracterizado por jogadores menores, ágeis e especializados na defesa, mas que raramente apresentavam números expressivos de home runs ou médias ofensivas comparáveis às de jogadores de campo externo. O sucesso de Ripken ajudou a transformar essa percepção, abrindo caminho para uma nova geração de shortstops com maior porte físico e elevado poder ofensivo, como Alex Rodriguez, Nomar Garciaparra e Miguel Tejada.[93][94]

Apesar de seu tamanho, Ripken destacou-se pela excelência defensiva e permaneceu como shortstop titular dos Orioles por mais de uma década. Liderou diversas vezes a liga em assistências, conquistou dois Gold Glove Awards e, em 1990, estabeleceu o recorde da MLB de maior percentual defensivo em uma temporada para um jogador de sua posição. Embora não fosse conhecido por jogadas espetaculares, era reconhecido pela técnica apurada e pelo profundo conhecimento do jogo. Estudava detalhadamente os rebatedores adversários e até mesmo os arremessadores de sua própria equipe para posicionar-se da forma mais eficiente possível e compensar sua menor velocidade em relação a outros shortstops. Seu legado defensivo também se reflete nas estatísticas. Ripken figura entre os líderes históricos em praticamente todas as principais categorias defensivas para shortstops, incluindo assistências, eliminações (putouts), percentual defensivo, jogadas duplas e menor número de erros. Além disso, estabeleceu recordes históricos em algumas dessas categorias, seja em uma única temporada, ao longo da carreira ou pelo número de vezes em que liderou a liga. Seu range factor na carreira foi de 4,73, chegando a 5,50 em uma única temporada, índice alcançado por poucos jogadores da posição.

Seu poder ofensivo, responsável por recordes como o maior número de home runs por um shortstop e pela 13ª colocação entre os líderes históricos em rebatidas duplas, também teve um efeito colateral. Como costumava rebater bolas fortes rasteiras, frequentemente produzia bolas fáceis para a defesa transformar em jogadas duplas. Em 1999, ultrapassou Hank Aaron como o jogador que mais havia rebatido para jogadas duplas na história da MLB, recorde posteriormente superado por Albert Pujols em 2017.[95] Em contrapartida, ocupa a terceira colocação histórica entre os shortstops em número de jogadas duplas defensivas, com 1.565, atrás apenas de Omar Vizquel e Ozzie Smith.[96]

Outra característica marcante de sua carreira foi a ausência de uma postura fixa de rebatida. Frequentemente chamado de "o homem das mil posturas", Ripken alterava constantemente sua posição no bastão quando atravessava uma má fase ou simplesmente quando sentia que sua mecânica não estava confortável.[97] Ao comentar esse hábito, afirmou que a postura de rebatida era apenas um ponto de partida.

Ripken recebendo uma homenagem na Universidade do Texas em Arlington

Uma votação promovida pelo MLB.com elegeu sua 2.131ª partida consecutiva como o momento mais memorável da história da Major League Baseball, superando acontecimentos históricos como o discurso de despedida de Lou Gehrig, em 1939, e a quebra da barreira racial por Jackie Robinson, em 1947.[98] Na ocasião, 46.272 torcedores acompanharam o feito no Oriole Park at Camden Yards.[99] Em 2005, os Orioles homenagearam Ripken no décimo aniversário do recorde, reproduzindo a troca do painel do estádio de 2130 para 2131, exatamente como ocorrera em 6 de setembro de 1995.

Apesar das frequentes comparações, Ripken sempre afirmou sentir-se desconfortável ao ser colocado ao lado de Lou Gehrig: "Lou tinha números extraordinários e era comparável a Babe Ruth. Como alguém poderia me comparar a ele? Mas percebi que havia algo que compartilhávamos: a sequência de jogos consecutivos. Ainda assim, isso sempre me deixou desconfortável. Quando seu nome é mencionado ao lado do dele, não tenho certeza de que você compreenda plenamente o significado disso."[100]

