Fronteira Espanha–Portugal
| Fronteira Espanha–Portugal | |
|---|---|
Ponte Internacional do Guadiana. Do lado esquerdo Portugal (Algarve) e do lado direito Espanha (Andaluzia) | |
| Delimita | |
| Comprimento | 1214 km Posição: 62 |
| Características | Uma das mais antigas fronteiras do mundo |
| Criação | 1143 |
| Traçado atual | 1926 |
| Tratados | Tratado de Alcanizes, Tratado de Badajoz, Tratado de Lisboa, Convénio de Limites, Congresso de Viena |


A fronteira Portugal-Espanha, conhecida pelo epíteto de A Raia (em castelhano: La Raya; em galego: A Raia), é a linha que divide os territórios da República Portuguesa e do Reino de Espanha. É a fronteira mais antiga da Europa, com alguns limites estabelecidos desde o tempo do Condado Portucalense e do Reino de Leão. Encontra-se livre de controlos de passagem desde 26 de março de 1995 (entrada em vigor do Acordo de Schengen), com algumas exceções temporárias.

De uma forma mais ampla, a raia é igualmente o espaço geográfico, de um e de outro lado da fronteira política, em que as populações partilham elementos históricos, linguísticos, culturais e económicos.
Localização
[editar | editar código]A fronteira luso-espanhola estende-se desde a foz do rio Minho, a norte, até à foz do rio Guadiana, a sul, ao longo de mais de 1200 km. Acompanha cursos de água (raia húmida), ou é assinalada em terra por pontos notáveis ou marcos fronteiriços (raia seca).
Distritos portugueses raianos, do noroeste para sul:

Províncias espanholas raianas, de norte para sul:
- Pontevedra (
Galiza) - Ourense (
Galiza) - Zamora (
Castela e Leão) - Salamanca (
Castela e Leão) - Cáceres (
Estremadura) - Badajoz (
Estremadura) - Huelva (
Andaluzia)
Rios da raia
[editar | editar código]História
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A história da raia está associada à história da Reconquista na parte ocidental da Península Ibérica. Os acontecimentos determinantes são o Tratado de Zamora, em 1143, que assinala o nascimento de Portugal como reino independente, e o Tratado de Alcanizes, em 1297, que estabelece no essencial as fronteiras de Portugal.
No século XIX e início do século XX, as demarcações definitivas da fronteira estipularam-se através de dois grandes acordos. O Tratado de Limites de 1864 resolveu a situação do norte da fronteira ao extinguir o microestado do Couto Misto e os povos promíscuos na raia seca, além de encerrar as disputas territoriais nas contendas de Arronches e de Ouguela. Posteriormente, o Convénio de Limites de 1926 resolveu a questão da Contenda de Moura.
No entanto, estes tratados bilaterais não fixaram a linha fronteiriça no setor centralizado em torno de Olivença e Táliga, cuja soberania passou para Espanha após a Guerra das Laranjas (Tratado de Badajoz de 1801) — uma anexação não reconhecida formalmente pelo Estado português, que mantém a sua reclamação histórica sobre estes territórios à luz do Congresso de Viena (1815).
Devido a este impasse jurídico, a Comissão Mista de Limites suspendeu os trabalhos nesta secção da fronteira, pelo que continuam por colocar os marcos delimitadores com a numeração de 802 a 899, deixando a linha de fronteira oficialmente por traçar no troço do rio Guadiana compreendido entre a confluência do rio Caia e a da ribeira de Cuncos.[1] Esta anomalia traduz-se numa assimetria cartográfica atual: enquanto as cartas militares oficiais de Portugal (como a folha 441-A à escala 1:25 000 do Centro de Informação Geoespacial do Exército) omitem por completo o traço de fronteira neste retângulo do Guadiana, os mapas topográficos espanhóis do Instituto Geográfico Nacional aplicam uma simbologia secundária e sem legenda sobre o eixo do rio, alterando o padrão visual e omitindo o sombreado rosa de delimitação internacional que usam no resto do país.[2][3]
Tratados importantes
[editar | editar código]A língua portuguesa na raia
[editar | editar código]Outras línguas e dialectos raianos
[editar | editar código]Povoações transraianas
[editar | editar código]- Rio de Onor, em Trás-os-Montes
- Marco, no Alto Alentejo
- Soutelinho da Raia, em Trás-os-Montes
- Cambedo, em Trás-os-Montes
- Lama de Arcos, em Trás-os-Montes
- Castro Laboreiro, no Alto Minho
- Caia (Elvas), no Alto Alentejo
Fortalezas e castelos raianos
[editar | editar código]Os castelos medievais foram os primeiros marcos fronteiriços. Somente a partir do século XVI passou a haver um registo centralizado dos limites efectivos do reino.
Pontes da raia
[editar | editar código]Bibliografia
[editar | editar código]- GARCÍA, Eusebio Medina. "Orígenes históricos y ambiguedad de la frontera hispano-lusa (La Raya)". Revista de Estudios Extremeños, 2006 Tomo LXII. Número II Maio-Agosto
- MARTÍN, José Luis Martín. "La tierra de las contiendas: notas sobre la evolución de la raya meridional en la Edad Media". Norba. Revista de historia, 2006. Volume 16
Ligações externas
[editar | editar código]- Revista de Estudios Extremeños
- Hablas de Extremadura en la red
- Portal de la Raya Alentejano-Extremeña
- Blogue Fronteiras
- Marcos de Fronteira, IGeoE
- ↑ Fernández de Casadevante Romaní, Carlos (1999). La frontera luso-española: análisis de los tratados bilaterales y el contencioso de Olivenza (em espanhol). [S.l.]: Universidad de Extremadura. pp. 87–89
- ↑ Instituto Geográfico Nacional (2015). Mapa Topográfico Nacional (MTN50), series del sector Olivenza (Mapa) (em espanhol). Madrid: Ministerio de Fomento
- ↑ Centro de Informação Geoespacial do Exército (CIGeoE) (2008). Carta Militar de Portugal 1:25.000, Desdobramento Extrato 441-A (Olivença) (Mapa). Lisboa: Exército Português