Caiana dos Crioulos
Caiana dos Crioulos[1] | |
|---|---|
Território quilombola | |
| Mapa dinâmico de Caiana dos Crioulos | |
| Coordenadas: 7° 06′ 07″ S, 35° 41′ 54″ O | |
| País | Brasil |
| Estado | Paraíba |
| Área | |
| • Total | 6,46 km² |
Caiana dos Crioulos é uma comunidade quilombola localizada no estado da Paraíba, situada na zona rural entre os municípios de Alagoa Grande, Matinhas e Massaranduba.[1] Foi a primeira comunidade quilombola a receber o título definitivo de suas terras pelo Incra na Paraíba, marco ocorrido em setembro de 2024.[2]
Mais de noventa por cento dos habitantes da comunidade possuem ancestralidade africana, o que possibilitou, juntamente com a historiografia do local, que a comunidade fosse reconhecida em maio de 2005 pela Fundação Cultural Palmares como sendo um dos treze legítimos quilombos brasileiros.[3] A demarcação territorial da comunidade foi homologada por decreto presidencial em 2018, compreendendo uma área de aproximadamente 646 hectares.[1]
História
[editar | editar código]A origem da comunidade é incerta, existindo ao menos quatro versões principais sobre o seu surgimento. Uma delas sugere que os fundadores seriam sobreviventes do massacre do Quilombo dos Palmares que migraram para a região; outras versões apontam para ex-escravizados oriundos de rebeliões em Mamanguape ou fugas da cidade de Areia.[2] Embora as versões variem, há registros e relatos que sugerem que a comunidade está estabelecida no local há mais de 150 anos.[4] Em 1949, a comunidade foi tema de uma reportagem intitulada "Um quilombo esquecido", escrita por Ivaldo Falconi e ilustrada por Gilberto Stuckert, considerada um dos documentos mais antigos sobre o local.[5] No âmbito jurídico, a demarcação territorial foi homologada por decreto presidencial em 2018, compreendendo uma área de aproximadamente 646 hectares.[1]
Em 20 de novembro de 2016, dia da Consciência Negra, foi lançado o documentário «Caiana dos Crioulos abre as Portas», produzido pelo jornalista Caio César Beltrão e o fotógrafo Flávio Monteiro. A produção traz um panorama histórico, humano e social sobre a trajetória da população negra no Brejo da Paraíba, passando por nomes como Margarida Maria Alves, Jackson do Pandeiro e finalizando com um retrato da comunidade quilombola em uma perspectiva atual.[carece de fontes]
O livro Jackson do Pandeiro: o rei do ritmo discorre sobre o crescente declínio da africanidade dos habitantes de Caiana:
De formação controversa, mas indiscutível etnia, os negros de Caiana vêm perdendo ao longo dos anos quase todos os traços culturais do passado, a partir da invasão das antenas de tevê e dos fios telefônicos. Mas, até duas, três décadas atrás, seus habitantes se vestiam com roupas coloridas, predominando o vermelho, o rosa-choque e o amarelo-ouro. Lenços e turbantes brancos completavam a indumentária africana típica. Arredios, silenciosos e desconfiados até hoje, os crioulos tiveram na música seu principal elo de integração com os habitantes da cidade (...)[6]
Embora esteja a apenas 122 km de João Pessoa, a comunidade ainda hoje permanece como um mundo à parte. Seus instrumentos, músicas, danças e costumes ainda guardam algo de sua ancestralidade e história.[carece de fontes]
Demografia
[editar | editar código]A população de Caiana dos Crioulos é de aproximadamente 500 moradores, organizados em cerca de 145 famílias.[4] O perfil demográfico é majoritariamente feminino, consequência da migração de muitos homens para outros estados em busca de emprego, especialmente para o Rio de Janeiro.[7]
Geografia e Infraestrutura
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O território caracteriza-se por um terreno acidentado e de difícil acesso, o que historicamente serviu como fator de proteção e sobrevivência do quilombo. Atualmente, a comunidade enfrenta desafios de infraestrutura, como a falta de rede de esgoto e escassez de água potável, dependendo de cisternas para armazenamento de água da oriunda de chuva e caminhões-pipa. O acesso à comunidade é feito por estradas de terra, o que dificulta o trânsito em períodos chuvosos.[7]
Economia
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A base econômica da comunidade é a agricultura de subsistência, com o cultivo de feijão, fava, milho e, predominantemente, mandioca, utilizada nas "farinhadas" coletivas.[2] A fruticultura (cajá, banana, manga) e a criação de pequenos animais também são comuns. Nos últimos anos, a comunidade tem investido no turismo rural de base comunitária através do projeto "Vivenciando Caiana", que busca gerar renda por meio da valorização da gastronomia, artesanato e trilhas históricas.[7]
Referências
- 1 2 3 4 5 «D9521». www.planalto.gov.br. Consultado em 8 de outubro de 2018
- 1 2 3 «Caiana dos Crioulos é a primeira comunidade quilombola titulada pelo Incra na Paraíba». Incra. Cópia arquivada em 29 de abril de 2025
- ↑ SOUZA, Eurides de; e CAHINO, Marília (2013). «Performance musical e história: os cocos da Caiana dos Crioulos». XXIV Congresso da Anppom. Consultado em 10 de fevereiro de 2014
- 1 2 «Comunidade quilombola paraibana comemora regularização de parte do território». gov.br. 6 de fevereiro de 2020. Consultado em 24 de março de 2026
- ↑ Silva, Elizabeth Olegário Bezerra da (jul.–dez. 2023). «Como o Correio das Artes "desocultou" o quilombo - Caiana dos Crioulos» (PDF). Revista Internacional de Culturas, Línguas Africanas e Brasileiras. 3 (2): 77-93
- ↑ MOURA, Fernando; VICENTE, Antônio (2001). Jackson do Pandeiro: o rei do ritmo. [S.l.]: Editora 34. 412 páginas. ISBN 9788573262216
- 1 2 3 Medeiros, Cibele (22 de agosto de 2022). «Centro Cultural Quilombola: arquitetura participativa na Comunidade Caiana dos Crioulos». Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCG. Consultado em 27 de março de 2026