Cal e Billy Ripken também fazem parte de um grupo bastante restrito na história da MLB. Eles são uma das apenas quatro duplas de irmãos que atuaram simultaneamente como segunda base e shortstop pela mesma equipe. As outras foram Garvin e Granny Hamner, pelo Philadelphia Phillies em 1945; os irmãos gêmeos Eddie e Johnny O'Brien, pelo Pittsburgh Pirates na década de 1950; e Frank e Milt Bolling, pelo Detroit Tigers em 1958.[101]

Ripken (esquerda) sendo homenageado pelos Orioles em 2007

Em 9 de janeiro de 2007, Ripken foi eleito para o National Baseball Hall of Fame and Museum em seu primeiro ano de elegibilidade, sendo citado em 537 das 545 cédulas de votação (98,53%). Na época, esse era o sexto maior percentual da história. Ele foi oficialmente introduzidos no Hall da Fama em 29 de julho de 2007, em uma cerimônia que reuniu um público recorde de aproximadamente 75 mil pessoas.[102] Entre os convidados de Ripken estavam John Travolta, Kelly Preston, Steve Geppi e seu ex-agente, Ron Shapiro.[103][104]

Seu legado também foi reconhecido fora do beisebol. Em 23 de setembro de 2001, a NASCAR Winston Cup Series e a MBNA rebatizaram a etapa disputada no Dover International Speedway, em Delaware, como MBNA Cal Ripken Jr. 400. A prova homenageou sua carreira, e Ripken participou da apresentação dos pilotos antes da corrida. Bobby Labonte competiu com um carro especialmente decorado nas cores do Baltimore Orioles e com um emblema alusivo à aposentadoria de Ripken. A corrida, vencida por Dale Earnhardt Jr., foi a primeira da NASCAR realizada após os atentados de 11 de setembro de 2001.[105] Em 30 de março de 2008, um trecho da rodovia Interestadual 395, em Baltimore, entre a I-95 e a Conway Street, recebeu oficialmente o nome de Cal Ripken Way.

Graças ao sucesso alcançado dentro de campo, Ripken tornou-se também um dos atletas mais requisitados pela publicidade. Participou de campanhas para empresas como Nike, Chevrolet e Powerade, além de diversas empresas locais de Maryland. As campanhas frequentemente destacavam atributos como confiabilidade, resistência e integridade, associando essas características aos produtos anunciados. Sua ética de trabalho, lealdade aos Orioles e atuação em projetos beneficentes contribuíram para consolidá-lo como uma das figuras esportivas mais respeitadas dos Estados Unidos.

Apesar de todos os reconhecimentos, Ripken sempre demonstrou humildade ao avaliar sua própria carreira. Em certa ocasião, afirmou: "Tenho talento, sem dúvida. Minha vantagem é conhecer profundamente o jogo. Isso acontece porque cresci dentro dele e tive um grande professor em meu pai. Tenho certeza de que tudo o que sou como homem e como jogador vem da maneira como fui criado. Mas sou uma superestrela? Não. Não acredito que esteja no mesmo nível dos maiores jogadores da liga." O escritor Glen Macnow respondeu a essa declaração afirmando: "Qualquer pessoa que tenha visto Cal Ripken Jr. jogar sabe que isso não é verdade."

Vida pessoal

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Ripken foi casado com Kelly Geer, com quem teve dois filhos: Rachel e Ryan.[106] Em 28 de abril de 2016, o casal oficializou o divórcio, após um ano de separação.[107]

Em 2018, casou-se com Laura Kiessling, juíza da Appellate Court of Maryland. Juntos, formaram uma família com quatro filhos e passaram a residir em Annapolis, Maryland.[108]

