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Abate ritual

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O abate ritual é a prática de abater animais, geralmente gado ou aves, para a produção de carne destinada ao consumo humano de acordo com as diretrizes e leis dietéticas de uma determinada religião ou tradição cultural. O processo não deve ser confundido com o sacrifício de animais, que possui propósitos puramente cerimoniais e de oferenda.[1]

Tradições principais

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Judaísmo

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Representação do século XV do abate ritual judaico de animais para consumo.

No judaísmo, o abate ritual é conhecido como Shechita. A prática deve ser realizada por um especialista treinado e certificado (conhecido como shochet), utilizando uma faca extremamente afiada e sem imperfeições. O objetivo do corte preciso na garganta é causar uma rápida queda na pressão sanguínea cerebral, levando o animal à perda imediata de consciência, além de garantir a drenagem profunda do sangue, conforme exigido pelas leis do Cashrut (para que o alimento seja considerado kosher).[2]

Na religião islâmica, o método prescrito de abate é chamado de Dhabihah (ou Zabiha), o qual é necessário para que a carne seja considerada Halal (lícita ou permitida). O processo envolve invocar o nome de Deus (Alá) no momento do corte. A incisão deve ser rápida e profunda na garganta, cortando a traqueia, o esôfago e as veias jugulares, mas deixando a medula espinhal intacta.[1]

Outras tradições

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No siquismo e em algumas ramificações do hinduísmo, existe a prática do Jhatka, onde o animal é abatido com um único e rápido golpe (geralmente com uma espada ou machado), causando a morte instantânea. Embora seja uma forma de abate com regras religiosas específicas, ela se opõe diretamente ao método de sangramento lento, sendo a única carne permitida para muitos sikhs.[3]

Controvérsias e bem-estar animal

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A prática do abate ritual é um tema frequente de debates envolvendo os direitos e o bem-estar animal.

Organizações de proteção animal frequentemente criticam alguns desses métodos, especialmente devido à recusa do atordoamento (insensibilização) prévio ao corte em certas interpretações ortodoxas. Argumenta-se que a morte sem atordoamento pode causar estresse e sofrimento desnecessário ao animal.[4]

Por outro lado, líderes e defensores das práticas religiosas argumentam que os métodos tradicionais, quando executados corretamente e com as ferramentas adequadas, são tão humanitários quanto os métodos convencionais, provocando insensibilidade em segundos. Na esfera legal, muitos países buscam criar legislações que tentam equilibrar as normas de proteção animal com o direito fundamental à liberdade religiosa.[5]

Ver também

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Referências

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  1. 1 2 Regenstein, Joe M.; Chaudry, Muhammad M.; Regenstein, Carrie E. (2003). «The Kosher and Halal Food Laws». Comprehensive Reviews in Food Science and Food Safety. 2 (3): 111-127. doi:10.1111/j.1541-4337.2003.tb00018.x
  2. Levinger, I. M. (1995). Shechita in the light of the year 2000. Jerusalém: Maskil L'David. pp. 18–22
  3. Nesbitt, Eleanor (2005). Sikhism: A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press. p. 120. ISBN 978-0-19-280601-7
  4. Velarde, A.; Dalmau, A. (2012). «Animal welfare assessment at slaughter in Europe: Moving from inputs to outputs». Meat Science. 92 (3): 244-251. doi:10.1016/j.meatsci.2012.04.024
  5. Lerner, Pablo; Rabello, Alfredo Mordechai (2006). «The Prohibition of Ritual Slaughtering (Kosher Shechita and Halal) and Freedom of Religion of Minorities». Journal of Law and Religion. 22 (1): 1-62. doi:10.2307/27638374
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