Ryan Ripken jogando pelo Auburn Doubledays in 2016

Seu filho, Ryan Ripken, também seguiu carreira no beisebol. Selecionado pelo Baltimore Orioles na 20ª rodada do Draft da MLB de 2012, optou por ingressar na Universidade da Carolina do Sul em vez de assinar contrato profissional. Posteriormente, transferiu-se para o Indian River State College e foi escolhido na 15ª rodada do Draft da MLB de 2014 pelo Washington Nationals.[109] Após ser dispensado pelo Nationals em março de 2017, Ryan assinou contrato com o Orioles e foi designado para o Aberdeen IronBirds, equipe pertencente a seu pai e que disputa suas partidas em um estádio que leva o nome da família Ripken. Ao longo da carreira, chegou ao Norfolk Tides, afiliado Triple-A do Orioles, em 2021. Depois de permanecer sem contrato durante a temporada seguinte, anunciou sua aposentadoria do beisebol profissional. Em 2026, passou a atuar como comentarista esportivo da MASN Sports.[110]

Em julho de 2012, a mãe de Ripken, Violet Ripken, foi sequestrada sob a mira de uma arma de fogo, mas foi libertada em segurança cerca de 12 horas depois. O desaparecimento só foi comunicado às autoridades após esse período.[111] Em 15 de outubro de 2013, ela voltou a ser alvo de um criminoso, que tentou roubar seu automóvel em um estacionamento do NBRS Bank, em Aberdeen, Maryland. O homem fugiu após Violet acionar o alarme do veículo, e ela não sofreu ferimentos. Segundo a polícia de Aberdeen, não havia indícios de ligação entre os dois episódios.

Em 2020, Ripken anunciou que havia concluído com sucesso o tratamento contra um câncer de próstata.

Ripken é autor ou coautor de 17 livros, além de ter escrito prefácios para diversas outras publicações. Após a temporada de 1996, lançou sua autobiografia, The Only Way I Know, escrita em parceria com Mike Bryan, que figurou entre os livros mais vendidos da lista do The New York Times. Depois de encerrar a carreira, publicou diversas obras relacionadas ao beisebol e ao desenvolvimento de jovens atletas. Em 2005, lançou Play Baseball the Ripken Way: The Complete Illustrated Guide to the Fundamentals, escrito com seu irmão Billy Ripken e Larry Burke, dedicado aos fundamentos do esporte. No ano seguinte, publicou Parenting Young Athletes the Ripken Way, em coautoria com Rick Wolff. O livro surgiu após Ripken observar o excesso de pressão exercida por alguns pais sobre seus filhos atletas. Segundo ele, as crianças deveriam ter um ambiente que lhes permitisse aprender e desenvolver suas habilidades sem cobranças excessivas.[112] Em 2007, lançou Coaching Youth Baseball the Ripken Way, novamente ao lado de Billy Ripken e Scott Lowe. A obra reúne cinquenta exercícios práticos e aborda temas como responsabilidade dos treinadores, definição de objetivos para jovens atletas e planejamento de treinamentos. Ainda em 2007, publicou Get in the Game: 8 Elements of Perseverance That Make the Difference, escrito com Donald T. Phillips, um livro de caráter motivacional sobre perseverança e sucesso, além de The Longest Season, escrito com Ron Mazellan, uma obra infantil inspirada na temporada de 1988 do Baltimore Orioles. Em 2011, lançou Hothead, romance infantojuvenil escrito em parceria com Kevin Cowherd, que também entrou para a lista de mais vendidos do The New York Times.[113] Desde 2005, mantém ainda uma coluna semanal no jornal The Baltimore Sun, dedicada a conselhos sobre esportes para jovens.[114]

Além de sua própria produção literária, Ripken tornou-se tema de diversas obras biográficas. Em 1995, Harvey Rosenfeld publicou Iron Man: The Cal Ripken Jr. Story. Em 2007, Jeff Seidel lançou Iron Man: Cal Ripken Jr., a Tribute.[115] Também foi retratado na biografia infantil Cal Ripken Jr., Quiet Hero, escrita por Lois Nicholson em 1993.[116] Sua carreira ainda serviu de objeto para diversos estudos acadêmicos sobre seu impacto no esporte e na cultura do beisebol.

Empreendimentos empresariais

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Ripken é proprietário e investidor de diversas equipes das ligas menores de beisebol. Em 2002, adquiriu o Utica Blue Sox, da New York–Penn League, e transferiu a franquia para sua cidade natal, Aberdeen, Maryland, rebatizando-a como Aberdeen IronBirds. A equipe tornou-se afiliada do Baltimore Orioles e passou a disputar seus jogos no Ripken Stadium.[117] Em 28 de junho de 2005, anunciou a compra do Augusta GreenJackets, da South Atlantic League, então afiliado de nível Single-A do San Francisco Giants. Ao término da temporada de 2008, adquiriu o Vero Beach Devil Rays, da Florida State League, transferindo a equipe para Port Charlotte, Flórida, onde ela passou a se chamar Charlotte Stone Crabs.[118][119]

Em 10 de janeiro de 2007, Ripken manifestou interesse em adquirir o Baltimore Orioles caso o então proprietário, Peter Angelos, decidisse vender a franquia. Até 2013, entretanto, afirmou que nunca havia sido procurado para discutir uma possível negociação.[120] Em 2010, declarou, em entrevista à Associated Press, que consideraria retornar à organização dos Orioles como consultor em tempo parcial e, posteriormente, em dedicação integral, após a conclusão do ensino médio de seu filho, em 2012.[121]

Em outubro de 2007, passou a atuar como comentarista de estúdio da TBS Sports durante a cobertura dos playoffs da MLB, função que continuava exercendo em 2013.[122]

Ripken também integrou o conselho de administração da ZeniMax Media até 2021.[123][124] Em fevereiro de 2008, anunciou sua entrada no mercado de jogos eletrônicos ao lançar Cal Ripken's Real Baseball, um jogo esportivo multijogador on-line.[125]

Em 2013, vendeu o Augusta GreenJackets para a Agon Sports & Entertainment.[126] Três anos depois, negociou o Charlotte Stone Crabs com a Caribbean Baseball Initiative, organização liderada por Lou Schwechheimer.[127]

A marca Ripken Experience administra um conjunto de complexos esportivos voltados ao desenvolvimento do beisebol. O primeiro foi inaugurado em Aberdeen, Maryland. Um segundo complexo, com nove campos de beisebol, foi construído em Myrtle Beach, Carolina do Sul. Inaugurado em 2006, o empreendimento teve custo inicial de 26 milhões de dólares, recebendo posteriormente mais 7 milhões em investimentos. Um terceiro complexo foi planejado para Pigeon Forge, Tennessee, com inauguração prevista para 2016.

Em janeiro de 2024, John P. Angelos chegou a um acordo de US$1,7 bilhão para vender o Baltimore Orioles a um grupo liderado por David Rubenstein. Além de Ripken, o grupo de investidores incluía Michael Bloomberg, o ex-prefeito de Baltimore, Kurt Schmoke, o gestor de investimentos Michael Arougheti e o ex-jogador da NBA Grant Hill.[128][129][130] Inicialmente, não foram divulgados o tamanho da participação de Ripken nem o papel que desempenharia na organização. Em março de 2024, foi anunciado que ele atuaria como consultor da franquia.[131] Em junho de 2026, o jornal The New York Times informou que Ripken havia assumido um papel ativo no desenvolvimento de jogadores dentro da organização do Baltimore Orioles.[132]

Prêmios e recordes

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Acessórios de Cal Ripken Jr. no Baseball Hall of Fame and Museum
Prêmio / Honraria Total Ano(s)
Seleção para o Jogo das Estrelas da Liga Americana 19 1983–2001[133]
Silver Slugger Award (shortstop) 8 1983–1986, 1989, 1991, 1993, 1994[133]
Jogador Mais Valioso (MVP) da Liga Americana 2 1983, 1991[133]
Jogador Mais Valioso (MVP) do Jogo das Estrelas da MLB 2 1991, 2001[134]
Gold Glove Award (shortstop) 2 1991, 1992[135]
Jogador do Ano da MLB pela The Sporting News 2 1983, 1991[136]
Novato do Ano da Liga Americana 1 1982[133]
Roberto Clemente Award 1 1992[137]
Lou Gehrig Memorial Award 1 1992[138]
Sports IllustratedSportsman of the Year 1 1995[139]
Associated Press – Atleta do Ano 1 1995[139]
The Sporting News – Esportista do Ano 1 1995[139]
Commissioner's Historic Achievement Award 1 2001[140]
Stan Musial Lifetime Achievement Award for Sportsmanship 1 2016[141]

Recordes e homenagens

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  • 1995: Superou o recorde de Lou Gehrig de jogos consecutivos disputados.
  • 1999: Classificado na 78ª posição da lista dos "100 Maiores Jogadores de Beisebol" da revista The Sporting News.
  • 1999: Eleito para a Major League Baseball All-Century Team.
  • 2001: Teve a camisa de número 8 aposentada pelo Baltimore Orioles.
  • 2007: Eleito para o Baseball Hall of Fame and Museum com 98,53% dos votos, o maior percentual já obtido por um jogador de posição até então e o terceiro maior da história na época.
  • 2007: Introduzido oficialmente no Hall da Fama do Beisebol em 29 de julho em uma cerimônia que reuniu um público recorde de aproximadamente 75 mil pessoas.

Recordes da MLB

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  • Maior sequência de jogos consecutivos disputados: 2.632.
  • Maior sequência de entradas consecutivas disputadas: 8.243.
  • Maior número de home runs por um shortstop: 353.
  • Maior número de jogadas duplas realizadas por um shortstop na Liga Americana: 1.682.
  • Recordista histórico de votos recebidos na eleição popular para o All-Star Game da MLB: 36.123.483.
  • Maior número de convocações para o All-Star Game da Liga Americana: 19 (1983–2001).
  • Maior número de participações no All-Star Game como shortstop: 15 (1983–1996 e 2001).
  • Maior sequência de partidas iniciadas no All-Star Game da Liga Americana: 17.
  • Maior número de aparições ao bastão por um jogador em uma única partida profissional: 15, recorde estabelecido em um jogo da Triple-A e compartilhado com Tom Eaton e Dallas Williams.

Recordes da franquia Baltimore Orioles

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  • Jogos disputados: 3.001.
  • Jogos consecutivos: 2.632.
  • Aparições oficiais ao bastão (at bats): 11.551.
  • Rebatidas: 3.184.
  • Corridas anotadas: 1.647.
  • Corridas impulsionadas (RBIs): 1.695.
  • Rebatidas extrabase: 1.078.
  • Rebatidas duplas: 603.
  • Home runs: 431 (embora seis integrantes do clube dos 500 home runs tenham defendido o Baltimore Orioles, nenhum rebateu mais home runs pela franquia do que Ripken).
  • Bases totais: 5.168.
  • Bases por bolas: 1.129.
  • Assistências: 8.212.
  • Jogadas duplas: 1.682.

Referências

  1. «Cal Ripken Jr. Stats, Age, Position, Height, Weight, Fantasy & News». MLB.com (em inglês). Consultado em 13 de julho de 2026
  2. «Ripken's roots run deep in Maryland, with hundreds of relatives». Baltimore Sun (em inglês). 4 de setembro de 1995. Consultado em 13 de julho de 2026
  3. By (25 de julho de 2012). «Vi Ripken is down-to-earth center of Maryland's most famous baseball family». Baltimore Sun (em inglês). Consultado em 13 de julho de 2026
  4. Rosenfeld, Harvey (1995). Iron Man: The Cal Ripken Jr. Story. [S.l.: s.n.] pp. 19–20
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  6. «1978 Bluefield Orioles Statistics». Stats Crew (em inglês). Consultado em 12 de julho de 2026
  7. «1979 Charlotte O's minor league baseball Statistics on StatsCrew.com». www.statscrew.com (em inglês). Consultado em 13 de julho de 2026. Cópia arquivada em 22 de setembro de 2022
  8. Welsh, Sean (24 de julho de 2007). «One more for the memory bank». Washington Examiner (em inglês). Consultado em 13 de julho de 2026
  9. «1980 Charlotte O's Statistics». Stats Crew (em inglês). Consultado em 12 de julho de 2026
  10. «Toledo Blade - Pesquisa no arquivo do Google Notícias». news.google.com. Consultado em 13 de julho de 2026
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